Tuesday, 01 de December de 2020

GERAL


Em nome de Deus: A morte de Saramago e o Twitter de Marina Silva

30 Jun 2010

Por Tiago Pereira

tiago_pereira_@hotmail.com

 

No último dia 18, Copa à parte, o mundo ficou bem mais triste. Perdemos José Saramago, Nobel de Literatura e um dos mais incríveis homens. Seus escritos, num estilo bastante peculiar, conseguem ser, ao mesmo tempo, clássicos e modernos. Um gênio, equiparável aos grandes de todos os tempos, e para o nosso século, possivelmente o mais importante escritor. Apelava à reflexão. Não se furtava perante as grandes questões do nosso tempo. Um militante. A consciência crítica da esquerda mundial. Merecedor de todas as homenagens. Deixa saudade e um legado fantástico. Seu único pecado: a descrença em Deus.

No Twitter, a nova coqueluche da internet, comoveram as mensagens de pesar. Dado o seu histórico de engajamento político e o clima eleitoral entre nós, os principais candidatos, que fazem uso da ferramenta virtual, emitiram suas impressões e condolências. As esquerdas tupiniquins prestavam homenagem. A língua, além de sonhos e princípios, nos unia.

Eis que, no auge da comoção, fomos surpreendidos por mensagens enviesadas da candidata Marina Silva, do PV. “Morre José Saramago. O mundo perde um grande escritor e os países da língua portuguesa, o nosso primeiro prêmio Nobel.” Na seqüência, o microblog de Marina replicou a mensagem de @wvmedeiros; para ele o escritor “não respeita a fé alheia”. “Grande escritor é muito subjetivo. Alguém que não RESPEITA a fé alheia não é exatamente um GRANDE escritor.” A mensagem de @iara_meirelles, também replicada pela candidata, ou sua assessoria, continha o seguinte comentário: “Como podemos lamentar a morte uma pessoa que blasfemou contra Deus a vida toda?”.

Reza a etiqueta do Twitter que quem replica, por conseqüência, endossa. Pegou mal. Em seguida, a assessoria tratou de fazer o “abafa”, alegando que a candidata não concordava com os posicionamentos apresentados. Não engoli. Ao menos, fica patente que certos grupos religiosos radicais se aproximam da candidata. Não é exclusividade dela, mas agrega com mais força, por também professar do credo evangélico - talvez injusta generalização, mas são, sempre, os mais radicais. Pintados de verdes, se disfarçam de modernos.
 
O que o episódio também deixa claro é o processo manco de separação entre política e religião. Um mal que deve ser combatido. Política diz respeito aos homens, não a Deus. Os que fazem uso disso, via de regra estão imbuídos de maus propósitos. E a receita explosiva pode ser comprovada ao longo de toda a história. Quando os mundos da política e da religião se tocam, via de regra, jorra sangue.
 
No Brasil, devemos manter a vigilância e conservar o legado de tolerância religiosa. E os evangélicos, mais radicais, precisam entender de uma vez por todas que sua condição de “eleitos” não interessa a quem não professa da mesma fé e que religião não deve ser critério para se votar ou não em alguém. Que respeitem não só católicos, mas umbandistas, budistas e ateus. O ateísmo, que causa desconforto aos crentes, não é uma afronta, e via de regra, tal posicionamento apresenta-se fortemente embasado em outros princípios e reflexões.
 
Fica o ensinamento de mais de três séculos, do filósofo inglês Thomas Hobbes, temente a Deus. Segundo ele, grosso modo, o homem é movido por paixões, e por elas, capaz de tudo fazer. No seu entendimento, a maior das paixões seria justamente a religiosa, logo, a mais perigosa. Para tanto, dada a pluralidade de crenças, para que a sociedade coloque-se em pé e viva com o mínimo de harmonia, limites devem ser respeitados. A religião não deve invadir a esfera pública, deve ficar restrita aos espaços privados, locais de cultos e residências. Na rua, não. No Twitter, não. Na política, muito menos.

COMPARTILHE:


Confira também:


HIV/AIDS

Secretaria da Saúde alerta para a prevenção e combate a AIDS

Uso do preservativo e a realização dos exames previnem e proporcionam diagnóstico precoce da doença

Interior

Prefeitura de Miracema do Tocantins divulga resultado dos Editais da Lei Aldir Blanc

A primeira fase contemplou artistas e fazedores da cultura, sendo músicos, artesãos, culinária artesanal, grupos de capoeira, empresa de eventos, associações culturais, grupo junino, entre outros segmentos culturais que romperam suas atividades


Meio Ambiente

Governo do Estado inicia o plantio de mudas no Parque Estadual do Lajeado em parceria com a ONG 8 Billion Trees

O objetivo é recuperar uma área de aproximadamente 30 hectares com o plantio de 30 mil mudas de espécies nativas do Cerrado


Campo

Com articulação do Ruraltins, produtores quitam passivo financeiro com Banco da Amazônia e garantem acesso à nova linha de crédito

Expectativa do mutirão para toda a região sudeste é viabilizar mais de R$ 12 milhões em projetos de crédito rural


Região central

Polícia Civil desarticula ponto de venda de drogas e prende dois suspeitos por tráfico em Miracema


Reunião

Escolas do Legislativo Estadual e da Câmara Municipal de Paraíso se reúnem em Palmas


Palmas

Decoração natalina na Capital ajuda a impulsionar a economia durante festividades do fim de ano


Aleto

Ayres se reúne com o Governo e representantes sindicais para debater reforma previdenciária


Serviço

Governo do Tocantins qualifica Parque Agrotecnológico e mais quatro projetos para o Programa de Parcerias de Investimentos


Ocorrência

Operação Borduna da Polícia Civil resgata 83 cartões do Bolsa Família e 51 de contas particulares e outros benefícios



  Blogs & Colunas



Entre nós

Virgínia Gama


Arquitetura & Design

Riquinelson Luz


Vida Plena

Valquiria Moreira


As Tocantinas

Célio Pedreira