Thursday, 12 de December de 2019

GERAL


Educação e liberdade

03 Dec 2008

Ministrar um "verdadeiro ensino" nas escolas, ou melhor, educar, não significa impor aos alunos o que eles devem apreender.

A escola deve sempre funcionar, necessariamente, como um espaço livre capaz de proporcionar ao aluno a condição para pensar, e nunca como um lugar onde esse simplesmente obedece e o mestre tem sempre razão.

É lamentável como os "doutores" tratam os seus alunos. Esses estão sempre certos, estes de vez em quando acertam o que eles querem. E, se arriscarem pronunciar o próprio pensamento, são logo interrogados pelos "doutores": "quem é você para dizer tal coisa ou para pensar dessa maneira?" "Qual é o seu título?"...

Ora, é necessário entender que, educar uma pessoa é, acima de tudo, educá-la em direção ao homem, ou melhor, elevá-la em direção à verdadeira idéia do homem, cuja função essencial é pensar. Será que esses "doutores", que infelizmente são meus colegas de Universidade, não lêem mais os clássicos, não lêem mais o passado? Esqueceram, por exemplo, que, em Roma, o pai legitimava o filho no dia do dies lustricus, levantando-o do chão (tollere filium) e segurando-o no alto; ele marcava, com esse gesto público, sua intenção de educá-lo para fazer dele um homem. Porém, quando o princípio da educação é levado pelo lado de obediência e autoritarismo, o aluno é enclausurado e mutilado, o pensamento é arruinado e o princípio universal da escola é destruído.

Se alguém ainda pretende salvar o homem, evitar que ele sucumba, é necessário acostumá-lo bem cedo a submeter-se às prescrições da razão. O aluno não entra numa escola para ser domado, treinado ou instruído mecanicamente, a prioridade deve ser sempre aprender a pensar. A escola precisa eliminar a idéia do professor emissor que codifica uma mensagem e o aluno receptor que decodifica a mensagem, onde o conhecimento não é um saber dotado de significação substancial, e, sim uma informação ligada a um fluxo máximo transmitido pelo canal de comunicação, e o ensino não é um esforço de pensamento crítico, e, sim uma soma indeterminada de informações de que é preciso apoderar-se. Digo mais: não apenas eliminar tal idéia, mas afastar da escola aqueles "doutores" retrógrados que pensam e agem dessa maneira - os inimigos da educação.

É por isso que o aluno fica mudo na sala de aula. Ele foi reduzido a um sujeito-receptor de informações definidas em termos formais, sem a menor alusão aos conhecimentos reais que ele poderia adquirir, ao espírito crítico que deveria desenvolver e ao exercício pessoal de um pensamento que se encontra preso sob uma avalancha de siglas hipostasiadas, qualificadas de convenções gráficas, conceitos sistêmicos ou estenografia de sistema de relações lógicas, numa rede complexa de estruturas definidas por proposições de diferentes graus de abstração, cuja violência é menos simbólica que real.

Infelizmente, parece que o pensamento, que exige do homem a excelência da criação, não é mais reconhecido como um valor no mundo social da produção. Os fins específicos da educação foram encobertos pelos interesses do Estado, da sociedade e da ciência. Todavia, é imprescindível lembrarmos sempre, e em qualquer lugar onde estivermos, não importa a situação, que o homem possui uma disposição eterna para atualizar o infinito do possível, o que nada mais é, no começo de cada uma de suas ações, que tomar consciência de sua liberdade.

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