Tuesday, 22 de October de 2019

GERAL


Bicicleta

Mobilidade ecológica conquista adeptos

20 Jul 2010

Ecológica, econômica e saudável. A bicicleta é um item indispensável para quem está em busca de uma vida baseada no respeito à natureza e interligada a ações sustentáveis. Ela não emite carbono e não degrada o meio ambiente.

A redescoberta dessa antiga forma de se locomover está transformando o trânsito e os arcaicos conceitos de transporte, ainda que a pequenas pedaladas. As pessoas sensibilizadas com as transformações negativas do planeta não suportam mais a exploração exacerbada dos recursos naturais.

Os benefícios trazidos pela bike são muitos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), se as pessoas usassem mais a bicicleta poderia reduzir em até 50% o risco de doenças cardiovasculares, que são as que mais matam em todo o mundo. O uso também reduz o estresse, aumenta a concentração no trabalho e reduz as faltas por doença.

Em Palmas, existe há  um tempo uma turma firme no objetivo de difundir e incentivar o uso da bicicleta. Duas associações, Eco Bike e Calungas do Cerrado, reúnem pelo menos uma vez na semana os “bicicleteiros” interessados em fazer percursos pela Capital e em seu entorno, como a subida da serra e a volta ao lago.“Todas as terças fazemos uma pedalada na cidade e quinta vamos a Taquaruçu. É um condicionamento físico que você faz de graça”, brinca Jair Jr. Parriul, 46 anos, assessor de planejamento e professor universitário, da Eco Bike.

Depois da ida ao Jalapão no início do ano, as duas associações se unem aos Trilheiros do Cerrado, de Gurupi, e ao Estrondo Bike, de Paraíso, para empreitarem o projeto “1ª Travessia da Ilha do Bananal de Bike”. Além de maior ilha fluvial do mundo, o local escolhido pelos ciclistas é considerado um dos mais importantes santuários ecológicos do Brasil pela sua fauna e flora características tanto do cerrado quanto do pantanal.

“Este é um projeto que mostra que a bicicleta não é apenas um esporte, é uma prática sustentável de locomoção. Através desse ato é possível a igualdade social, pois todos os níveis podem utilizar esse veículo. Fazemos também uma divulgação da ecologia”, conta Jair. Segundo ele, na ilha, serão realizadas ações sociais com a comunidade, como palestras sobre saúde bucal, entre outras atividades assistencialistas.

A travessia da ilha durará  dois dias, e a trilha terá início no Rio Javaé. Serão percorridos 184 km, sendo 92 km em cada dia (ida e volta). Com paradas pré-definidas, os trilheiros passarão por aldeias e rios e dormirão uma noite na ilha. De acordo com os organizadores do evento, apenas 40 inscritos poderão fazer a trilha. Informações: (63) 8405-4800, com Jair.

Preparação
O músico Diego Brito pedala três vezes por semana e está se preparando para a travessia da Ilha do Bananal. Ele conta que já pedalou 230 km em um dia. “Foi uma viajem de 12 horas com destino a Natividade. Pedalar não exige muito, por isso cabe a todos”, incentiva. Porém, ele lembra que uma boa sessão de alongamento e equipamentos de segurança como luvas e capacete, carmanhola com água e refletores para pedaladas noturnas são essenciais.

A técnica em prótese dentária Jackeline Aparecida Xavier, 36 anos, aderiu à prática há seis meses e também fará a travessia. “Estou me preparando fisicamente”, conta Jackeline. “Hoje vejo o quanto pedalar me faz bem. Fico mais próxima da natureza e minha resistência física melhorou muito”, diz. Mas segundo ela, “o Tocantins é muito quente” para abrir mão de outros meios de transporte, como o carro. “Pela manhã é possível fazer algum percurso, mas à tarde não dá”, finaliza.  

Em companhia da praticidade
O estudante de Comunicação Social da Universidade Federal do Tocantins Rayllei Bandeira, 24 anos, investiu numa bicicleta “dobrável” para conciliar o sol quente com a vantagem de ter um transporte que lhe proporciona mais “independência” . “Não preciso pagar imposto e nem gastar com gasolina. Isso colabora com o meio ambiente, com a minha saúde e sem contar que a manutenção é barata”, explica Rayllei.

Ele diz que utiliza a bicicleta em horários “favoráveis”, e a guarda quando necessita de alguma carona ou pegar um ônibus. “Ela tem uma capa que a deixa parecida com um violão. Deixo-a guardada comigo no meu local de trabalho”, diz.

Além do modelo de alumínio ideal para pequenos percursos, o estudante também possui uma bicicleta apropriada para longas viagens. Com ela, ele já foi até Araguaína, e rodou o Estado visitando diversas aldeias. “Com a bicicleta tudo é mais fácil. Você pode passar por trilhas inusitadas e melhora muito o trânsito. Eu realmente não esperava tanta facilidade”, diverte-se. “Está é uma pequena tentativa de se ver livre da gasolina. Foi o que me incentivou”.  

Ciclovias
De acordo com a Agência de Trânsito, Transportes e Mobilidade (ATTM), Palmas possui hoje 12,5 quilômetros de ciclovias bidirecionais, com 2,5 metros de largura. “Os dados estatísticos de acidentes de trânsito com o envolvimento de ciclistas apontam trechos onde os riscos são maiores em função da demanda de ciclistas e do excesso de velocidade dos veículos. Ambos dividem perigosamente o mesmo espaço”, explica a arquiteta e urbanista, Joseísa Furtado, assessora de planejamento da ATTM.

Segundo ela, diante desses dados, o primeiro trecho contemplado pela ciclovia foi o da Avenida Teotônio Segurado, entre a ULBRA e a Avenida Araguaia, Aureny III (entrada do Aeroporto). “Nesse trecho (sentido Norte/Sul), foram construídos 3 quilômetros de ciclovia bidirecional, com 2,5 metros de largura”, detalha.

Conforme informações da ATTM, as obras, orçadas em R$ 1.750.000,00, cujo recurso foi captado do Ministério das Cidades, através dos programas: Pró-Mob e Pró-Município, em Convênio com a Caixa Econômica Federal, fazem parte do projeto Mobilidade Urbana Sustentável. “Temos um estudo que define uma malha viária de ciclovias e calçadas acessíveis para a cidade. Todos os trechos serão gradativamente interligados. É válido ressaltar que um novo trecho, também em obras (3ª etapa), em breve estará beneficiando outro público. Assim como vários trabalhadores utilizam a bicicleta como meio de transporte, os estudantes também. É o trecho da Avenida JK, entre as avenidas NS-01 e a NS-15 (acesso à UFT), sentido Leste/Oeste”, diz Joseísa. “É válido ressaltar que para todas as ciclovias está prevista a devida arborização ao longo dos trechos, de forma a proporcionar sombra e conforto aos ciclistas e pedestres de Palmas.

Para o ciclista Diego Brito, a infraestrutura nas ruas de Palmas ainda é precária. “Fizeram algumas faixas de concreto que disseram ser ciclovias, porém não tem sinalização alguma, dificultando bastante o trajeto. Não basta apenas fazer uma calçada e dizer que é ciclovia”, disse.

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