Palmas, 26/07/2017

Opini√£o

Política

O Brasil, as raposas e o galinheiro

  • Por Tenente Dirceu Cardoso Gon√ßalves*


Todos os dias ‚Äď ou quase todos ‚Äď somos surpreendidos por not√≠cias sobre esquemas criminosos cujos participantes desviam a finalidade do dinheiro p√ļblico, levando-o para o custeio de campanhas eleitorais ou para o puro enriquecimento il√≠cito. Aquela informa√ß√£o velada de que tudo teria uma propina de 10%, que circulou por anos a fio e era dif√≠cil de ser confirmada, agora √© fato conhecido e comprovado por milhares de  investiga√ß√Ķes, inqu√©ritos, processos, dela√ß√Ķes e at√© senten√ßas. S√£o elevad√≠ssimas somas roubadas. Escolas, hospitais, estradas, aeroportos, abastecimento de √°gua e energ√©tico e outros servi√ßos custeados ou executados pelos governos e seus prepostos t√™m sido usados para sustentar a legi√£o de corruptos que ocupam os escaninhos do poder ou gravitam ao seu redor. E o povo, leg√≠timo dono dos recursos resultantes de impostos e servi√ßos superfaturados, al√©m de pagar caro, n√£o √© atendido. A degrada√ß√£o √© tanta que at√© membros de tribunais de contas j√° foram presos, consider√°vel parcela do Congresso Nacional √© investigada (alguns congressistas j√° s√£o processados e outros presos) e at√© o presidente da Rep√ļblica √© denunciado e seus antecessores processados.

√Č surreal o quadro formado pela cr√īnica dos detentores do poder nas diferentes esferas. Os malfeitos j√° conhecidos e aqueles que ainda vir√£o a p√ļblico com o avan√ßar das investiga√ß√Ķes, principalmente as dela√ß√Ķes onde um envolvido revela a identidade de seus comparsas, mostram um Brasil doente. Mesmo assim, a economia, quando n√£o √© (ou √© menos) atingida pelos esquemas de corrup√ß√£o, d√° sinais de recupera√ß√£o. Precisamos de reformas. Mas n√£o o simples tirar de direitos dos trabalhadores, o nada fazer sobre os grandes devedores e o deixar inalterados os elevados gastos governamentais e os privil√©gios de poucos que, cortados, poderiam resolver os problemas de muitos.

Mais do que qualquer altera√ß√£o setorial, como as que se t√™m proposto, o pa√≠s necessita de uma reforma conceitual. O bem p√ļblico, hoje negligenciado e sob a guarda de corruptos, tem de receber controles eficientes e compartilhados entre diferentes entes, onde um impossibilite que o outro cometa irregularidades. A Uni√£o, os estados e os munic√≠pios t√™m de operar sob r√≠gidos controles. A m√°quina p√ļblica tem de ser refor√ßada e tornar-se eficiente para atender as demandas e administrar o er√°rio, sem que os pol√≠ticos, ocupantes de caros eletivos ou nomeados por estes, tenham acesso direto ao cofre. A estes deve ser reservada apenas a tarefa pol√≠tica. Para colocar a m√£o no dinheiro, tem de ser servidor de carreira, com forma√ß√£o, concursado e compromissado  para essa finalidade com regras que, n√£o cumpridas, possam custar a carreira, o patrim√īnio e a estabilidade profissional e pessoal. N√£o podemos continuar no atual sistema, onde o que vigora √© a popular figura da raposa administrando o galinheiro...
 
 
*Tenente Dirceu Cardoso Gon√ßalves - dirigente da ASPOMIL (Associa√ß√£o de Assist. Social dos Policiais Militares de S√£o Paulo) 


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