Wednesday, 17 de July de 2019

GERAL


Ilha do Bananal

Ilha fluvial é cercada pelo fogo

01 Sep 2010

Já se foram cerca de 860 hectares. Algo em torno de 48% da Ilha do Bananal (1.916.225 ha) foram consumidos pelo fogo que ainda persiste, apesar da atuação de 200 homens – brigadistas, militares e indígenas. Além deste incêndio, 50%, ou 250 mil ha do Parque Nacional do Araguaia – PNA (que compreende o Cantão e um quarto da Ilha do Bananal) estão sapecados. E os números não param: 66% do Parque Estadual do Lageado e 65 mil ha do Corredor Ecológico do Jalapão (Parque Estadual Serra Geral) também estão destruídos pelas chamas.

Os incêndios por todo o Estado continuam, e a situação é a mesma: o fogo alastra-se em uma velocidade impressionante, destruindo ecossistemas, matando animais e aniquilando a biodiversidade. O Tocantins compõem a lista dos estados que mais sofrem com as queimadas, ao lado de Mato Grosso, Pará e Rondônia e agora Minas Gerais. Por conta do incêndio que atingiu a Serra da Canastra, dois aviões lançadores de água que atuavam no PNA foram deslocados pelo Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMBio), e estão atuando nas nascentes do Rio São Francisco.

“A situação em Minas Gerais está mais preocupante. Nosso combate agora é na terra”, explica o superintendente do Ibama regional, Joaquim Henrique Mouro, lembrando que o Ibama deixou um helicóptero na ilha.


Santuário destruído
De todos estes, o grande incêndio na Ilha do Bananal é o que mais chama a atenção, não só pelo tamanho da área atingida, mas pela destruição de uma riqueza que nem mesmo chegou a ser conhecida pela ciência, conforme afirmam pesquisadores.
Considerado um dos mais importantes santuários ecológicos do Brasil, a ilha fica as margem do grande rio Araguaia, terra dos índios Karajá e Javaé e é conhecida internacionalmente por ser uma zona de écotono (ver box), entre o Cerrado e a Amazônia.

O verde que é berço de fauna e flora impressionantes, cede lugar a cinzas e a terra seca e árida.  “Descobrimos na nossa última pesquisa uma espécies de rã até então desconhecida. Existem espécies que são próprias dessa biodiversidade de transição, e que não se encontra em nenhum outro lugar”, lamenta a professora e doutora em avaliação de impactos ambientais e recuperação de áreas degradadas da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Iracy Martis, que há 15 anos estuda o PNA.

Criado em 1959, o PNA protege uma importante amostra das áreas inundáveis da planície do rio Araguaia, responsável pela reprodução de espécies aquáticas. Na região ocorre uma formação vegetacional exclusiva, denominada de ipuca.

 “Estes fragmentos florestais (ipucas) que ocorrem no cerrado são extremamente peculiares, que só se constituem nas planícies. Quando queimadas, dificilmente conseguimos recuperá-las”, lamenta a professora. Para ela, muitas espécies endêmicas poderão desaparecer. “Em conseqüência dessa transição, existem uma biodversidade muito própria do parque. É evidente que com devastação do fogo muitas que inclusive já estão em risco de extinção, como várias espécies de veados, podem desaparecer”, afirma a pesquisadora.

Recuperação
O chefe do Parque Nacional do Araguaia, Fernando Tizianel, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodversidade (ICMBio), conta que as áreas que possuem características do Cerrado tem uma rápida recuperação, enquanto que as formações amazônicas, por serem mais sensíveis aos impactos, receberão uma maior atenção. “ Hoje o incêndio já começou a atingir o interior da mata. Estamos desenvolvendo um estudo para a recuperação das áreas queimadas”, conta Tizianel.  
O superintendente do Ibama regional, Joaquim Henrique Mouro lamenta a quantidade de incêndios, mas confia numa recuperação natural. “A partir do momento que chove, já começa a brotar”, diz.

Para Iracy, é preciso a ação do homem na área afetada para que ela se recupere. “ Agora está tudo desequilibrado, e o mesmo homem que degradou deve ir lá plantar as primeiras espécies e acompanhar o seu crescimento”, explica.


O que são ecótonos
Os ecótonos são zonas de transição entre comunidades adjacentes que apresentam características próprias, atributos estruturais e funcionais. Na dependência do tipo de ecótono, suas funções básicas são servir como habitat para muitas espécies, manutenção da biodiversidade, modificação de fatores ambientais e acumulação/exportação de matéria orgânica

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