Wednesday, 28 de October de 2020

GERAL


A era da emoção

27 Aug 2008

Sem esperança, sem projetos e sem perspectivas de ação a serviço de uma utopia ou luta, os homens encontraram na vida emocional o remédio para suas aflições. Na impossibilidade de agir, a emoção ganha força.

Na nossa era, a emoção tornou-se objeto de marketing cujo impacto é cuidadosamente calculado pelos "donos" do nosso lazer, alterando horror, surpresa, tristeza, indignação, alívio, compaixão, lágrimas e uso num jogo de contraste que nos mantém em suspense. Os homens preferem que suas almas sejam remexidas por todas as vibrações do mundo. Por um lado, essas vibrações atenuam os excessos do racionalismo, por outro lado, orienta a sensibilidade pelo caminho da unilateralidade.

A emoção significa uma "tempestade afetiva", uma perturbação momentânea e bastante violenta, às vezes concernente à consciência e ao corpo simultaneamente. O medo, a cólera, a angústia, a vergonha são emoções. A emoção sob uma forma brutal característica, "a emoção - choque", traduz-se por uma brusca perturbação das representações mentais e do equilíbrio orgânico. O ser emocionado não mais se pertence, ele fica, ao pé da letra, "fora de si".

A emoção é, pois, compreensível a partir do sistema de valores do sujeito emocionado. O fato emocionante é aquele que tem, face às nossas tendências, a significação de uma ameaça ou de uma promessa. Mas se a emoção é um sinal carregado de significação, como se explica que nos adapte tão mal à situação cuja importância ela parece ter por função ressaltar? Ficamos muito emocionados no dia de um concurso porque essa prova é decisiva para o nosso futuro. Mas precisamente - esse é o paradoxo da emoção - a perturbação que sentimos está bem longe de nos ajudar nessa tarefa. Longe de ser um fator de sucesso, ela pode entravar nossa ação: nosso insucesso será tanto maior quanto mais intensamente emocionados estivermos. Do mesmo modo, o soldado mais assustado não é aquele que tem melhor oportunidade de sair são e salvo do perigo.

Infelizmente, alguns autores, no entanto, erradamente, insistiram em ressaltar a utilidade, a finalidade das reações emotivas. Para Darwin, por exemplo, se a emoção foi conservada pela seleção natural é precisamente por causa de sua utilidade. Segundo ele, o animal emocionado, cujo pêlo se eriça, parece mais perigoso ao adversário. Na cólera, o lábio superior se levanta e o animal irritado encontra-se pronto para morder. Darwin chega, inclusive, a dizer que, no medo intenso, o relaxamento dos esfíncteres produzindo micção e defecação involuntárias tem um papel biológico: o animal aliviado fica mais leve para o combate e mais apto para fugir!

Esses argumentos são fracos e longe de serem decisivos. Pois, freqüentemente as reações emotivas impedem-nos de agir e são contrárias às necessidades e aos interesses do ser vivo. O pânico, por exemplo, nem sempre favorece a fuga, mas, às vezes, imobiliza o indivíduo. Os movimentos desordenados da emoção, de um modo geral, provocam antes uma derrota do que uma segurança na adaptação do ser vivo. As batidas precipitadas do coração, o tremor das mãos são obstáculos a toda ação eficaz. A emoção é uma desordem, um desequilíbrio, o indício de um fracasso e não o princípio de uma adaptação instintiva. A emoção não tem, verdadeiramente, o caráter finalista do instinto. No máximo ela é um fracasso do instinto. A emoção é desreguladora. Ela faz com que fracassem as técnicas de defesa. O ser vivo emocionado não mais responde aos estímulos por meio de comportamentos adaptados, mas por meio de condutas inferiores que o fazem cair abaixo de si mesmo. Portanto, é necessário um controle de si.

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