Tuesday, 15 de October de 2019

OPINIÃO


Palmas e Vaias

Palmas para Palmas e vaias para a prefeita

23 May 2019    22:01    alterado em 23/05 às 23:23
Divulgação/Ascom. Palmas para Palmas e vaias para a prefeita

A praia da Graciosa foi palco no último domingo da comemoração das três décadas de fundação da capital Palmas. Tudo foi programado para ser a festa perfeita. Uma megaestrutura de palco foi montada e lá estavam boa parte dos artistas da terra, entre eles a famosa dupla Henrique e Juliano que sozinha faturou a bagatela de R$ 550.000,00 para cantar os parabéns para a capital da terra mãe. Compareceram por lá quase todo mundo da arte e da política tocantinense. Entre os faltosos estava o governador Mauro Carlesse, e o vice-governador Wanderlei Barbosa que recusaram o convite da chefe do executivo municipal.

Contemplada pelo lindo espelho de água do lago e o contorno iluminado da bela ponte, a noite na bela praia da Graciosa parecia esplêndida e inigualável até o momento em que foi anunciado a fala da prefeita. De microfone na mão a chefe do executivo Cinthia Ribeiro falou para uma multidão eufórica com gritos de vaias. A prefeita insistiu nas Palmas e recebeu do público palmas e vaias.  Por alguns instantes Cinthia tentou fazer brincadeiras falando que iria cantar Marília Mendonça e ouviu do público mais e mais vaias. No final se ouvia palmas para Palmas e vaias para a prefeita, tudo junto e misturado.

Depois do impasse vexatório das vaias, a noite seguiu como esperada pelos organizadores. Os artistas fizeram uma belíssima apresentação de encantar os corações de todos os palmenses de nascimento e de coração. O show de Henrique e Juliano foi sucesso absoluto. Os tocantinenses entoaram as músicas da dupla e saíram de lá satisfeitos com o que viram. Do ponto de vista da organização tudo foi perfeito. Mas do ponto de vista político aconteceu o que alguns analistas políticos já previam.

O povo que lotou a Praia da Graciosa para prestigiar o aniversário de 30 anos de Palmas respondeu em bom e alto tom que está a par de tudo que acontece na cidade. As vaias nada mais foram do que um grito de protesto em relação a uma festa que mesmo antes de acontecer já era questionada pelo Ministério Público Estadual que apontou sobre-preço na contratação da estrutura.  E a bagatela de mais de meio milhão de reais para dupla Henrique e Juliano. No caso do cachê dos artistas o que indignou o povo não foi o valor cobrado pela dupla e sim a prefeitura ter aceito esse valor e gasto em um momento que a economia brasileira passa por uma de suas maiores crises. Nesse caso, tem a prerrogativa de a contratação ser legal, mas imoral do ponto de vista de mau uso dos recursos dos contribuintes.

A nossa linda capital merecia sim uma festa digna dos seus 30 anos, mas não se pode perder a coerência do momento em que vivemos. O Tocantins e Palmas passam por um momento delicado. A saúde continua sendo o grande gargalo tanto do governo do estado quando da capital. As UPAs começaram a perder qualidade no atendimento e a cidade começa a enfrentar novamente o drama do mato e buracos. A prefeita Cinthia se preocupou em fazer uma festa linda, mas esqueceu que a população de Palmas está atenta para tudo que acontece.

Politicamente falando Cinthia Ribeiro segue ainda sem uma identidade própria. Virou prefeita da noite para o dia sem antes ter passado por um cargo político, sob eleição por voto direto do povo. A chefe do executivo utiliza até hoje do espólio político do seu falecido marido João Ribeiro. Só que visivelmente podemos ver que essa herança política do senador já foi passada para a deputada Luana Ribeiro. É fato que ou Cinthia começa a criar uma identidade própria ou pode correr o risco de sair da política antes mesmo de ter entrado.

Outro fator que vejo como obstáculo é o fato de a prefeita ter importado muita gente sem nenhum conhecimento de Palmas e do Tocantins. São pessoas que estão a sua volta para elogiar. O bom gestor precisa ouvir a voz de quem está no mínimo 200 metros de distância. São esses que podem falar o que realmente acontece. O antecessor Carlos Amastha só escutava a própria voz e a de quem o cercava. Falava muito e ouvia pouco. O final foi o que vimos. Terminou dando bom dia a cavalos. E pelo visto a prefeita caminha no mesmo rumo.

Palmas é uma cidade linda e próspera. Tem muito o que se explorar do ponto de vista econômico. O turismo pode ser fomentado. Temos a beleza do lago e o vale de cachoeiras de Taquaruçu. Palmas é a porta de entrada para o Jalapão. É importante mostrar para o turista que o passeio pode começar por Palmas. O empresário precisa de incentivo fiscal. O município precisa deixar de ser o grande gargalo para o comércio. A carga tributária precisa ser amenizada. Caso a prefeita consiga enxergar tudo isso ela pode ter certeza que jamais precisará usar de práticas populistas dançando nas feiras da capital. A população de Palmas não deseja uma prefeita cantora. O palmense deseja uma gestora. Se tiver entendimento para isso pode ter certeza que irá surgir uma nova figura na política. E não vai ser a Cinthia Ribeiro. Pode ser simplesmente a prefeita Cinthia. Para reflexão finalizo com essa frase de um escritor anônimo que acho belíssima: “Caminhante não há caminho, faz caminho ao caminhar”.  (Wibergson Gomes).

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