Sunday, 29 de March de 2020

GERAL


Gestão de C&T

O gerente modesto

23 Dec 2014

Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)


A modéstia é o oposto da vaidade. Na verdade, é vaidade nenhuma. O gerente que alcançou o nível evolutivo da modéstia real conseguiu expungir, eliminar de si todo e qualquer resquício de vaidade. Essa posição lhe permite conduzir seus atos, sentimentos e pensamentos voltados exclusivamente para seus deveres, suas responsabilidades. Aparentemente insensível, o gerente modesto consegue imprimir alto grau de racionalidade no gerenciamento da organização sob seu comando e, ao mesmo tempo, perceber qualquer impacto sobre a estima e aspectos subjetivos dos membros da organização. A solidariedade e o auxílio caridoso reais são automaticamente prestados a quem se considera impactado negativamente. Este artigo tem como objetivo descrever as características comportamentais do gerente amoro em organizações de ciência e tecnologia.

Um gestor de pesquisas de uma instituição privada, considerado muito severo e incorruptível por quem supunha conhece-lo, foi completamente destruído em sua reputação por uma atitude que representa um verdadeiro veneno a quem não é modesto ou pratica a falsa modéstia: o elogio. O gerente tinha seu comportamento completamente alterado, ficava vulnerável, diante dos elogios que lhe faziam. Os rigores com os quais conduziam os objetivos e metas organizacionais se afrouxavam com as palavras doces que seus adversários (por ele desconhecidos) lhe falavam. Quando queriam quebrar o rigor do gerente com mais rapidez, praticavam o elogio em público. E de elogio em elogio as rédeas com as quais conduzia com sucesso o veículo organizacional pouco a pouco foi saindo dos trilhos. E antes que a instituição se precipitasse no abismo, o gerente teve que ser demitido. Conhecida sua fraqueza, nunca mais conseguiu um emprego de destaque.

Esse exemplo mostra o veneno que é a contaminação do ego do gerente por fenômenos externos que não seja a solidez e a precisão do seu caráter. O gerente modesto está imune às sutilezas das palavras e dos elogios, sejam eles verdadeiros ou falsos, porque não tem nenhum interesse neles. Neste estágio de evolução, o gerente não carece de comprovações exteriores para se certificar do acerto de suas condutas e do sucesso dos resultados que alcança. Como o próprio termo indica, Modesto é a pessoa que se mantém, se contém, no justo limite, sem mais nem menos. É o equilíbrio exato entre a razão e o sentimento que cada circunstância exige do ser humano.

Como consequência, para alcançar o estágio de modesto, o ser humano precisa não precisar mais da ostentação, do luxo, o que implica em dizer completamente livre de vaidade. A vaidade, portanto, é a causa primária da falta de modéstia e, consequentemente, o principal alvo daquele que quer evoluir. A simplicidade, que é outra forma de nominar o indivíduo modesto, é manifestada em tudo o que faz, sem, no entanto, poder ser dita. Assim, quando o indivíduo diz-se de si mesmo modesto, modesto não o é de verdade, porque o modesto não se vangloria, não ostenta. Aquele que se diz simples, simples não o é porque a simplicidade é palavra abortada do vocabulário e da mente de quem é evidentemente simples.

Além de agir em conformidade com o que as circunstância exigem em termos de racionalidade e sensibilidade (não confundir com paixão), o gerente modesto respeita os padrões morais e éticos da organização e da sociedade onde sua organização atua e está inserida. A decência e o puder, portanto, lhe estão contidos, de maneira que é admirado pela sua compostura, principalmente nos momentos difíceis, mas não deixa ser enlaçado por essas admirações. O respeito aos seus superiores hierárquicos é feito com deferência, o que não implica em ocultação de sua personalidade quando diante de fatos ou atos desonestos ou condenáveis moral ou eticamente. Só que o faz de uma forma esteticamente admirável que passa a servir de exemplo para todas as atitudes de qualquer indivíduo em situações semelhantes.

Muitos dizem que o gerente modesto não tem ambição. Em parte, estão corretos. O gerente modesto não luta, não concorre por posições. Sabe que as posições, tanto as do topo organizacional quanto as operacionais, devem ser ocupadas de forma meritória. Se alguém ocupa essas posições de forma diferente, sabe que não vale à pena assumi-las; se é meritória a assunção dessas posições, sabe que, inexoravelmente, mais cedo ou mais tarde uma dessas posições será sua. Dito de outra forma, o gerente sabe que o resultado de seu trabalho correto, tecnicamente irretocável e atitudinalmente irrepreensível lhe levará à posição que lhe é justa. Então não precisa lutar por cargos. A sua capacidade de realização naturalmente lhe trará as posições que precisa ocupar. Não é uma necessidade do gerente ocupar este ou aquele cargo, mas uma necessidade da organização em lançar mão da capacidade do gerente modesto de alcançar resultados.

O gerente modesto seria o profissional ideal para ocupar todos os postos de comando de uma organização. Seu caráter equilibrado, onde razão e sensibilidade são colocados situacionalmente na dosagem necessária para produzir os resultados que a organização precisa, impede de atrair atenção sobre si, desviando-a para o que realmente interessa: os objetivos e metas organizacionais. Ao desfocar as atenções de si e repassá-la para a organização, os esforços coletivos são maximizados e os níveis de conflito se reduzem perceptivelmente. E o clima organizacional e a motivação das pessoas agradecem.

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