Palmas, 29/05/2017

Opinião

Ciência e Tecnologia

Pró-reitor de administração

  • Por Daniel Nascimento-e-Silva*
Pró-reitor de administração


Os pró-reitores de administração são os grandes provedores internos de toda organização de ciência e tecnologia. Provedor é todo aquele que entrega aos órgãos de uma organização os suprimentos de que precisam para que possam funcionar de forma adequada. Isso significa que toda organização é um sistema composto por unidades que têm necessidades (clientes) e outras unidades que fazem o suprimento dessas necessidades (fornecedores). A relação cliente-fornecedor é um esquema lógico que permite que os gestores possam compartilhar esforços e recursos para alcançar os objetivos de suas unidades e de toda a organização. Há outras unidades internas de suprimentos nas organizações, além da pró-reitoria de Administração, que serão tratadas mais adiante. Este artigo tem como objetivo descrever as funções das pró-reitorias de administração de organização de ciência e tecnologia.

As pró-reitorias de Administração são atividades-meio, o que as coloca no meio dos organogramas institucionais, com as atividades-fim nas extremidades, esquerda e direita. A leitura dessas representações estruturais é feita assim: as esquerdas e as direitas demandam recursos das unidades centrais. Mas, por que é assim?

Vamos a uma analogia para que essa lógica seja compreendida. Imaginemos um time de futebol moderno. Qual é a finalidade do time? Vencer seus adversários (objetivos operacionais) para alcançar seus objetivos no campeonato (objetivos táticos) e se posicionar entre os times locais, regionais ou nacionais (objetivos estratégicos). Para que todos esses objetivos se realizem, é necessário que pessoas, organizadas em grupos, façam coisas, desenvolvam atividades, desempenhem determinadas funções.

Há o grupo de pessoas que ligam com dinheiro (fazem pagamento de salários, arrecadam dinheiro de financiadores, pagam fornecedores etc.), os que lidam com o marketing (divulgam o time, fazem contratos de publicidade, criam os anúncios etc.), os que lidam com a preparação do time (técnicos, preparadores físicos, nutricionistas, roupeiros etc.) e os jogadores que compõem a equipe. Notem que quem trabalha com dinheiro, marketing e outras áreas trabalham para quem trabalha com a preparação do time e com a própria equipe de jogadores.

Neymar, por exemplo, não precisa se preocupar com o que vai comer no almoço, nem onde vai dormir quando seu time for jogar em outra cidade. Também não precisa se preocupar se vai ou não receber seu salário no final do mês. Tem vários grupos de pessoas fazendo isso para ele. Ele só precisa se dedicar à sua responsabilidade, que é ajudar o time a ganhar os jogos. Especificamente, ele tem que colocar os outros jogadores "na cara do gol" e fazer seus gols.

A mesma coisa deve acontecer nas organizações de ciência e tecnologia. O pessoal de pesquisa, extensão, ensino e outras atividades-fim não precisam se preocupar com o salário, se os equipamentos e materiais para as pesquisas vão estar disponíveis, se os contratos de prestação de serviços com outras organizações foram celebrados ou se os técnicos de apoio ao ensino dominam ou não determinada tecnologia. Tudo isso, por incrível que possa parecer, é responsabilidade das pró-reitorias de Administração enquanto atividade-meio.

As pró-reitorias de Administração lidam com o processo gerencial setoriais de todas as áreas da organização. Isso quer dizer que essa área gerencial conhece com profundidade os planos estratégicos, táticos e operacionais seus e das outras áreas. Esse conhecimento é necessário para que saibam o que, quando, em que condições e demais diretrizes técnicos dos recursos que precisam ser supridos. São recursos desde pessoas até tecnologias, passando por máquinas, equipamentos, insumos e toda sorte de material burocrático.

Por essa razão, sua estrutura reflete as especialidades de suprimentos: diretoria de pessoas, diretoria de logística, diretoria financeira, dentre outras. Vamos a um exemplo para esclarecer isso. Tomemos o caso da gestão de pessoas. Há institutos federais que sabem com precisam quantos servidores vão se aposentar daqui a 10, 15 ou 20 anos, da mesma forma que conseguem prever quantos servidores entrarão de licença. O suprimento de pessoas desses institutos são tão bem feitos que faz muitos anos que praticamente nenhuma reclamação é registrada sobre falta de pessoas, fatos muito comuns nos institutos federais gerenciados de forma amadora.

Quando a pró-reitoria de administração funciona de forma adequada, praticamente não há falta de recursos. A falta de recursos é um acontecimento que desonra e denigre a imagem do pró-reitor de Administração que tem formação e habilidade para ocupar essa posição na hierarquia gerencial. É como o dentista que não consegue tirar a dor do seu paciente ou do advogado que perde os prazos de seu cliente. As outras unidades organizacionais ficam completamente à vontade para se dedicar àquilo que devem produzir, sejam elas outras atividades-meio ou atividades-fim.

As pró-reitorias de Administração são peças-chave para o funcionamento de toda organização de ciência e tecnologia porque sem elas as demais unidades não teriam os recursos necessários para fazer suas produções. Quando as outras unidades também tomam para si parte das funções das pró-reitorias de Administração, como a captação de recursos, esse compartilhamento, ao invés de gerar conflitos de interesses, dinamizam o gerenciamento institucional levando a organização a ousar ainda mais nas pretensões contidas em suas visões de futuro. É interessante perceber que as organizações de ciência e tecnologia funcionam bem porque conseguem aplicar a lógica aqui explicada.

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)


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