Wednesday, 25 de April de 2018

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OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Aspectos centrais sobre TI

05 Jan 2018

O gerenciamento da Tecnologia da Informação (TI) se tornou central e determinante no sucesso ou fracasso das organizações de ciência e tecnologia atualmente. O que se tem visto ao longo das últimas décadas, a partir de dezenas de experiências do uso dessa ferramenta nesse tipo específico de organização, é que o sucesso (e consequentemente o fracasso) parece ser determinado por algumas preocupações básicas, esquecidas por praticamente todas aquelas que não atentaram para elas. Grosso modo, as organizações de ciência e tecnologia bem sucedidas têm foco nos resultados organizacionais a partir do aperfeiçoamento dos seus processos de produção. Dessa forma elas têm garantido crescentemente os resultados porque a forma através da quais eles são produzidos se aperfeiçoa constantemente. Como essas organizações conseguiram se destacar no mar de insucessos? É isso o que essa série de dez artigos vai mostrar a partir de hoje e que se constitui no objetivo de cada texto.

O que os responsáveis por tecnologia da informação das organizações mal sucedidas parecem não saber, na prática, é que toda organização vive de resultados. E resultado significa entregar para a sociedade aquilo que a própria organização se comprometeu a entregar. Se o compromisso foi formar certo quantitativo anual de profissionais de engenharia com determinadas competências e perfil profissiográfico, esse quantitativo anual deve ser entregue com aqueles atributos determinados; se se comprometeu a fazer inovações tecnológicas em determinada área, periodicamente essas inovações têm que ser entregues e atestada suas adequações para com aquilo que foi acertado. É com esse foco que as organizações precisam ser gerenciadas.

Mas não é isso o que acontece com as organizações mal sucedidas. Nesses casos especiais, a tecnologia da informação está praticamente toda voltada para a lógica interna da própria área. Dito de outra forma, os profissionais de TI não entendem a dinâmica organizacional e passam a privilegiar no seu dia a dia preocupações próprias de suas áreas, desvinculadas tanto dos resultados quanto dos processos de produção da organização. Por exemplo, quase todas elas se preocuparam com a possibilidade de alguém roubar alguma informação, colocar vírus no sistema ou até mesmo roubar os cabos de fibra ótica ou equipamentos de wifi.

Organizações de sucesso também têm essa preocupação. Só que ela é acessória, não é essencial. Essas organizações sabem que a TI tem que estar a serviço da produção e não a produção a serviço da TI. Ao invés de encherem o sistema de informação de proxis e senhas, colocam toda a banda livre para as unidades de produção. Dito de outra forma, liberam de proxis e senhas o ensino e a pesquisa. Quando for necessário, fazem senhas e proxis exclusivos para um grupo de pesquisa ou grupo de pesquisadores, mas para o ensino praticamente tudo é livre de senha e proxis. Por quê?

Dezenas e até mesmo centenas de casos deixam evidentes que quando se enche de proxis e senhas é garantida a velocidade e estabilidade do sistema, mas praticamente ninguém o usa. Dezenas de casos têm confirmado que o ensino passa a não utilizar a TI como deveria; no máximo, os professores utilizam para fazer chamadas. Alunos e professores não podem usar seus celulares e computadores a qualquer momento para aprender porque o pessoal de TI está mais preocupado com o uso de páginas de sexo e outros fins pelos usuários, o que sobrecarrega a rede, e não com os supostos poucos que usam para os devidos fins de produção, apesar de o próprio pessoal de TI usar para esses sítios indevidos em muitas vezes. Muitos casos têm mostrado que esses profissionais querem evitar que os usuários façam o uso inadequado que eles constantemente fazem reservadamente.

A preocupação da TI é com a informação. E isso as organização de ciência e tecnologia de sucesso fazem muito bem. Seus profissionais conhecem com precisão os sistemas, softwares e hardwares específicos para cada curso, para cada agrupamento de cursos, para agrupamentos de áreas e assim por diante. Dedicam tempo para testar cada sistema, cada software, cada máquina e apresentá-los aos coordenadores e diretores a que estão subordinados. Mais ainda: porque aprenderam a manusear os sistemas, softwares e hardwares, treinam e capacitam todos os usuários internos interessados. São verdadeiros aliados de todos na busca do aperfeiçoamento dos sistemas de produção da organização para que alcancem seus objetivos.

Outra coisa que chama a atenção nessas organizações é a estética da ação dos gerentes de TI. São verdadeiros executivos que conhecem na prática o mercado global com que têm que lidar todos os dias. Conheci um gerente de uma pequena unidade TI de instituição pública que se comunicava semanalmente com os grandes lançadores de produtos do mundo todo. E por causa desse conhecimento e relacionamento, elaborava seus projetos de manutenção e atualização de todo o sistema, aprovava junto aos fornecedores-parceiros e levava ao conhecimento de seus superiores apenas para ratificar a sua negociação. Noutras palavras, esses gerentes são gerentes de verdade, que resolvem problemas, e não ficam levando problemas para seus superiores resolver. Sem dinheiro, esse gerente tinha o mais inovador sistema de TI da região.

Por incrível que pareça, para que a TI funcione numa organização de ciência e tecnologia a primeira coisa que se tem que deixar para segundo plano é a exclusividade da própria TI. A segurança contra roubo de informação é necessária apenas quando houver essa informação; contra o roubo de segredos de produção, apenas quando esse segredo existir. Em quase todas as organizações medíocres não há praticamente nada para roubar nesse sentido. Não há porque a TI delas não permite que haja produção. E jamais haverá, se continuar com o olhar desviado do que é importante, que é garantir a produção no ensino, pesquisa, extensão, inovação e empreendedorismo.

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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