Tuesday, 20 de February de 2018

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OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Diretor de Ensino

21 Sep 2017

Os diretores de ensino geralmente aparecem nos organogramas das organizações de ciência e tecnologia em dois níveis hierárquicos, considerando-se as que têm constituição multicampi: um institucional e outro operacional. As posições institucionais quase sempre estão vinculadas às pró-reitorias que cuidam do ensino, tais como pró-reitorias de graduação, nas universidades, e pró-reitorias de ensino em institutos federais e instituições privadas. Por sua vez, as posições operacionais são encontradas nos campi, que são as unidades organizacionais responsáveis pelas operações, tais como pesquisa e inovação, por exemplo. Dessa forma, este artigo tem como objetivo explicar as funções da diretoria de ensino em organizações de ciência e tecnologia.

Quando a diretoria de ensino se posicionar no alto da hierarquia institucional, geralmente abaixo e vinculada a uma pró-reitoria, sua função é supridora. Isso quer dizer que seu papel é saber quais são as demandas, as necessidades, das unidades de ensino de toda a instituição e supri-las. Esse suprimento pode ser feito tanto de forma específica e pontual quanto de forma sistêmica e institucional, sendo recomendada apenas esta última e, a anterior, se a unidade operacional não conseguir, sozinha, se autossuprir. Essa deveria ser sua função essencial. A outra é informacional.

Como função informacional está-se referindo à coleta de informações vinculadas ao ensino de todas as unidades organizacionais (campi) para prestar contas ao ambiente externo e acompanhamento da execução dos objetivos e metas institucionais. A razão dessa função é que a organização de ciência e tecnologia celebra acordos, convênios, contratos e outras formas jurídicas de ação interinstitucionais de maneira global, como é o caso do número mínimo de alunos por professores das instituições federais e da qualidade do ensino medido pelo ENADE, para todas as instituições. A gestão informacional diz respeito, assim, tanto à regulação quanto aos procedimentos e resultados.

Já as diretorias de ensino dos campi, aqui chamadas operacionais, assim como suas congêneres do alto da hierarquia organizacional, são responsáveis pelo gerenciamento estratégico. Isso quer dizer que auxiliam o executivo principal no gerenciamento das relações com o ambiente externo, assim como se responsabilizam pelos resultados setoriais da unidade operacional. Dito de outra forma, são as diretorias de ensino, por exemplo, que devem prospectar clientes e usuários no ambiente externo e transformar essas demandas em planos de ação para o devido suprimento. Neste esquema lógico, são executivos institucionais locais cujas necessidades de recursos devem por ela serem supridos e, caso isso não seja possível, recorrer à sua congênere institucional.

Esse papel ambivalente pode ser traduzido assim: estratégico como auxílio ao diretor geral do campus e tático, na responsabilização pelo alcance dos objetivos e metas do seu setor, o ensino. Isso confere ao diretor de ensino dos campi uma posição privilegiado na harmonia gerencial porque ao mesmo tempo em que ele negocia os objetivos estratégicos a serem alcançados também participa da tradução desses objetivos em metas, indicadores de desempenho e métricas, que vão orientar o trabalho dos gerentes táticos. 

Vejam o caso de um diretor de ensino de um instituto federal, que negociou a realização de um treinamento para uma turma de 30 profissionais de eletrônica de uma indústria de produtos eletroeletrônicos. Durante as negociações com os dirigentes industriais, foram acertados tanto os conteúdos dos treinamentos quanto as máquinas e equipamentos que deveriam ser utilizados neste intuito. Como o instituto federal não possuía esses equipamentos, a indústria os doou, restando à instituição apenas a aquisição dos outros recursos necessários, cujos custos foram repassados financeiramente.

Em seguida, o diretor de ensino, trabalhando com o coordenador dos cursos dessa área, organizou o sistema de operações, sempre de acordo com as exigências da indústria acordadas durante o período de negociação. Ao longo da execução do projeto, o diretor de ensino era informado semanalmente sobre a relação entre as metas previstas e o que foi executado, para se certificar que os conhecimentos e habilidades requeridas pela indústria  fossem adquiridos pelo pessoal em treinamento. Esse exemplo mostra, de forma singela e sintética, o papel do diretor de ensino de uma unidade operacional.

O diretor de ensino sistêmico age de forma diferente. Certo diretor de ensino de uma instituição privada percebeu que mais da metade dos egressos dos cursos de sua instituição tinha bastante dificuldade em encontrar empregos na sua região de atuação. Para isso, em discussão com os diretores de ensino de seus cinco campi, determinou mudança nos projetos pedagógicos de seus cursos, quase todos voltados para a formação de pesquisadores, segundo foi constatado pelos trabalhos de consultoria especializada contratada para este fim.

Disciplinas em redundância de pesquisa foram substituídas por disciplinas de conteúdos eminentemente práticos, do jeito que as organizações contratantes que atuavam no ambiente de atuação da instituição requeriam. Em pouco tempo os diretores de ensino conseguiram aplicar as mudanças acordadas, o que provocou a transformação dessa instituição na maior formadora de mão de obra especializada naquela área, afetando positivamente a imagem da universidade na região.

Para que essa imagem se consolidasse, o diretor sistêmico de ensino disponibilizou todos os recursos necessários para que o objetivo pretendido fosse alcançado. Esses meios todos foram sugeridos pelos diretores de ensino que, por sua vez, os identificaram a partir de consulta aos seus coordenadores de cursos. A harmonia provocada entre coordenadores (gerentes operacionais), diretores de ensino (gerentes estratégicos e táticos dos campi) e diretor de ensino sistêmico (gerente estratégico institucional) é que sustentou a mudança desejada. 

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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