Sunday, 08 de December de 2019

GERAL


A essência da velhice

22 Jun 2010

José  João Neves Barbosa Vicente

josebvicente@bol.com.br  
              

           

De um modo geral, as pessoas não gostam de falar sobre a velhice, afirmam quase sempre que têm pavor. No entanto, algumas palavras são necessárias e, para começar, cito Comte-Sponville em sua obra Une éducation philosophique: “A velhice é essa última palavra de viver, de que somente uma  morte prematura pode nos poupar”.

Por causa da sua imagem e da idéia comum de ver a morte como a sua companheira inseparável, a velhice é temida e evita-se falar sobre ela. Ora, é necessário tratá-la sem ilusão e sem pintura, como algo natural, parte inseparável da vida. Ninguém deve negar, por exemplo, que chegará um dia, que mesmo sendo saudável, o tronco e as pernas deixarão de obedecer a vontade do homem. Seu corpo cheio de frescor e muitas vezes de sensações agradáveis, ficará cansado, tremendo, vagaroso, desajeitado e se deteriorando. Nesse “estagio”, o homem se apavora com qualquer coisa e tudo o cansa, em alguns casos,  ele precisa de ajuda até mesmo para resolver suas necessidades básicas. É a velhice. Uma experiÍ ncia que os homens insistem em resistir, mas sem sucesso. Apenas escapa dela quem morre jovem. Se para muitas pessoas, a juventude representa vigor, progresso, esperança e otimismo, a velhice representa o contrário de vigor, do progresso, da esperança e do otimismo. No fundo, é como disse Goethe citado por Arendt em sua obra Between pst and future, “envelhecer é o gradativo retirar-se do mundo das aparências". A velhice altera a forma como se sente a vida.

O jovem não consegue se identificar com o velho. Ou melhor, ele resiste à idéia do seu próprio envelhecimento. Apesar de Morin em O metodo5 ter declarado que “cada idade possui as suas verdades, as suas experiências, os seus segredos”, uma coisa é certa, a sensação “talvez  eu fique velho um dia” pode estar totalmente ausente no jovem. Mas,  um dia, a sensação de “durar para sempre” desfalecerá;  o sonho “de conquistar o mundo” ficará embaçado; a poltrona e a cama serão os locais da diversão; as paixões, os desejos e as chamas do coração congelarão  e o seu maior projeto será morrer e ter um enterro digno. O homem  deve perceber o significado da vida cedo, pois a velhice brevemente o abraçará.  E como disse Sêneca em Da tranqÿilidade da alma, “nada é mais desonroso do que um homem velho, vergado pelos anos, sem outra prova de que viveu a não ser a da sua idade”.

Afirmações como: “velho significa experiência”; “velho tem sabedoria”; “velhice é a melhor fase da vida”; “quanto mais velho, mais sábio”; “é velho mais está em forma”, etc., significam, no fundo, a não aceitação da velhice, afinal, velho é velho. Um ser “prudente” que, em vez de se preocupar com conceitos e abstrações, prefere afetos. A velhice  não precisa ser mascarada para aparentar ser aquilo que não é. Ela não deve ser entendida como algo vergonhoso. Ela é, naturalmente, quer seja dita de uma forma simples ou primorosa a porta de saída que conduz para o fim natural da existência física. Descrever a velhice na sua essência, sem máscara e sem ilusão, não significa entendê-la ou pretender apresentá-la como sendo uma fase medíocre da vida, mas como um objetivo da existência que deve ser perseguido por todos.

Afirmei, portanto, no inicio, que a idéia da velhice, por estar  comumente associada à idéia da morte, ela é muitas vezes tratada com receio. Ou como disse Cícero em seu livro Saber envelhecer, as pessoas pensam a velhice como uma fase de vida detestável devido a quatro razões: 1. afastamento da vida ativa; 2. enfraquecimento do corpo; 3. privação dos “melhores” prazeres e 4. aproximação da morte. Porém, não se deve esquecer que se ensina todos os dias que o belo é “jovem”.  Não se deve esquecer, também, que o nosso mundo é caracterizado pelo consumo e o homem é visto como um ser produtivo. Assim quando ele não consegu e mais produzir, é visto como um fardo que dolorosamente “deverá” ser carregado pela família ou pelo Estado. Ora, é necessário esclarecer todos os dias o significado da velhice. Dizer incessantemente, que ela não é a fase triste da vida, mas parte da vida; que ela não deve ser temida, mas desejada e que não se deve esquivar-se dela, mas que ela deve ser perseguida. As pessoas precisam ser educadas para a velhice para que possam encarar esse assunto como algo natural.

COMPARTILHE:


Confira também:


COP 25

Agenda do Estado na COP 25 busca investimentos para a estratégia Tocantins 20-40 e para o programa Pátria Amada Mirim

Reuniões com investidores europeus e participação ativa na Amazon-Madrid também estão no cronograma

Câmara

Damaso integra comissão especial que irá debater PEC da 2ª instância

A Constituição estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Atualmente, o trânsito em julgado ocorre depois do julgamento de recursos aos tribunais superiores


CGE

Controladoria e parceiros realizam evento em alusão ao Dia Internacional Contra a Corrupção nesta segunda, 9

Programação contará com premiação de vencedora da rede estadual do Concurso de Desenho e Redação da CGU sobre o mesmo tema.


Carlesse

Carlesse participa da troca de comando no Corpo de Bombeiros e destaca importância de uma mulher assumir o 1º Batalhão

Tenente-coronel Andreya de Fátima Bueno é a primeira mulher a assumir o posto de comando de batalhão no Estado


Palmas

Arte leva esperança e tranquilidade aos pacientes do HGP


Infraestrutura

Governo realiza recuperação de pontos críticos da TO-239 entre Itacajá e Itapiratins


Região central

Polícia Civil conclui investigações sobre estupro de vulnerável em Miranorte


Solidariedade

Governo atende mais de 30 aldeias indígenas no Tocantins com o Criança Feliz


Capital por um dia

Governador anuncia implantação de Colégio Cívico-Militar em Miracema


"Salve Maria"

Modelo do aplicativo “Salve Maria” poderá ser implantando no TO



  Blogs & Colunas



Entre nós

Virgínia Gama


Arquitetura & Design

Riquinelson Luz


Vida Plena

Valquiria Moreira


As Tocantinas

Célio Pedreira