Wednesday, 11 de December de 2019

GERAL


O Ensino Médio Integrado: currículo e prática docente

03 Dec 2008

No primeiro texto sobre o Ensino Médio Integrado (publicado na edição 244), conversamos sobre a Concepção (sentido maior) da modalidade de Educação. Agora vamos apresentar algumas perspectivas de currículo e apresentar/sugerir algumas práticas/procedimentos ao trabalho docente.

Antes de quaisquer providências didático-metodológicas, um parêntese: entendemos que o acesso ao ensino médio integrado, via processo seletivo, deve priorizar, no instrumento seletivo (Edital), aos alunos egressos do ensino fundamental, a prática de uma redação contextualizada nos saberes apreendidos no ensino fundamental, e nas vivências-experiências socioculturais desses sujeitos em formação, a partir de uma determinada realidade sócio-cultural-espacial.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96)1  ressalta, no Art. 32, o objetivo do Ensino Fundamental como "a formação básica do cidadão, mediante: I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo. Portanto, não podemos dar continuidade, no Ensino Médio, à deficiência histórica na alfabetização de milhares de brasileiros. O Estado e a sociedade brasileira têm que encontrar outras soluções, mas o nível médio não pode perpetuar a lógica do "vamos aprovar sem saber escrever, ler/interpretar, calcular". A escola não pode entrar nesse círculo vicioso de paternalismo, de assumir a culpa de todos os problemas sociais. O analfabetismo é um problema do Brasil histórico e, por isso, deve ser articulado pelo Estado por meio de políticas públicas eficazes, que perpassem pelo viés político, pela gestão democrática séria, por um programa continuado de formação e valorização do profissional da educação.

Feito isso, voltemos então ao nosso propósito inicial. O conceito de currículo, segundo Sacristán (2000, p. 101)2 , é o "[...] objeto que cria em torno de si campos de ação diversos, nos quais múltiplos agentes e forças se expressam em sua configuração, incidindo sobre aspectos distintos". Nesse sentido, conforme o entendimento do autor, o currículo se constituirá como campo de atividades para múltiplos agentes (protagonistas das áreas de conhecimento) com competências divididas em proporção diversa, que agem através de mecanismos peculiares em cada caso.

Assim, o desafio de se construir uma proposta de formação integral que seja congruente entre a prática pedagógica escolar e a formação sócio-política do sujeito que aprende - para conviver e manter sua existência pela via produtiva (dimensão ontológica) - só pode ser construída no horizonte de um currículo como "[...] produto das interações sociais e materiais conflitantes forjadas nos embates políticos, econômicos e científicos, fundamentadas na convivência ética e no respeito às tradições culturais", Apple (2006, p. 139)3.

Dessa forma, uma teoria curricular de cunho integral será consubstanciada pela formação geral, técnica e política, de caráter metodológico interdisciplinar, no lastro do processo histórico, que inter-relaciona as particularidades/especificidades dos saberes, em termos científicos e escolares, aos pressupostos científicos e tecnológicos.

Por esse prisma, os fundamentos epistemológicos à formação integral devem ser problematizados a partir da pedagogia da interdisciplinaridade, "[...] compreendida como um método capaz de reunir o saber, delimitar as fronteiras dos conhecimentos e entender a complexidade do mundo" Santomé (1998, p. 44)4. Portanto, um trabalho interdisciplinar, que almeja expressar, na síntese, o real que é histórico, pois é material e social à construção do sujeito.

 

1 BRASIL – LDB, 9394/96

2 SACRISTÁN, J. Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. 3ª ed. – Porto Alegre: Artes Médicas Sul Ltda., 2000.

3 APPLE, Michael W. Ideologia e currículo. 3ª ed. – Porto Alegre: Artes Médicas Sul Ltda., 2006.

4 SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e interdisciplinaridade: o currículo integrado. Porto Alegre: Artes Médicas Sul Ltda., 1998.

Diante dos desafios enviesados na construção do currículo, no âmbito do Ensino Médio Integrado, apresentamos, como sugestão, alguns procedimentos didático-metodológicos ao trabalho docente:

1 - Planejamento inter-áreas, com foco nos pressupostos gerais e específicos de cada formação profissional, sem, contudo, esquecer das conexões históricas, socioeconômicas, políticas, culturais e éticas. Afinal, o sujeito que aprende, antes de tudo, será/ou não um cidadão, e, concomitantemente, poderá ser um excelente ou péssimo profissional. As dimensões humanas (indivíduo, pessoal, cidadão) não são separáveis, muito pelo contrário, somos seres inteiros. Claro que precisamos aprender para aprimorar nossas capacidades em potencial, construindo por meio delas nossas habilidades e, se possível, competências individuais e coletivas (exemplo: ministrar boas aulas, mediar uma boa aprendizagem, respectivamente).

2 - Participação no processo Institucional - o profissional da educação (professores, gestores, administradores, parceiros) é um sujeito sócio-político, portanto, deve participar nos processos democráticos que envolvem a Escola, a formação dos alunos, a gestão dos recursos públicos, o/no programa de formação e valorização, visando seu crescimento pessoal, profissional e de qualidade de vida.

3 - Integração/interação com os sujeitos externos (comunidade escolar, política - regional e global) - não podemos esquecer que, por natureza, somos sujeitos políticos, como disse Aristóteles (1973)  "homo politicus". Portanto, temos que intervir na realidade que nos cerca, buscando ultrapassar o jogo das aparências, o jogo do "faz de conta". Em outras palavras, é preciso ter um posicionamento atitudinal no palco das relações, no contexto de uma sociedade de classes como a nossa. Como disse Arendt (2001) , fazer política é tratar os diferentes como iguais. À Educação, o princípio ético não pode ser diferente.

Finalizando, acreditamos que à formação do sujeito do Ensino Médio Integrado, a nossa mediação educativa deve qualificar uma ação sobre a natureza criada, pela adaptação (condições naturais x necessidades humanas) e, ao mesmo tempo, determinar, por meio da atividade trabalho (não alienante), uma ação transformadora (SAVIANI, 1994 - grifo nosso) .

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