Palmas, 28/07/2017

Saúde

CEVS/CESMU

Durante conferências, usuários do SUS apresentam demandas sobre Saúde da Mulher e Vigilância em Saúde

  • As etapas das macrorregionais das regiões norte, sul e central abrangem os 139 municípios

Valdo França

Durante conferências, usuários do SUS apresentam demandas sobre Saúde da Mulher e Vigilância em Saúde



Luciene Lopes/Governo do Tocantins
 
Levantar os anseios da sociedade com o intuito de traçar diretrizes para atender as demandas da saúde é um dos objetivos da 1ª Conferência Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) e da 1ª Conferência Estadual de Saúde das Mulheres (CESMU), que acontece até o dia 19 de maio em Palmas. As etapas das macrorregionais das regiões norte, sul e central abrangem os 139 municípios.
 
Durante a abertura das conferências, que reuniu mais de 400 profissionais da saúde e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), o subsecretário de Estado da Saúde, Marcus Senna, saudou a todos desejando o máximo de aproveitamento e pontuou que a saúde do Tocantins deve ser estruturada como modelo de rede de atenção, uma vez que devido a sua dimensão apresenta peculiaridades de atendimento. "O avanço das políticas de saúde se torna efetivo à medida em que o gestor compreende as demandas da sociedade, por isso é tão importante esse momento", disse.
 
A promotora de Justiça, Maria Roseli de Sousa Pery, avaliou que a militância de gestores e profissionais do SUS no Tocantins tem demonstrado que o sistema é viável e acredita que as políticas em debate serão consolidadas por meio de um modelo de atenção, como rege a legislação. Quanto às demandas da mulher, a promotora disse que a sociedade precisa se atualizar e conscientizar do patamar que a mulher deve ocupar e se engajar nessa luta, para que todas as políticas nesse sentido sejam implementadas. "O Ministério Púbico está à disposição dos gestores estaduais, municipais, profissionais da saúde, militantes do SUS e toda a sociedade", lembrou.
 
Racismo e lutas
 
Ao abordar sobre as políticas, dentre elas a de equidade, a conselheira nacional de saúde, Helianna Hemetério, revelou que a violência entre mulheres negras segue crescendo. Enquanto a agressão diminuiu 10% entre mulheres brancas, entre as negras aumentou 54%, caracterizando o racismo.
 
Para a conselheira não há necessidade de criar mais políticas, é preciso apenas que o cidadão tenha seus direitos reconhecidos. A palavra de ordem, segundo ela, é resistir e continuar com a construção de momentos, como as conferências, e não fechar os olhos para o machismo, homofobia e o racismo, dentre outros tipos de preconceitos. "Mesmo em um momento crítico e marcado por perdas é necessário que profissionais se engajem nas discussões em torno da saúde a fim de que a atenção básica não fique prejudicada, uma vez que ela é a porta de entrada do atendimento do SUS", reforçou.
 
Outro dado importante de violência contra as mulheres, apontado pela delegada de Mulher, Haydeé Guimaraes, é que 80% dos registros são casos cometidos dentro de casa. Para facilitar o encaminhamento das vítimas, a delegada alega que é importante entender como funciona a rede de atendimento especializado e contar com profissionais capacitados e perfil adequado. "Assim poderemos dá um atendimento adequado à mulher vitimada e uma resposta satisfatória a sociedade", finalizou
 
Para validar as conferências como um instrumento de articulação e de luta, o secretário municipal de Saúde de Palmas, Nésio Fernandes, disse que é importante que durante o encontro "todos se desnudem das vestes institucionais e funcionais, sendo apenas usuário". "Vamos aproveitar o espaço para mobilizar as pessoas que vivem apenas na condição de usuários do SUS. A sociedade precisa entender que o SUS e os direitos garantidos na constituição estão ameaçados. É preciso ir além dos debates, unir forças e usar a conferência como espaço de resistência e luta".
 
Palestras e Programação
 
Durante a abertura, a superintendente de Vigilância Promoção e Prevenção a Saúde, Liliana Fava, proferiu palestra e destacou alguns eixos temáticos como a comunicação, estudos, alcance, demandas e decisões que serão tratados durante os debates dos oito grupos. "São discussões que deixarão os conferencistas inteirados sobre a abrangência da vigilância em saúde", assegurou.
 
As atividades desta quinta e sexta-feira acontecem no auditório e salas do Ceulp/Ulbra, a partir das 8 horas. Na programação estão atividades em grupos, plenárias e eleição de delegados. O evento é direcionado aos conselheiros municipais, secretários municipais de saúde, técnicos, trabalhadores e  gestores de serviços de saúde, sociedade civil organizada, bem como aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
 
O secretário executivo do Conselho Estadual de Saúde (CES), Mário Benício, destacou que as propostas apresentadas nessas etapas macrorregionais, após consolidadas pelo Conselho Estadual de Saúde, serão deliberadas para irem a conferência estadual. São 48 propostas para a Saúde da Mulher e 28 para Vigilância em Saúde, e a representatividade das regiões norte, sul e central será feita por 28 delegados.


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