Friday, 26 de April de 2019

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Educação

Pela primeira vez, estudantes haitianos se formam na UNILA

16 Jan 2019    18:08    alterado em 16/01 às 18:08
Pela primeira vez, estudantes haitianos se formam na UNILA

A comunidade acadêmica da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) comemorou, na última quinta-feira (10), a primeira cerimônia de colação de grau de estudantes haitianos da Universidade. Junto a colegas de outros dez países da América Latina, 12 alunos do país caribenho receberam os certificados de conclusão de curso. Eles ingressaram na instituição no início de 2015, por meio de um programa de apoio para a inserção de haitianos refugiados na educação superior brasileira. Outros 88 haitianos estudam na Universidade, localizada em Foz do Iguaçu (PR).

Os 12 haitianos recém-formados têm histórias muito parecidas. Todos deixaram o Haiti após o terremoto de janeiro de 2010 – que afetou grande parte da população do país – e migraram para o Brasil em busca de trabalho e melhores condições de vida. Na UNILA, eles encontraram a oportunidade de retomar os estudos que, muitos deles, tiveram de abandonar em seu país natal.

“Depois do terremoto, o Haiti passou por uma crise em vários setores, inclusive na educação superior. Grande parte das estruturas das instituições de ensino foi destruída, não havia laboratórios e muitas disciplinas estavam sem docentes para administrá-las. Era uma situação desesperadora para os estudantes”, conta Markenley Edmond, que cursava Medicina na Universidade do Estado do Haiti (UEH), em Porto Príncipe. Na UNILA, Markenley concluiu o curso de Saúde Coletiva. Ele pretende voltar ao Haiti para terminar a carreira de Medicina.

Conhecimento o desenvolvimento
Idege Aimable, a única mulher entre os haitianos formados, chegou a cursar alguns anos de Enfermagem no Haiti. No Brasil, ela trabalhou durante dois anos em uma malharia de Santa Catarina, quando decidiu vir para Foz do Iguaçu para estudar Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar (DRUSA). “O início foi um desafio. Estudar em uma língua estrangeira não foi fácil, mas estar na UNILA foi uma grande oportunidade para conhecer diferentes culturas, e também para o meu crescimento pessoal”, lembra.

Em seu trabalho de conclusão de curso, Idege estudou a relação entre produção de alimentos e segurança alimentar em uma das áreas mais férteis do Haiti, a comunidade de Liancourt. Agora, ela planeja dar continuidade à sua pesquisa na pós-graduação, para depois retornar a seu país e ajudar no desenvolvimento do setor agrícola. “O curso me trouxe uma perspectiva nova para compreender a questão da pobreza, a importância da inovação e a sustentabilidade, para melhorar a segurança alimentar, renda e nutrição”, declarou.

Além da formatura, muitos dos profissionais haitianos formados na UNILA estão comemorando a aprovação nos mais respeitados programas de pós-graduação em suas áreas, no Brasil. O sanitarista Wendy Ledix começa, no mês de março, o mestrado em Saúde Pública da USP. Já o egresso em Economia Fednel Saintil, após ser aprovado em três programas de pós-graduação, já está em Salvador (BA), onde irá cursar o mestrado em Economia Aplicada da UFBA. “Foram quatro anos muito especiais, não apenas pela possibilidade de fazer uma carreira universitária, mas por todo o conhecimento cultural e por todas as experiências que a Universidade proporciona”, salienta Fednel.

Ampliação do ingresso  -A primeira turma de haitianos ingressou na UNILA no início de 2015, por meio de um programa de apoio para a inserção de haitianos refugiados na educação superior. Em o programa foi ampliado para receber jovens de qualquer nacionalidade que estejam em situação de refúgio ou que sejam portadores de visto humanitário.

Atualmente, 88 alunos do Haiti integram o corpo discente da Universidade. A instituição espera receber pelo menos 30 haitianos no ano letivo de 2019, que foram aprovados no Processo Seletivo Internacional e na Seleção para Refugiados e Portadores de Visto Humanitário. Estudantes de 19 países da América Latina e de países como Angola, Barbados, Benin, Congo, Gana, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Senegal e Síria também devem chegar à UNILA neste ano.

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