Monday, 18 de November de 2019

ESTADO


Araguaína

Festival da Abolição apresenta diversidade artística sobre trabalho

03 Jun 2008

Sob o lema “Liberdade, vem e canta!”, o Festival da Abolição – Semana da Terra Padre Josimo mostrou, na semana passada, em Araguaína, diferentes manifestações artísticas sobre o trabalho escravo contemporâneo. O festival aconteceu entre os dias 07 e 16 de maio e reuniu artistas, escritores, professores, estudantes e os demais militantes que combatem o trabalho escravo na região.

A iniciativa é da CPT - Comissão Pastoral da Terra, Repórter Brasil, Centro de Direitos Humanos de Araguaína e Pastoral da Juventude Rural. O objetivo foi apresentar as iniciativas positivas do Tocantins no combate e na prevenção ao trabalho escravo e, ao mesmo tempo, propor uma reflexão sobre o problema.

De acordo com Frei Xavier Plassat, que coordena a Campanha Nacional da CPT contra o trabalho escravo, foi escolhida essa data por que nela são lembrados dois fatos importantes: o assassinato do Padre Josimo (10 de maio 1986) e a assinatura da Lei Áurea (13 de maio de 1888).

Segundo ele, o Brasil não é um campeão no combate ao trabalho escravo, como sempre anunciam. “A cada ano, se libertam cerca de 5.000 trabalhadores na condição de escravos, e o Tocantins figura em 2º lugar no ranking”, informou o Frei, dizendo ainda que, a cada ano, 25 mil brasileiros são escravizados.

Para Frei Xavier, o festival aconteceu para mostrar à sociedade que há pessoas se mobilizando no combate a essa condição de trabalho, como também multiplicar iniciativas entre as entidades sociais. Para ele, o processo inicial do festival teve que propor uma seleção das obras apresentadas, visto que um total de 60 grupos apresentaram obras produzidas retratando a prática de trabalho escravo. Por esse motivo, afirmou que os trabalhos foram apresentados em escolas por meio de exposições.

“Nosso objetivo foi também de somar iniciativas das demais entidades”, justificou. Durante a programação do festival, foram mostrados vários filmes que retratam a abolição, além da Marcha da Abolição, que percorreu ruas do centro da cidade. No festival, houve ainda o lançamento do livro da escritora Binka Lê Breton, que retrata a trajetória da missionária americana Dorothy Stang, assassinada em Anapu, no Pará.

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