Palmas, 19/11/2017

Viver

PEJ

Jovens do interior de São Paulo falam sobre rotina de trabalho voluntário no Jalapão

  • Para conhecer outros detalhes do Programa Voluntário pela Natureza basta acessar o site do Naturatins

Washington Luiz

Jovens do interior de São Paulo falam sobre rotina de trabalho voluntário no Jalapão



Imagine aliar conhecimento, aventura e natureza em um cenário paradisíaco. Foi esse roteiro que levou quatro jovens universitários do município de São Carlos, interior de São Paulo, a se inscreverem no Programa Voluntário pela Natureza, promovido pelo Governo do Tocantins. Alojados no Parque Estadual do Jalapão (PEJ) desde o dia 29 de julho, eles comentaram sobre a rotina de trabalho e convivência com outras pessoas, falaram sobre o serviço de fiscalização realizado durante as gravações da nova novela das 21 horas da Rede Globo "O Outro Lado do Paraíso" e contaram sobre o desejo de retorno ao Estado para conhecer outras Unidades de Conservação (UCs). 

No dia em que fizemos a reportagem com os jovens, eles estavam dividindo o alojamento do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), que fica na sede administrativa do PEJ, a cerca de 15 km de distância do município de Mateiros, com outras seis pessoas. A rotina dentro da casa, espécie de Big Brother sem câmeras, requer dos moradores temporários uma postura amistosa para manter a organização e a harmonia do ambiente, que é gerenciado pelo supervisor do Parque, João Miranda. O local conta com dois banheiros (um masculino e outro feminino) e três quartos com camas e colchões extras. O lugar possui ainda toda a estrutura de uma casa convencional, com TV, armários, utensílios domésticos, fogão, geladeira e tanque para lavar roupa. A alimentação é de responsabilidade individual, ficando a cargo dos voluntários a organização e os custos por suas refeições. 

"Eu fiquei sabendo da oportunidade de fazer voluntariado aqui por meio de um amigo, que é um dos voluntários que veio junto com a gente e tem uma página de divulgação na internet a respeito de trabalho voluntário, estágio e vagas de emprego na área ambiental.  Vim do interior de São Paulo para cá de carona. Fiz uma placa com o destino que eu estava indo e fiquei na beira da estrada pedindo carona. De São Carlos, eu fui para Uberlândia [MG] e de lá para Brasília [DF]. Em Brasília, consegui uma carona para a Chapada dos Veadeiros em Goiás, fiquei alguns dias por lá e depois vim até Palmas, onde fui para o aeroporto esperar os meus amigos que estavam vindo de avião. Quando eles chegaram, um carro do Naturatins buscou a gente e trouxe até aqui no Parque Estadual do Jalapão", contou Renan de Souza Dias, 22 anos, acadêmico do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A longa aventura de Renan valeu a pena. Ao chegar à região do Jalapão, o jovem encontrou um lugar "desconhecido por muitos e de beleza singular". "Estar aqui, foi algo extremamente novo para a gente, até porque nós estamos vindo do estado de São Paulo e lá as unidades de conservação são muito diferentes daqui. Além de serem menores, a estrutura e o apoio que elas recebem do Estado, tanto financeiramente quanto estrutural, é muito inferior ao daqui. Então, ver o trabalho que o Naturatins realiza para manter a beleza e o estado de preservação e conservação do Jalapão é algo totalmente novo. Viemos como voluntários e estamos apaixonados", descreveu Renan.

No dia em que a entrevista foi realizada com Renan, ele havia sido escalado pelo supervisor do parque para acompanhar, juntamente com um servidor do Naturatins, as gravações da novela "O Outro Lado do Paraíso", que ocorreriam na Comunidade Mumbuca e nas plantações de Capim Dourado, em Mateiros. "Acho que as gravações aqui têm um aspecto muito positivo exatamente pelo fato de você expor isso em âmbito nacional e as pessoas ficarem conhecendo um patrimônio que é nosso, um patrimônio nacional, que muita gente não conhece e nem sabe das riquezas que tem aqui. Um dos pilares da conservação é as pessoas conhecerem para poderem conservar, então a partir do momento que elas conhecem, elas criam uma empatia maior em conservar determinada região", pontuou.

Organização e convivência

Única mulher do quarteto, Heloisa Bertolli, 21 anos, também é acadêmica do curso de Ciências Biológicas da UFSCar. "Aqui, a gente dá uma ajudada no escritório em algumas coisas que eles precisam na parte administrativa e acompanha os visitantes nos atrativos turísticos da região. Olhamos, por exemplo, se está tendo muito lixo depois que eles vão embora, se eles estão respeitando as normas ambientais", explicou.

Uma das atividades exercidas por Heloísa também foi o acompanhamento das gravações da novela. "Parece simples, mas foi muito importante explicar para o pessoal da novela um pouco sobre a história do Jalapão, pois parte da produção não sabia. Além disso, nossa função era garantir que eles respeitassem as normas que o parque pede", contou.

Em relação à convivência com os outros membros da casa, Heloísa destaca que é preciso a pessoa estar aberta às diferenças para vivenciar da melhor forma possível as experiências de ser voluntário no parque. "Você sai da sua casa que tem um ritmo e encontra aqui um ritmo totalmente diferente. É uma outra cultura.  Para manter a harmonia no alojamento é necessário respeitar o espaço de todo mundo, porque acaba sendo uma convivência de pessoas com as quais você não está acostumada a conviver no seu dia a dia. Um é de um jeito, o outro do outro, um lava a louça assim, o outro lava assado, então eu acho que respeitar um pouco as individualidades e tentar ir conciliando os desejos de cada um é o segredo para manter a organização e evitar estresse", opinou.

As palavras de Heloísa em relação à convivência na casa são ratificadas pelo seu colega Davi Munhoz, 23 anos - também universitário do curso de Ciências Biológicas da UFSCar. "Aqui no alojamento, cada dia chegam três pessoas e saem sete (risos), é uma coisa muito engraçada, e a gente se organiza assim, tem dia que todo mundo cozinha junto e almoça junto, tem dia que não dá para conciliar porque uns saem às 6 horas e outros às 7 horas para trabalhar. Mas funciona muito bem, impressionante", acrescentou.

Voluntários na rede

Considerado por seus colegas o mentor da viagem, Leonardo Ambrosino, 22 anos, é acadêmico do curso de Gestão e Análise Ambiental da UFSCar e ligado nas oportunidades de programas de voluntariados nos parques ambientais do Brasil. "Desde que eu entrei na graduação venho fazendo vários trabalhos voluntários. Com isso, bastante gente vinha me perguntar como eu conseguia ficar por dentro das oportunidades. A partir daí eu resolvi reunir todas essas informações dos processos seletivos em uma página do Facebook chamada Oportunidades, Estágios e Trabalhos Voluntários [@vagasparabiologia]", explicou. 

Sobre o programa de voluntários no PEJ, Leonardo contou que há muito tempo tinha o interesse de conhecer o local e aproveitou a oportunidade para realizar seu desejo. "Eu queria muito conhecer o Jalapão e contribuir. Daí procurei no Google informações sobre o programa de voluntariado aqui e vi uma matéria do Naturatins falando sobre esse tipo de trabalho. Fiz um post e compartilhei o link da matéria na minha fanpage. Tanto a Heloísa, como o Davi e o Renan já tinham manifestado interesse de vir para cá, então fizemos nossa inscrição e estamos aqui encantados com essa beleza que é o Parque Estadual do Jalapão", concluiu.

Ao fim das entrevistas, os universitários compartilharam a vontade de voltar para o PEJ e também de conhecerem outras unidades de conservação do Estado. Há ainda o desejo de desenvolver projetos na área ambiental em parceria com o Naturatins e até mesmo de criar uma Organização Não governamental (ONG) para auxiliar no trabalho de educação aos visitantes dos atrativos e à população local. Eles chegaram ao parque no dia 29 de julho e devem embarcar de volta para São Carlos no dia 15 de agosto.

Para conhecer outros detalhes do Programa Voluntário pela Natureza basta acessar o site do Naturatins.


Confira também


Comentários

comments powered by Disqus