Monday, 14 de October de 2019

GERAL


Queimadas

Seca faz antecipar combate ao fogo

06 May 2010

Todos os anos o assunto se repete. Une-se o período de estiagem com as repetitivas queimadas provocadas por proprietários rurais e temos uma receita perfeita de desastre ambiental: fogo se alastrando na serra, poluição da atmosfera, problemas respiratórios e a intensificação do calor palmense.

Os primeiros focos de fogo vistos na última semana na área rural da Capital, confirmam as previsões do Centro de Previsão de Tempo e Clima do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE). O órgão disse no início do ano, que o clima seria  mais seco e que haveria mais queimadas nos meses de abril e maio, em partes do Cerrado e da Amazônia, do que no ano passado. De acordo com o boletim do CPTEC, no mês de janeiro foram contabilizados 1.350 focos de queimadas no Brasil.

Em Palmas, não há ainda um estatística dos focos, mas o sinal de alerta fez atencipar as ações de combate as queimadas. Este ano, a Brigada está sendo formada um mês antes em relação a 2009, quando as ações só tiveram início em junho. Dia 10 de maio, a Prefeitura Municipal através do Guarda Metropolitana de Palmas (GMP),  estará aplicando curso de formação de brigadistas para 60 inscritos. No dia 13 cerca de 40 brigadistas estarão prontos para iniciar o trabalho de combate.

Também no dia 13, será realizado o dia “D” de combate as queimadas, das 7 às 18 horas, nas regiões rurais de Palmas. “Iremos visitar varias propriedades em Taquaruçu, Buritirana e todas da TO 050 até as margens do Lago. As propriedades visitadas receberão notificação educativa, e também coletaremos as posições geográficas das propriedades para nosso banco de dados”, diz o Gerente de Meio Ambiente e Sub-inspetor da GMP, Leônidas Alves de Castro.

Castro explica que mesmo na seca é raro acontecer queimadas espontâneas, ou seja, aquelas causadas por latinhas de alumínio ou cacos de vidro, que geram combustões naturais. “A maioria das queimadas são criminosas. Mas como teremos as áreas marcadas com GPS, o proprietário que reincidir com o fogo sofrerá um laudo de infração. Esse proprietário poderá responder um processo administrativo, ou até  criminal”, esclarece Castro.

No dia “D”, estarão presentes as instituições parceiras da Guarda Metropolitana: Companhia Independente da Policia Militar Ambiental (CIPAMA), Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Meio Ambiente e Habitação (SEDUMAH) de Palmas, Corpo de Bombeiro, Defesa Civil Estadual, Saúde Municipal, Secretaria da Educação Estadual e Ruraltins.

Penalidades
De acordo com os artigos 14 e 15 da Lei 9.605 (Lei de Crimes Ambientais), os infratores estarão sujeitos às penas que podem chegar a prisão (de três a seis anos) e multas de até R$ 50 milhões.
 
DISK DENÚNCIA – 193 e 190 ( a partir do dia 1º de junho)


 
 
Enquanto o fogo se alastra, falta compromisso

O trabalho de combate ao fogo não é fácil: além de ser uma profissão de risco, falta compromisso das parcerias firmadas, conforme desabafa Castro, que há 10 anos  trabalha na área.  “É uma luta desgastante. Todos os anos acontecem os mesmos problemas com os parceiros. A prefeitura entra com os brigadistas,  alimentação, equipamento individual e a bomba costal. O restante das instituições entram com transporte e outras ajudas. Mas no dia de combater o fogo, não temos se quer o carro para chegar no local”, relata. Ele conta que  todos os anos a Prefeitura Municipal gasta cerca de R$ 400 mil para combater as queimadas em Palmas.

Castro diz que a maior dificuldade é com o transporte dos brigadista, e faz um apelo: “Se cada instituição fizesse o compromisso de ajudar com o carro, estaremos aptos para fazer um bom trabalho. Mas algumas nem se manifestaram ainda. Muitas só aparecem na hora de “falar” da parceria e não botam a mão no bolso. Quando chega o momento de combater o fogo, falta compromisso”, e completa: “É frustante. Imagine ver a serra pegando fogo e a equipe aqui em baixo sem ter como chegar lá”.
 
Fundo de quintal
As queimadas são a maior contribuição brasileira para o efeito estufa, em função da emissão gás carbônico (CO2). E mesmo aquela que se pratica no fundo do quintal, para eliminar galhos e folhas são condenadas por órgãos ambientais. 

Muitas pessoas acreditam que queimar um pequeno monte de lixo acumulado não causa dano algum, mas se esquece que só o risco de causar um incêndio é o suficiente para abortar a prática. “Existem várias formas de evitar a queimada. A pessoa pode fazer uma composteira (veja box) com o restante de materiais orgânicos da limpeza do quintal. Basta cavar um buraco, acumular o resíduos, molhar com freqüência e manter tampado até se decompor”, ensina Castro. O composto serve como adubo para as outras plantas, além das folhas e galhos, você também pode jogar resto de cascas de frutas, legumes, entre outros vegetais.

Juntar as folhas e colocá-las em sacos de lixo para serem recolhidos pelo serviço público de limpeza urbana também é uma opção.

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