Wednesday, 03 de June de 2020

OPINIÃO


OPINIÃO

O prazer de conviver com os outros

24 Feb 2013

José João Neves Barbosa Vicente
 
Se a sociedade em que vivemos deixa muito a desejar quando o assunto é a preservação do grupo, os antigos têm muito a nos ensinar.

Apesar de vivermos em uma sociedade individualista, ou que aparenta ser, não há como negar, por exemplo, que isolar o indivíduo de seus semelhantes durante um longo período de tempo é, certamente, uma punição cruel. Afinal, mesmo querendo seguir a moda e aparecer individualista, ele sente prazer em viver com os outros. Mas, não é sobre a sociedade atual e nem sobre os seus indivíduos que este pequeno texto pretende falar, mas sobre a lição dos antigos cuja “alma” encontra-se próxima da natureza e longe da corrupção e vaidade.

Os primeiros homens viviam juntos e desejavam estar perto das de sua espécie, seja numa caverna ou em rudes abrigos construídos de ramos e folhas, ou acocorados à sombra das arvores, ou junto aos rochedos proeminentes que os protegessem. Portanto, independentemente dos motivos, em qualquer lugar onde é possível encontrarmos vestígios da existência do homem, é possível encontrar, também, testemunhos de que homens e mulheres viviam em grupo.

Dessa disposição simples para a vida em comum, desenvolveram as primeiras necessidades sociais que, gradativamente, tornaram-se costumes aceitos como mecanismo de preservação e proteção do grupo. Aqueles que não serviam para esses propósitos eram logo descartados. Os jovens aprendiam com seus companheiros ou recebiam a transmissão desses costumes através de cerimônias solenes, realizadas pelos membros do grupo, em ocasiões especiais; a principal era aquela em que o jovem na puberdade, passava a membro efetivo do grupo. Todos acreditavam sem contestação, que os costumes sob os quais viviam, haviam sido concedidos pelos deuses aos seus antepassados e não podiam, portanto, ser modificados de forma alguma.

Para os povos antigos, o grupo era mais importante que qualquer de seus membros. O indivíduo sozinho, segundo eles, não tem condição de viver muito tempo. Assim, o maior bem para o maior número dependia da preservação e proteção do grupo como unidade. Para os antigos, portanto, valeria a pena preservar e proteger o grupo até mesmo com o sacrifício do indivíduo. Quando este e o grupo entravam em choque, era aquele quem devia ceder, pois a destruição do grupo seria fatal para todos.

Os pitagóricos e Demócrito sempre ensinaram, também, que o indivíduo deve sujeitar-se ao grupo e agir sempre em prol do bem comum, pois este deve ser a principal preocupação do homem. Quando o grupo está em condição sadia, tudo prospera; quando está corrompida, tudo cai em ruínas.  Mas, infelizmente, os ensinamentos dos antigos foram esquecidos. A atenção passou a ser concentrada no indivíduo e não no grupo. Ensinaram a ele como vencer, como conseguir seus próprios fins, independentemente do grupo. Assim, preservar e proteger o grupo passou a ser sinal de fraqueza e escravidão. Estava dado o passa fundamental para o individualismo.
 
Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT – Revista de Filosofia.

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