Tuesday, 28 de January de 2020

GERAL


O mundo não acabou

24 Sep 2008

Felizmente, o mundo não acabou, como temiam tantos, após a ligação, dia 10 último, do acelerador de partículas do consórcio europeu Cern, na fronteira entre Suíça e França, que visa a recriar um mini-Big Bang para encontrar respostas para a origem do universo. A experiência em curso, que estimulou a criatividade de leigos e cientistas e até provocou medo em todo o Planeta, ante a hipótese de gerar um buraco negro irreversível, custou a bagatela de três bilhões de euros, algo próximo de 7,42 bilhões de reais.

Essa fantasia do inconsciente coletivo internacional, ante um experimento próximo da ficção científica, tem peculiar e insólita analogia com uma situação real do Brasil, também ligada à área energética: a precariedade do sistema elétrico, que já nos conduziu, não a um buraco negro, mas a um lamentável apagão, que praticamente paralisou a economia nacional em 2001. E os riscos continuam, pois o sistema é permeado por vícios e equívocos.

O primeiro problema é o atraso e insuficiência dos investimentos. É lamentável constatar o fracasso das Parcerias Público-Privadas (PPPs), pela absoluta insegurança jurídica que os projetos deixam transparecer. Outra questão importante é a política de privatização do sistema, em especial no estado de São Paulo, feita de maneira afoita, sem a preocupação com a garantia de qualidade técnica e compromissos mais sólidos dos concessionários com a sociedade e as empresas. É o caso, por exemplo, da AES Eletropaulo, que substituiu mão-de-obra experiente e qualificada por pessoal terceirizado sem o devido treinamento. Esta precarização dos serviços é responsável por alguns apagões, cada vez mais recorrentes, e pela maior insegurança dos próprios trabalhadores e usuários.

A falta de qualificação no setor não se restringe, contudo, aos trabalhadores operacionais e técnicos das hidrelétricas e redes de transmissão e distribuição. Abrange, também, com honrosas exceções, cargos de gestão e direção, preenchidos por critérios meramente políticos. Dada a grande importância do setor elétrico para a economia, a sociedade, as empresas, os indivíduos e a própria segurança nacional, é temeroso outorgar a apaniguados partidários sem qualificação cargos e funções da mais alta responsabilidade no sistema elétrico.

Sem maiores investimentos em geração, transmissão e distribuição de eletricidade, sem a devida fiscalização e exigência de qualidade das concessionárias privadas e sem critérios técnico-profissionais na contratação de mão-de-obra no setor, e nomeação dos dirigentes das companhias que se mantêm sob controle acionário do estado, novos apagões certamente acontecerão. E esses, ao contrário dos temores relativos ao acelerador de partículas europeu, representam um risco real, verdadeiro e concreto. O Brasil precisa de medidas urgentes e toda uma reestruturação no setor hidrelétrico, pois sua deficiência, somada à passividade com que o problema tem sido encarado, pode criar um buraco negro capaz de engolir por muito tempo toda a nossa potencialidade de promover o crescimento sustentado da economia.

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