Saturday, 17 de August de 2019

OPINIÃO


Ponto de vista

Não deixe canonizar as abelhas

31 Jul 2019    15:30    alterado em 31/07 às 15:30
Não deixe canonizar as abelhas

Por Reobbe Aguiar Pereira - Bacharel em Enfermagem. Mestrando em Ciências Ambientais. Pós Graduado Enf. Trabalho; Informática em Saúde; Urg. Emerg. e UTI. E-mail: reobbeap@hotmail.com                             

É verdade, elas são insetos. É verdade que para muitas pessoas a frase canonizar abelhas está sendo profana diante dos olhos dos religiosos. Mas a intenção não é essa. A intenção é alertar o fato do fim da humanidade. Na década de 1940, a proferida frase do Albert Einstein está tornando um reflexo da realidade para com século XXI. A profecia seria “olhem para as abelhas, se elas sumirem a humanidade tem um máximo de quatro anos de sobrevida, pois não haverá plantas e nem animais”.

Para início da conversa deste artigo, o Governo Federal aprova o registro de mais de 51 agrotóxicos e o ritmo de liberação de novos pesticidas é o mais alto já visto. O principal problema dos agrotóxicos, todo mundo sabe, ou deveria saber, é a intoxicação, tanto do homem quanto dos animais e do meio ambiente. A seriedade é tão assustador que já houve mortes em diversas cidades ou mesmo intoxicação acelerada no estado norte-americano que acarretou intoxicação em toda cidade. Para quem não sabe, os problemas que podem apesentar pela toxicidade dos alimentos é o desenvolvimento de câncer, hepatites virais, diabetes mellitus e eventualmente, a morte.

Seja pela falta de fiscalização, pela fragilidade legislativa ou qualquer outro motivo, problemas envolvendo a venda, o registro e a utilização de agrotóxicos ainda são comuns no Brasil. Em um dos casos que apresentou, um profissional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária foi demitido após descoberta de irregularidades no sistema de registro de agrotóxicos junto ao órgão, onde produtos mais tóxicos que seus similares disponíveis no mercado eram autorizados a serem vendidos. Triste realidade, mas sempre acontece isso.

Vale a pena morrer precocemente pela bandeira agronegócio? O sistema perverso de produção agrícola monocultural do Brasil, que destrói a vida planetária e enche o bolso de poucos fazendeiros e empresários do ramo, pode custar-nos a vida, mas não tem outro jeito, dizem as pessoas comuns. E as autoridades políticas também. E, em consequência disso, as abelhas estão sendo dizimadas por agrotóxicos, mas o agronegócio é o que mantém o PIB do Brasil e parece que isso é o que mais importa.

Estamos loucos ponto de morrer pela causa do agronegócio? Sim, porque se as abelhas desaparecerem, como já desapareceram ao redor da lavoura de plantador de soja em alguns territórios, toda a espécie humana será extinta. Em apenas quatro anos, segundo Organização Mundial da Saúde. Este, então, estaria de analogia com célebre palavras do Albert Einstein. Acontece que são esses insetos que polinizam as flores de quase todos os alimentos vegetais que consumimos. Sem abelhas, não tem milho, soja, feijão, trigo, aveia, frutas etc. As abelhas são seres fundamentais para a manutenção da vegetação natural e cultivada, pois contribuem para a perpetuação de muitas espécies nativas e de culturas agrícolas. Sua preservação é importante devido ao papel fundamental que desempenham na cadeia biológica: fazer a polinização e garantir, dessa forma, a continuidade das espécies de flores onde insetos e outros animais retiram seu alimento.

Em vista da realidade caótica apresentada, é de fundamental importância da preservação das abelhas. Não deixando morrer, claro! Agrotóxicos, desmatamento, queimadas, mudanças climáticas e outra qualquer ações antrópicas que causam desaparecimento ou morte das abelhas devem levar minimamente em consideração na preservação. Desta maneira, impediremos a canonização das abelhas, pois elas precisam estar vivas e presentes ao nosso habitat. E o alerta está dado, vamos olhar com mais atenção para isso.

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