Friday, 30 de October de 2020

ESTADO


Arma de duas rodas

Acidentes com motos em Palmas já se transformaram em calamidade pública

17 Dec 2008

Pesquisa solicitada pelo deputado Estadual Paulo Roberto (DEM), ao Hospital Geral de Palmas – HGP, apresentou resultados assustadores quanto ao número de acidentes envolvendo motociclistas em Palmas. De acordo com as estatísticas do HGP, de janeiro a 12 de dezembro de 2008 foram atendidos 2.407 pacientes vítimas de acidentes de moto, o que dá uma média de 200,5 acidentes por mês até dezembro. O hospital não tem um controle da quantidade de óbitos por acidentes, mas segundo informações, muitos jovens morreram ou ficaram inválidos, vítimas de acidentes no trânsito. Segundo informações da assessoria do HGP, pelo menos 30% dos leitos do hospital são destinados aos acidentados.

De acordo com dados divulgados em setembro pela Abramet - Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, a taxa de mortalidade das vítimas de acidentes de moto registrada em Palmas é de 9,6 para mil habitantes. Além disso, segundo a pesquisa, a capital do Tocantins tem a terceira maior frota do Brasil: 93,6 motos para cada mil habitantes, perdendo apenas para Boa Vista (RO) e Goiânia (GO). Estas cidades são justamente as que têm maior taxa de mortalidade.

O deputado Paulo Roberto, que tem acompanhado de perto a situação, alerta que a quantidade de acidentes por motos em Palmas já se transformou em calamidade pública e garante que vai cobrar ações das secretarias Municipal e Estadual de Saúde, do Detran e da Prefeitura da Capital. Outra questão levantada pelo deputado é a quantidade de médicos e leitos que ficam ocupados no hospital para o atendimento das vítimas de acidentes, deixando de atender outros pacientes que necessitam de internação por motivo de doenças. "Não podemos aceitar esses dados e ficar de braços cruzados”, lamenta o deputado, que alerta que “um veículo mal conduzido torna-se uma arma”. Segundo o parlamentar, multas e leis severas não resolvem o problema, e a melhor maneira para diminuir esses números é uma campanha educativa. “O fato é que a moto está matando nas ruas. É necessário que se faça uma campanha de educação, conscientização e organização no transito de Palmas”, acrescenta o deputado.

Welison Gomes Martins, de 23 anos, é uma das muitas vítimas de acidente com moto em Palmas. No último dia 06, Welison dirigia sua moto quando um motorista embriagado parou com seu carro, sem sinalizar, fechando o motociclista. O motorista embriagado, diga-se de passagem, seria parente de uma grande autoridade política de Palmas. Ao ser socorrido pela Unidade Móvel do SAMU, em direção ao Hospital Geral de Palmas, Welison foi vítima novamente de outro acidente envolvendo a ambulância e um automóvel. Do primeiro acidente, o motociclista teve três fraturas na perna direita e foi submetido à cirurgia. Welison é um dos pacientes que está em recuperação em um dos leitos do HGP. Seu acompanhante no hospital, Francisco da Costa Gomes, de 29 anos, já sofreu sete acidentes de moto em Palmas. Dois deles em seis meses.

 

Tolerância Zero

O presidente da Assembléia Legislativa, Carlos Henrique Gaguim (PMDB), com base no requerimento do deputado Paulo Roberto, apresentou na última semana no plenário da AL, a campanha “Tolerância Zero no Trânsito”, que deve acontecer a partir de janeiro de 2009, com ações que incluem mobilização popular nas ruas, palestras educativas, blitzens preventivas e distribuição de material educativo. “Todo o Parlamento vai se mobilizar: deputados e servidores. Vamos envolver instituições e todos os segmentos da sociedade organizada nessas ações. A situação do nosso trânsito é alarmante e já atingiu o estado de calamidade pública. Precisamos enfrentar o problema com todo o rigor”, alerta Gaguim.

 

 

Acidentes com motos foram os que mais cresceram no país

Os óbitos por acidentes envolvendo motociclistas cresceram vertiginosamente no Brasil de 1990 a 2006. Se em 1990 ocorreram 299 mortes com acidentes envolvendo motos, em 2006 esse número subiu para 6.734, o que representa um crescimento de 2.252%. “A moto tornou-se uma opção muito interessante diante dos congestionamentos, além disso, ela é um meio de trabalho para muita gente. O fato de ser mais barata que automóvel e poder ser financiada por períodos longos também contribui para o aumento da frota“, explica Marli Silva Montenegro, autora do estudo ‘Tendência de Acidentes de Transporte Terrestre segundo porte populacional dos municípios do Brasil, 1990 a 2006’, que trabalha na Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

O índice de óbitos por acidentes com moto subiu de 0,01/100 mil hab em 1990, para 4,6/100 mil hab em 2006 nas cidades com menor porte populacional (até 20 mil habitantes). Nas cidades com maior porte populacional (acima de 500 mil habitantes), esse índice aumentou de 0,2/100mil habitantes em 1990 para 2,6/100 mil habitantes em 2006.

Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde mostram que, em relação a óbitos em decorrência de acidentes de transporte terrestre, esse tipo de veículo está em quarto lugar. Os acidentes de transporte terrestre são a segunda causa de morte por causas externas, correspondendo a 28%. “A conseqüência disso são altos custos para a sociedade, impactos sociais e psicológicos para suas vítimas e familiares”, diz Marli.

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