Friday, 18 de October de 2019

OPINIÃO


Palmas e Vaias

Palmas para Palmas e vaias para a prefeita

23 May 2019    22:01    alterado em 23/05 às 23:23
Divulgação/Ascom. Palmas para Palmas e vaias para a prefeita

A praia da Graciosa foi palco no último domingo da comemoração das três décadas de fundação da capital Palmas. Tudo foi programado para ser a festa perfeita. Uma megaestrutura de palco foi montada e lá estavam boa parte dos artistas da terra, entre eles a famosa dupla Henrique e Juliano que sozinha faturou a bagatela de R$ 550.000,00 para cantar os parabéns para a capital da terra mãe. Compareceram por lá quase todo mundo da arte e da política tocantinense. Entre os faltosos estava o governador Mauro Carlesse, e o vice-governador Wanderlei Barbosa que recusaram o convite da chefe do executivo municipal.

Contemplada pelo lindo espelho de água do lago e o contorno iluminado da bela ponte, a noite na bela praia da Graciosa parecia esplêndida e inigualável até o momento em que foi anunciado a fala da prefeita. De microfone na mão a chefe do executivo Cinthia Ribeiro falou para uma multidão eufórica com gritos de vaias. A prefeita insistiu nas Palmas e recebeu do público palmas e vaias.  Por alguns instantes Cinthia tentou fazer brincadeiras falando que iria cantar Marília Mendonça e ouviu do público mais e mais vaias. No final se ouvia palmas para Palmas e vaias para a prefeita, tudo junto e misturado.

Depois do impasse vexatório das vaias, a noite seguiu como esperada pelos organizadores. Os artistas fizeram uma belíssima apresentação de encantar os corações de todos os palmenses de nascimento e de coração. O show de Henrique e Juliano foi sucesso absoluto. Os tocantinenses entoaram as músicas da dupla e saíram de lá satisfeitos com o que viram. Do ponto de vista da organização tudo foi perfeito. Mas do ponto de vista político aconteceu o que alguns analistas políticos já previam.

O povo que lotou a Praia da Graciosa para prestigiar o aniversário de 30 anos de Palmas respondeu em bom e alto tom que está a par de tudo que acontece na cidade. As vaias nada mais foram do que um grito de protesto em relação a uma festa que mesmo antes de acontecer já era questionada pelo Ministério Público Estadual que apontou sobre-preço na contratação da estrutura.  E a bagatela de mais de meio milhão de reais para dupla Henrique e Juliano. No caso do cachê dos artistas o que indignou o povo não foi o valor cobrado pela dupla e sim a prefeitura ter aceito esse valor e gasto em um momento que a economia brasileira passa por uma de suas maiores crises. Nesse caso, tem a prerrogativa de a contratação ser legal, mas imoral do ponto de vista de mau uso dos recursos dos contribuintes.

A nossa linda capital merecia sim uma festa digna dos seus 30 anos, mas não se pode perder a coerência do momento em que vivemos. O Tocantins e Palmas passam por um momento delicado. A saúde continua sendo o grande gargalo tanto do governo do estado quando da capital. As UPAs começaram a perder qualidade no atendimento e a cidade começa a enfrentar novamente o drama do mato e buracos. A prefeita Cinthia se preocupou em fazer uma festa linda, mas esqueceu que a população de Palmas está atenta para tudo que acontece.

Politicamente falando Cinthia Ribeiro segue ainda sem uma identidade própria. Virou prefeita da noite para o dia sem antes ter passado por um cargo político, sob eleição por voto direto do povo. A chefe do executivo utiliza até hoje do espólio político do seu falecido marido João Ribeiro. Só que visivelmente podemos ver que essa herança política do senador já foi passada para a deputada Luana Ribeiro. É fato que ou Cinthia começa a criar uma identidade própria ou pode correr o risco de sair da política antes mesmo de ter entrado.

Outro fator que vejo como obstáculo é o fato de a prefeita ter importado muita gente sem nenhum conhecimento de Palmas e do Tocantins. São pessoas que estão a sua volta para elogiar. O bom gestor precisa ouvir a voz de quem está no mínimo 200 metros de distância. São esses que podem falar o que realmente acontece. O antecessor Carlos Amastha só escutava a própria voz e a de quem o cercava. Falava muito e ouvia pouco. O final foi o que vimos. Terminou dando bom dia a cavalos. E pelo visto a prefeita caminha no mesmo rumo.

Palmas é uma cidade linda e próspera. Tem muito o que se explorar do ponto de vista econômico. O turismo pode ser fomentado. Temos a beleza do lago e o vale de cachoeiras de Taquaruçu. Palmas é a porta de entrada para o Jalapão. É importante mostrar para o turista que o passeio pode começar por Palmas. O empresário precisa de incentivo fiscal. O município precisa deixar de ser o grande gargalo para o comércio. A carga tributária precisa ser amenizada. Caso a prefeita consiga enxergar tudo isso ela pode ter certeza que jamais precisará usar de práticas populistas dançando nas feiras da capital. A população de Palmas não deseja uma prefeita cantora. O palmense deseja uma gestora. Se tiver entendimento para isso pode ter certeza que irá surgir uma nova figura na política. E não vai ser a Cinthia Ribeiro. Pode ser simplesmente a prefeita Cinthia. Para reflexão finalizo com essa frase de um escritor anônimo que acho belíssima: “Caminhante não há caminho, faz caminho ao caminhar”.  (Wibergson Gomes).

COMPARTILHE:


Confira também:


Divisa de Estados

Governadores Mauro Carlesse e Mauro Mendes destacam aspectos positivos da rodovia Transbananal

Trecho em questão tem cerca de 90 km e corta a Ilha do Bananal, de Formoso do Araguaia (TO) a São Felix (MT).

Saúde

Opera Tocantins realiza quase 70 cirurgias em 10 dias e espera fechar outubro com mais de 150

As cirurgias acontecem em diversas Unidades Hospitalares do Tocantins sempre em horários diferenciado, fora da carga horária ordinária, como sábados, domingos, feriados, dias de ponto facultativo e ou em período noturno/madrugada.




  Blogs & Colunas



Entre nós

Virgínia Gama


Arquitetura & Design

Riquinelson Luz


Vida Plena

Valquiria Moreira


As Tocantinas

Célio Pedreira