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Palmas, 25/03/2017

Saúde

Bariátrica

Cirurgia bariátrica é muito segura quando os riscos são minimizados

  • Médico recordista neste tipo de procedimento orienta sobre os cuidados necessários a equipe e pacientes no pré-operatório para reduzir chances de complicações. Ex-participante de reality show morreu essa semana após submeter-se à cirurgia

Cirurgia bariátrica é muito segura quando os riscos são minimizados



Após a morte de Pedro Paulo Domingues, ex-participante do reality show Além Do Peso (Record TV), depois de passar por uma cirurgia bariátrica, acendeu um sinal de alerta sobre o procedimento. Ainda não foram divulgadas as causas que levaram Pedro a óbito, mas muita gente passou a questionar a cirurgia que devolve qualidade de vida e saúde a milhares de brasileiros. O médico Cid Pitombo – maior recordista neste tipo de procedimento pelo Sistema Único de Saúde – faz uma série de alertas sobre como MINIMIZAR O APARECIMENTO DE complicações.

Pitombo é o criador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro, que já operou mais de 1.600 pacientes do SUS e mantém a média de 40 operações por videolaparoscopia por mês no Hospital Estadual Carlos Chagas.

"A cirurgia bariátrica é muito segura, principalmente quando há um pré-operatório bem feito e as eventuais doenças de base que o paciente tenha estejam estabilizadas", afirma dr. Cid Pitombo.

O risco de morrer de um procedimento bariátrico varia entre 0,2 e 0,5%. É muito baixo, mas o especialista destaca o que precisa ser observado:

- Avaliação cardiopulmonar – precisa ser rigorosa, muito bem feita
- Para evitar trombose – verificar doença vascular sobretudo dos membros inferiores
- Diabetes – controle máximo da glicemia
- Psicológico – paciente precisa estar preparado para as restrições da dieta pós-operatória
- Mobilidade – avaliar em que estado o paciente encontra-se

"O segredo do sucesso é a boa estrutura oferecida, o doente estar bem avaliado e a equipe cirúrgica estar bem preparada para o procedimento. Se esta lista for seguida não há problema na cirurgia de alta complexidade. Por isso que a gente trabalha no SUS com uma equipe multidisciplinar, que avalia todas as questões clínicas e emocionais do paciente. Não é raro recomendarmos uma dieta antes da cirurgia, para chegar aos melhores níveis para a operação. Por isso que nosso é resultado é tão positivo", destaca o cirurgião Cid Pitombo.

Quem pode operar - Paciente que tiver Índice de Massa Corpórea dentro do indicado (maior que 40kg/m² ou maior que 35kg/m² quando associado a fatores de comorbidade, como hipertensão e diabetes, entre outros), que preencham os pré-requisitos do Ministério da Saúde e não tiverem doenças graves associadas são avaliados, preparados e operados. A equipe do médico Cid Pitombo também acompanha todo o pós-operatório especializado, com orientações de nutricionista, psicólogo e avaliação periódica pelo cirurgião.

"A gente opera uma população de muito baixa renda que tem uma dificuldade enorme de lidar com o problema da obesidade, desenvolvem uma diversidade de doenças e não conseguem emprego. A partir do momento que eles são operados, eles voltam pra vida. ", disse o médico.

Perfil do especialista - Há quase 25 anos, ao sair da faculdade, Pitombo foi para os Estados Unidos se especializar em cirurgia laparoscópica. Voltou ao Brasil cinco anos depois para aprender sobre cirurgias da obesidade e, ao final do mestrado e doutorado, rodou grandes centros de cirurgia bariátrica nos EUA. Logo percebeu que os conhecimentos sobre laparoscopia e obesidade eram uma área a ser explorada. Juntou-se aos grandes nomes da cirurgia bariátrica, experimentou diferentes técnicas, operou e deu aulas em diversos países e se tornou referência no Brasil em cirurgia bariátrica por videolaparoscopia, técnica que utiliza em todas as unidades em que opera. O procedimento é menos invasivo e proporciona recuperação mais rápida do paciente.

Pitombo é editor-chefe do livro "Obesity Surgery: principle and practice", referência mundial no assunto, da editora McGraw-Hill.


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