Thursday, 18 de July de 2019

GERAL


Breves palavras sobre educação escolar

06 Jul 2010

Por José João Neves Barbosa Vicente

josebvicente@bol.com.br

Lewis, em seu livro A abolição do homem disse que “a educação antiga era uma espécie de propagação – homens transmitindo a humanidade para outros homens; a nova é apenas propaganda”. Diante disso, deixo aqui, algumas palavras sobre a educação escolar, mas de forma breve.

Desde os primeiros tempos e modos de vida, sempre existiu interesse pela educação. Na família, na tribo, no clã, nas sinagogas ou em grupo maior, a educação sempre tinha como objetivo permitir que as pessoas aprendessem  a viver no mundo em que se encontravam. Esse viver significava, fundamentalmente, a partir do indivíduo, compreender, cuidar, preservar, respeitar e melhorar constantemente o mundo. O lema fundamental era a busca do conhecimento para melhor viver. A educação era, portanto, o despertar para o conhecimento e felicidade humana.

Hoje, de um modo geral, a palavra educação está ligada à idéia de escola. Porém, a denominada “educação” escolar está assassinando o sentido da educação. Os “mestres” vergonhosamente proporcionam aos seus alunos uma base de  obediência e superficialidade. Essa postura é acompanhada de proibição e julgamento por parte desses “mestres” que sempre estão certos, enquanto o aluno apenas acerta de vez em quando o que eles consideram certo: concordar com eles significa aprendizado e conhecimento, discordar  deles, falar diferente, recusar os seus autores ou doutrinadores como inviáveis, ou expressar pensamento  próprio, são atitudes que significam falta de aprendizad o e de conhecimento.   

A escola precisa ser o lugar por excelência onde se proporciona o pensar; o professor precisa, naturalmente, ser pesquisador, pensador e produtor de idéias que estimulem a imaginação dos seus alunos para que eles possam buscar conhecimento e não simplesmente o diploma. Não basta dizê-los, simplesmente, como as coisas são, mas, permiti-los, também, a sempre levantar a  questão  de até que ponto elas poderiam ser, ou poderiam ter sido diferentes; no âmbito de uma área especifica, permiti-los  sempre relacionar esta área a outras; não basta, também, dizê-los que este assunto é importante, mas proporcionar-lhes alguma idéia de como tal assunto surgiu e quais assuntos alternativos poderiam ter surgido. Em poucas palavras, é fundamental que os alunos sejam estimulados a se distanciarem de suas matérias, mesmo enquanto as estiverem estudando, a fim de adotarem uma atitude crítica, analítica e histórica perante o que quer que lhes seja ensinado.

Para muitos professores, uma aula consiste, simplesmente, em transcrever um conteúdo do livro para o quadro, para posteriormente repeti-lo. Outros fazem da sala de aula um lugar de leitura dos trabalhos de alguns autores e tentam compreender seus argumentos. Desta forma, existe a tentação de ensinar o que um autor disse, reduzindo-se o conteúdo a um resumo manejável capaz de ser memorizado, omitindo-se quaisquer considerações acerca do porquê ele disse ou o que ele queria dizer precisamente. Assim, o resumo é uma tentação permanente na “educação” – uma coleção de questões interessantes que criam tipos diferentes de superficialidades. Quanto menos estreitos forem os limites nos quais as capacidades críticas de um aluno estiverem confinadas dentro da s fronteiras de um único conjunto de conceitos ou procedimentos, mais facilmente ele será capaz de se adaptar à vida ao sair de uma instituição de ensino e mais livre sua imaginação irá se tornar. É fundamental, que, no aluno, permaneça a “faculdade” para aprender e assimilar princípios intelectuais que possam ser aplicados e reaplicados em diferentes circunstâncias.

Uma escola deve, naturalmente, proporcionar o gosto pelo questionamento, mesmo sabendo que é uma tarefa difícil e pouco valorizada em uma sociedade como a nossa, tão convencida quanto ao primado do material sobre o espiritual. Ela deve iluminar a multidão, produzir conceitos e colocá-los em questão. Deve  ser vigilante, denunciar os crimes de todos os poderes, atacar incisivamente todas as injustiças e os egoísmos, estimular a imaginação de todos, alimentar as esperanças e questionar sem descanso sua época. Mas, para isso, ela precisa de professores que vêem esta missão como algo natural e não como uma obrigação.

O aluno precisa ser despertado para interrogar seu próprio pensamento, o pensamento dos outros, o mundo, a sociedade e o que a experiência o ensina. Não se deve ensiná-lo a ver ou a aceitar autores como modelos de juízos, mas, permiti-lo fazer juízo sobre eles e até mesmo contra eles. A escola tem por dever, permitir a cada aluno encontrar seu estilo, ser ele mesmo, para além das normas prontas e acabadas e dos lugares comuns, para que ele possa combater, constantemente, as ilusões, os preconceitos, as ideologias, as tolices, os fanatismos e o obscurantismo.

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