Palmas, 19/11/2017

Justica

Professor e ator brasileiro é preso em Buenos Aires por teor crítico de sua obra e ascendência síria

  • O professor e ator brasileiro Michel Chahade, foi de férias com sua mãe para Buenos Aires no fim de Janeiro deste ano de 2017, lá, foi impedido de retornar ao Brasil, onde tem sua residência em Barueri

Professor e ator brasileiro é preso em Buenos Aires por teor crítico de sua obra e ascendência síria



Em 30 de Janeiro, ao fazer turismo com sua mãe (75 anos) , na cidade de Buenos Aires, Michel Chahade foi abordado pela polícia Argentina a pedido da Interpol (polícia internacional). Sem explicações e sem respeito à pessoa, o mantiveram preso por dois dias. Posteriormente explicaram que o Governo dos Estados Unidos alegava que ele teria um envolvimento numa falsificação de documento.

Michel viveu em New York de 2000 a 2014, onde se especializou em direção de teatro, com ênfase especial o teatro Russo e participou em diversos espetáculos teatrais que criticavam o autoritarismo, racismo e terrorismo criado por guerras fabricadas e, portanto, desnecessárias.

Em 2011 Michel dirigiu uma série de quatro obras teatrais que denunciavam práticas abusivas; tais quais o estupro e perseguição religiosa,  que sucedem por meio de guerras e conflitos também criados pelos Estados Unidos. O conjunto da obra ganhou destaque no maior festival de teatro da América do Norte, Fringe-NYC, por contar a história de uma bibliotecária muçulmana em Samara que para proteger crianças órfãs , não ofereceu nenhuma resistência a um cruel soldado americano que a estupra impiedosamente. (foto do site: http://chahade.yolasite.com/).

O atore e diretor de teatro,  Michel Chahade,  não parou com suas críticas a operação americana, criou e liderou a companhia de teatro Bedlam Ensemble , dirigindo e produzindo espetáculos que na maioria das vezes denunciavam atos de violência e perseguição. Em 2013, o artista co-dirigiu o curta metragem  "Asa, a Beatiful Girl", que conta a história verídica de uma jovem garota nigeriana abandonada por sua mãe e abusada por seus familiares mais próximos; uma verdadeira e triste   denúncia contra o sistema machista e abusivo no qual vivemos. O filme foi ganhador do prêmio de Melhor Curta Metragem no Festival de Cinema Reel Sisters of the Diaspora e Seleção Oficial no Festival de Cinema  Bronx Week.

No mesmo ano, em novembro de 2013, depois da grande repercussão de seus espetáculos e filme,  Michel foi abordado por inspetor americano na empresa em que era sócio com seu irmão, com fins de complementar sua renda; o inspetor alegou estar em uma visita de praxe e que trabalhava diretamente com o governo americano. Na abordagem, o inspetor indagou Michel sobre suas origens e religião, Michel disse a verdade afirmando ser brasileiro de descendência árabe e mas sem ligação com nenhuma religião, por isso, não era  muçulmano nem tinha  qualquer relação com o estado islâmico. O inspetor manteve a atitude discriminatória, apesar das informações dadas por Michel.

Um mês depois, em Dezembro de 2013, Michel foi surpreendido por mais de 20 agentes do FBI quando chegava a empresa.

"Foram mais de 8 horas que tive que ficar em pé num canto do meu escritório por ordem dos agentes, enquanto eles sequestravam meus arquivos e documentos, além de tirarem amostras de pó, mediam cada centímetro e copiavam todos os hard drives" relata o artista. Além de toda vasculha no escritório,  também mantiveram todo o seu equipamento teatral como: cenários, figurinos e arquivo artístico.

O artista brasileiro nunca imaginou que seria  vítima de tal prática, mas sabia que era por se opor à política de guerra dos Estados Unidos. Sentindo-se oprimido e perseguido decidiu passar alguns meses em sua terra natal, o Brasil.

No Brasil ele pode recuperar  sua auto-estima, liberdade de expressão e dignidade após ser convidado a dirigir um grupo de atores, dando aulas de teatro e a dirigir um espetáculo infantil "Sirimalva, A Inimiga da Cidade" que teve patrocínio do Centro Cultural Albatroz e já teve montagens anteriores patrocinadas pela Editora Globo e circulado pelo circuito Sesc São Paulo de Teatro. Após esses trabalhos Michel decidiu permanecer no Brasil. Não achava mais os Estados Unidos uma terra livre. Desde então Michel tem se dedicado às artes teatrais e ao ensino da língua inglesa.

Com sua vida em pleno andamento, decidiu viajar com sua mãe que queria conhecer Buenos Aires e lá foi surpreendido por uma ação do governo americano. Michel foi preso pela polícia argentina a pedido dos Estados Unidos que tinha uma ordem de extradição. Essa ordem de extradição acusa Michel de falsificação de documentos. Michel afirma, pois sabe  que essa acusação não tem fundamento, a falta de procedência e nunca ter praticado tais atos,  teme ser julgado injustamente simplesmente por ter um sobrenome árabe e por criticar ações militares do governo americano.

Atualmente, Michel segue detido na penitenciária Marcos Paz em Buenos Aires onde não têm familiares e nem acesso há advogados que falem sua língua.

Michel entrou em contato com o consulado brasileiro diversas vezes mas não obteve nenhuma atenção nem respostas, além de ter feito uma denuncia no escritório local dos direitos humanos.

O caso do Michel merece uma atenção, pois a injustiça e perseguição do atual Governo Norte Americano contra ele,  representa a injustiça de um governo totalitarista e opressor contra qualquer cidadão brasileiro. (Por William Fernandes


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