Monday, 06 de April de 2020

OPINIÃO


Olimpíadas na Record: uma crítica

13 Aug 2012

HELDER CALDEIRA*


Finalmente a vida voltará ao normal na Rede Record em todo Brasil. Confesso que duas semanas de jogos enchem o saco de qualquer um, não é verdade?! O fato é que, nesse período dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, o trabalho eficiente de milhares de funcionários das emissoras, afiliadas Record do país inteiro, ficou comprometido pela transmissão das Olimpíadas.
 
Mas devo dizer: valeu a pena! Sem descer aos degraus das “rasgadelas de seda”, do corporativismo barato ou ao “puxassaquismo” pedestre (não preciso disso e quem me conhece sabe!), a Rede Record presenteou os telespectadores brasileiros com uma transmissão de primeira categoria. Se considerarmos que essa foi a primeira, a crítica fica ainda melhor e mais balizada.
 
Finalmente tivemos apresentadores e comentaristas dispostos a cumprir apenas sua missão: apresentar e comentar, dentro de conceitos elementares de pertinência temática (exceto pelo deputado federal Romário, que assumiu definitivamente o “palanquismo” em suas veias!). E não aquilo que tínhamos outrora, com figuras grandiloquentes, celebridades egocentristas, que mais pareciam estar diante de competições de “Conhecimentos Gerais”, disputando entre si uma espécie de “Quem Sabe Mais?”, bem “silviossantescos”, ainda que globais.
 
Foi emblemática a primeira transmissão ao vivo, com a monumental jornalista Ana Paula Padrão e sua gafe “Jornal da Globo”, que ao fim mais soou como uma alfinetada bem dada, um “golpe de contramarketing”. Já no primeiro dia, a cobertura da Rede Record era trending topic nas redes sociais e estampava a capa dos principais jornais e portais do país. Enfim, o que parecia estar errado, acabou dando certo em termos de publicidade e divulgação.
 
Da mesma forma, foi nobre o encerramento, com apresentadores que não interrompiam, com informações grotescas desnecessárias, os shows musicais e as passagens temáticas. Espetáculos de abertura e encerramento de Jogos Olímpicos são confeccionados com uma série de mensagens que, certamente, visam apontar para o subjetivo dos espectadores. Os apresentadores da Record apenas ouviram e, como a maioria dos telespectadores da emissora, curtiram o passeio sensível e bem bolado pelos “sons” e “cores” da Grã-Bretanha. Acertadíssimo. Na mosca!
 
Por óbvio, muitas coisas deixaram a desejar. Mas isso faz parte! De alguma forma, havia um “clima frio” no ar e – muito provavelmente! – isso tenha a ver com o espírito britânico de realizar eventos e festas. Nada efusivo. Nada acalorado. A sisudez broxante dos ingleses parece ter contagiado as transmissões e alguns “silêncios”, em se tratando de TV, soam mais como erros que como mera “observação do caminhar”. Isso foi um problema e precisa ser solucionado. Fato.
 
Nesse sentido, o “ar frio do ambiente” deixou os Jogos menos “passionais”. Mas as redes sociais acabaram cumprindo seu papel e as páginas da Rede Record no twitter e no facebook e o Portal R7 desempenharam a importante – e, nesse caso, fundamental – missão de “jogar pimenta” no “molho inglês”. Foram extraordinários na alimentação do ambiente virtual e isso fez toda diferença.
 
No meio do caminho, veio a notícia que a 2.855ª exibição dos episódios do “Chaves”, no SBT, estavam dando mais audiência. É claro que esse comentário partiu de uma colunista de O Globo, o jornal da “concorrência”, editado para derrubar (ou apenas desdenhar!). Agora, analisem comigo: será que é culpa da Rede Record o fato do telespectador brasileiro preferir garantir audiência maciça à enésima reapresentação de um episódio humorístico mexicano, ao invés de torcer pelos representantes da nação? Quando nada, aqueles atletas estavam numa competição esportiva e, em sua ampla maioria, patrocinados por dinheiro público das estatais. Valia a torcida, não acham?! Fica a questão para análise... e, quem sabe, até para os divãs. Valha-nos Freud!
 
Ao fim, o que se pode dizer é que a Rede Record foi muito bem nesse primeiro “momento olímpico”. Escalou um excelente time de jornalistas, técnicos e comentaristas, cobriu “todo o campo” e não exagerou em nenhum quesito (confesso: esse era meu medo!). Foi muito bem! Fez bonito! Cumpriu a missão jornalística e de entretenimento às quais se propôs. E isso é um ganho incalculável. Agora, que venham a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016!

 

Escritor, Jornalista a Apresentador de TV - www.ipolitica.com.br – helder@heldercaldeira.com.br
*Autor do best-seller “A 1ª PRESIDENTA” (Editora Faces, 2011, 240 páginas) e Jornalista e Comentarista Político da REDE RECORD, onde apresenta o “iPOLÍTICA” e os dois principais telejornais diários da emissora no Estado de Mato Grosso.

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