Palmas, 18/11/2017

Opinião

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Educação Municipal: “Quando os elefantes brigam, quem sofre é a grama”

  • Escrito por Tatiana Costa Martins, psicopedagoga, orientadora educacional no município de Palmas. Lattes: http://lattes.cnpq.br/6950352355955961
Educação Municipal: “Quando os elefantes brigam, quem sofre é a grama”


Com o dito popular este texto se delineia, entre estratégias astutas e malfadadas de gestores municipais que, na capital eficiente, tentaram ignorar a ordem legal de uma Gestão Democrática nas Unidades de Ensino e Centros Municipais de Educação Infantil. Entre sorrisos amarelos e declarações midiáticas, o desgaste e o cansaço impera entre muitos educadores, que anteriormente tinham a convicção de que, garantir a participação da comunidade na tomada de decisão não é um favor, mas um dever e direito.

O embate, hora silencioso, hora estrondoso, durou mais de dois meses. Lamentavelmente crianças e adolescentes, pais e educadores, aguardaram frustrados pela tomada de consciência de gestores e diretores, até que de bom grado, ou por "orientação" do Ministério Público, resolveram ceder parcialmente ao que desde o início foi exigência dos educadores, ou seja, garantir a participação da comunidade na resolução do calendário de reposição das aulas.

Até este ponto de consenso, com o empurrão da justiça, claro, muitos desgastes marcaram a Educação Palmense. Desde a acareação entre famílias e diretores, os quais, em maioria, colocaram em prática o plano de substituições aleatórias, que viessem a resguardar a falácia de que houve aula normal no período de greve, o qual perdurou por quatorze dias letivos, até a realização de reuniões de pais no meio da rua. Sim... pois, não havia "autorização" para a comunidade adentrar e debater sobre assuntos que lhe dizem respeito dentro da escola.

Da criminalização à desmoralização dos professores, as estratégias se tornam um pouco mais veladas, pois em documento oficial o Secretário de Educação informa que as Unidades devem registrar em ata as reuniões dos Conselhos acerca das reposições (via ofício n.º 188/GAB/SEMED), mas para os diretores chega a seguinte informação: "Para esclarecer, a consulta à comunidade escolar não tem caráter deliberativo sobre a reposição. As propostas deverão ser encaminhadas para SEMED, que analisará e dará prosseguimento observando-se a viabilidade. Da mesma forma será realizado o levantamento da frequência dos dias anteriores. Segundo orientação do MPE, havendo menos de 50% de frequência de escolares não poderá ser considerada reposição" (Fecha aspas).

A retirada da autonomia das Associações Comunidade Escola somente se efetivará se pais e educadores se derem por vencidos, e sabendo que o objetivo maior é comum, ou seja, o atendimento às crianças e adolescentes, sem dúvida alguma a comunidade escolar seguirá fortalecida na busca por ser ouvida e respeitada em seu poder legal de tomada de decisões. A nova política da obediência cega não será instaurada, principalmente porque a sociedade já é desperta e compreende a importância da Educação para a transformação social.


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