Saturday, 05 de December de 2020

GERAL


Economia

Começa boicote aos alimentos caros

18 Jul 2008

Os proprietários de supermercados de Palmas já começam a registrar quedas sucessivas e mensais nas vendas de vários alimentos que vêm registrando alta significativa nos últimos meses.

A crise, que é mundial, vem elevando de forma constante o preço dos produtos nas prateleiras. Isso acontece porque todo o setor da indústria reajustou os valores dos alimentos vendidos. A situação está fazendo o governo rever a meta de inflação para o ano de 2008.

Enquanto tudo isso acontece, os salários dos trabalhadores continuam os mesmo, fazendo, portanto, com que a diminuição do poder aquisitivo se torne gradativa. Assim, os supermercados começam a ser prejudicados diretamente.

O jornal informativo da Câmara de Dirigentes Logistas, O Lojista, fez recentemente um levantamento com quatro estabelecimentos do setor. Todos foram unânimes em mostrar que estão apreensivos. A redução nas vendas vem se acentuando. Os prejuízos começam a ser acumulados e, pelo menos a curto prazo, não há uma solução efetiva que possa ser deslumbrada.

 

Supermercado Vitória

Estabelecimento situado na quadra 1.004 Sul, o Supermercado Vitória sofre com a crise. O aumento de preços, naquele local, foi mais agudo nos produtos da cesta básica e nas carnes. No último mês, a queda das vendas chegou a 5% do faturamento.

“Todo mundo está muito preocupado. Eu estou preocupada não só como comerciante, mas também como consumidora. O arroz não pára de subir e a gente fica pensando como as pessoas que estão desempregadas em Palmas estão fazendo”, ponderou a gerente do supermercado, Joelma Lopes de Paiva.

A empresária, que tem três funcionários no Supermercado Vitória, espera que haja uma paralisação nesse aumento de preços dos alimentos.

 

Supermercado Real

Do outro lado do Plano Piloto de Palmas, na quadra 103 Norte, a situação não é diferente. Gerente do Supermercado Real, Antônio Bueno de Morais credita boa parte da culpa da crise aos próprios produtores rurais.

Segundo ele, os agricultores (e pecuaristas em alguns casos) armazenam os produtos colhidos mais do que o tempo necessário para aproveitar a especulação mundial da crise e, por conseguinte, conseguir aumentar o valor de mercado de suas plantações. Com 16 colaboradores, o Supermercado Real vem sendo obrigado a reajustar, sucessivamente, os preços do arroz e do feijão.

Muitos outros produtos tiveram um acréscimo de preço que varia de 8% a 12%. Claro que, com o consumidor sendo obrigado a pagar mais caro por aquilo que consome, o prejuízo é inevitável. O empresário estima que, nesses últimos três meses, tenha havido uma redução de faturamento de 10% a 15%, em comparação ao mesmo período do ano passado.

 

Quartetto

Um dos maiores e mais tradicionais supermercados de Palmas, o Quartetto, localizado no Palmas Shopping, também sofre com a crise. A proprietária do estabelecimento, Maria Fátima de Jesus, citou vários produtos que tiveram aumento nesse período. Ela destacou como os mais relevantes o arroz, a carne, o óleo, o macarrão, o trigo e o feijão.

Para piorar, os hortifrutigranjeiros também tiveram acréscimos nos preços. A maior parte das compras do Quaratetto é de São Paulo. Porém, tanto o mercado paulista quanto o tocantinense vêm se socorrendo de Goiânia para suprir a falta de produtos nas prateleiras.

Alguns itens subiram mais de 25%. O grande vilão da história, pelo menos até agora, parece ser o arroz. Em pouco meses, a elevação no preço foi de mais de R$ 4 na embalagem de dez quilos. Em alguns casos, o arroz subiu mais de 50%.

Maria Fátima salientou que a situação é “de preocupação geral”. Ela frisou que não houve uma diminuição de gastos do consumidor, mas os clientes estão levando menos produtos. Para ela, o Governo Federal, dentro do possível, precisa tomar medidas para estimular a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, conter a inflação. Ela destacou que o lado social da crise é muito grave, em especial pelo risco de pessoas terem muita dificuldade para manter a alimentação diária.

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