Saturday, 21 de April de 2018

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OPINIÃO


Febre Amarela

Febre Amarela: os primatas são vítimas e não transmissores da doença

30 Oct 2017

Recentemente a preocupação acerca da febre amarela voltou a fazer parte da população da capital paulistana. Alguns meses após o surto nacional dos episódios da doença, que ocasionou centenas de mortes, as campanhas de vacinação voltam com toda a força.

A segurança da saúde pública dos moradores da região é primordial. Entretanto, também não podemos ignorar os impactos negativos para todo o ecossistema ocasionados pelas mortes dos macacos vítimas da doença.

A transmissão do vírus, tanto para o macaco, quanto para os humanos ocorre da mesma forma, tornando a vítima um hospedeiro da febre amarela, caso seja picado pelo mosquito transmissor.

Enquanto os humanos têm a sua disposição vacinas contra o vírus, os animais silvestres podem apenas contar com o controle do inseto e, consequente, queda no número de infecções. Além disso, a maioria dos primatas é muito suscetível à doença, não resistindo à infecção; como os Bugios ou Guariba (espécies de macacos), que em cerca de 90% dos casos os animais acabam morrendo.

E ao contrário do que muitas pessoas podem pensar o vírus da febre amarela não é transmitido pelos macacos, mas sim pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes – na mata – ou pelo Aedes aegypti nos centros urbanizados, o mesmo mosquito transmissor da dengue. No entanto, trata-se do mesmo vírus.

A morte de macacos com febre amarela é um alerta para a população humana, possibilitando a prevenção e proteção diante da expansão da febre. Ou seja, os macacos não nos transmitem a doença, e sim nos ajudam a preveni-la. A rápida detecção de casos, aliado ao acesso a tratamentos hospitalares e medicamento, permitem em grande parte dos episódios, a sobrevivência dos infectados.

Outro fator importante nos humanos, e que contribui diretamente para que a doença se alastre de forma mais eficaz pelo território, é sua facilidade de locomoção. Ao contrário dos mosquitos e dos primatas em geral, o homem viaja sem fronteiras e em uma velocidade que transcende qualquer outro animal. Isso acaba ocorrendo porque o ser humano pode ser assintomático (na maioria dos casos) e auxilia na dispersão da doença para outras regiões distantes de onde ele a contraiu. Mais um fator que aumenta os riscos de um surto

Em um contexto como este, além das recomendações óbvias de prevenção, que visam diminuir a multiplicação das populações do Aedes aegypti, como não acumular água parada e utilizar repelente, a melhor forma de evitar o avanço do vírus é por meio da vacinação humana. Quanto mais pessoas tomarem a vacina, menor será o potencial do vírus em se espalhar.

Agir com precaução e, principalmente, com respeito à natureza, é a maneira mais eficiente e humana de se proteger. Mesmo os vírus fazendo parte de um ecossistema no qual estamos inseridos, e quanto mais preparados estivermos para conviver harmoniosamente, menos seremos surpreendidos com situações adversas.

No Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica do País localizada no Vale do Ribeira, já foram identificados pelo menos 100 muriquis-do-sul e até o momento nenhum caso de febre amarela. Fato que nos tranquiliza, pois, essa espécie de macaco está criticamente em perigo de extinção e a questão da febre amarela não pode contribuir para aumentar esse risco. Destaco que o projeto de monitoramento dos muriquis-do-sul no Legado é liderado pelo prof. Maurício Talebi, da UNIFESP Campus Diadema e presidente da Associação Pró-Muriqui. Seu trabalho de mais de duas décadas com a espécie em São Paulo auxiliou na consolidação do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação dos Muriquis, uma iniciativa do governo federal que visa à proteção dos muriquis no Brasil.

Todos os animais da fauna são essenciais para o bom funcionamento do ecossistema, até mesmo para os humanos. Os macacos são cruciais para o equilíbrio dos ecossistemas e nós devemos ajudar a protegê-los, pois os benefícios de um meio ambiente conservado são também para nós, humanos.

*Fabiano R. de Melo é membro da Universidade Federal de Goiás - Regional Jataí e parceiro do Legado das Águas.

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