Palmas, 22/11/2017

Economia

Piscishow

Sahium defende incentivos à produção de espécies de peixe da Amazônia Legal

  • Saihum é Engenheiro agrônomo com experiência de 40 anos em gestão de projetos de extensão rural voltados para a irrigação e especialização em piscicultura

Sahium defende incentivos à produção de espécies de peixe da Amazônia Legal



Em defesa da valorização da piscicultura baseada em espécies nativas da Amazônia Legal, o secretário de Desenvolvimento Rural de Palmas, Roberto Sahium, palestrou na manhã desta sexta-feira, 14, no II Congresso e Feira de Tecnologia da Pesca e Aquicultura do Matopiba (Piscishow), que acontece no Centro de Convenções Arnaud Rodrigues, em Palmas. Com apoio da Embrapa e do Ministério da Agricultura, o evento acontece simultaneamente ao I Congresso e Feira de Avicultura, Suinocultura e Laticínios do Matopiba no mesmo local.

 

Engenheiro agrônomo com experiência de 40 anos em gestão de projetos de extensão rural voltados para a irrigação e especialização em piscicultura, Sahium discorreu sobre "Peixes nativos e sua inclusão social, econômica e ambiental", apresentando fontes do meio científico nacional e internacional para justificar sua preocupação com impactos na biodiversidade com a introdução de espécies exóticas. 

 

Sahium frisou que a Amazônia Legal é uma área protegida e que precisa de incentivos para o crescimento da piscicultura de espécies nativas que ainda não são economicamente exploradas, mas com grande potencial, a exemplo da tabarana - cuja carne é tão rica em ômega 3 quanto o salmão, o matrinchã – espécie considerada a truta do cerrado -, a branquinha  e o apapá-amarelo – com potencial para competirem com a sardinha. 

 

Outras espécies da região também foram citadas, como o jaraqui, o fildalgo, o filhote, o pirarucu, a caranha, o tucunaré, o paraqui, o surubim, entre outros. Citando pesquisa realizada pela Universidade Federal do Amazonas (UFMA), Sahium frisou que, das 1.400 espécies de peixes na Amazônia Legal, muitas ainda não são exploradas, sendo que no Tocantins 217 já foram catalogadas.

 

Gastronomia garantida

"Temos peixes na região Amazônica de excelente qualidade, muitos já configurados na gastronomia e que incluem socialmente os ribeirinhos que vivem do peixe nativo e mantêm pratos típicos, como a caranha assada, a caldeirada de tambaqui", frisou Sahium, que manifestou preocupação com a introdução da tilápia em redes-tanque no Tocantins.  A espécie não-nativa da região amazônica tem comportamento predatório e compete por alimento com outras espécies, além de ser responsabilizada por poluição ambiental em razão da criação em tanques-rede favorecer a liberação na água de resíduos que podem desequilibrar a fauna e flora aquática. Um grupo de pescadores de Palmas acompanhou a palestra. "Introduzir outra espécie que não é do nosso cotidiano é uma preocupação. Só que pelas condições do lago, pode acontecer, obviamente, que os tanques a soltem no lago e isso pode trazer estragos para nossa fauna no futuro. Nós, obviamente, somos a favor da preservação da nossa fauna", disse Davi Rodrigues, presidente da Colônia de Pescadores Z-10.

 

 

Potencial econômico

Lembrando a missão da Secretaria de Desenvolvimento Rural de Palmas (Seder) em orientar e oferecer assistência técnica de extensão rural com incentivo a adoção de novas tecnologias e propagação de conhecimento que favoreça o crescimento para o setor produtivo local, Sahium lembrou ainda que atividades economicamente sustentáveis precisam estar equilibradas sobre o tripé da valorização ambiental, econômica e social. "Cada lugar tem sua aptidão de produção, e nós temos a maior diversidade e coleção de peixes comerciais do mundo, os maiores lagos construídos recém-construídos no Brasil, estamos dentro do Corredor Centro-Norte de Exportação, com uma logística que nos deixa perto de tudo. Temos, sim, vocação para desenvolver uma cadeira produtiva com espécies nativas que, potencialmente, movimenta outros setores da economia", frisou.


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