Thursday, 18 de July de 2019

POLÍTICA


Operação João de Bar

Prefeitura ameniza, mas PF continua no encalço

24 Jun 2008

Apesar da Prefeitura de Palmas adotar um discurso ameno, ao demonstrar uma situação de tranqüilidade, depois da primeira ação da Operação João de Barro, na semana passada, a Polícia Federal afirma que há indícios de irregularidades e que o prefeito Raul Filho (PT) pode depor a qualquer momento no caso da Operação João de Barro. A operação está sendo realizada, além do Tocantins, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal.

Cerca de mil policiais federais estão envolvidos nas investigações e estão cumprindo 231 mandados de busca e apreensão e 38 mandados de prisão temporária nesses Estados. A operação visa desarticular uma suposta quadrilha que teria desviado verbas de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para construção de casas populares e saneamento. O desvio acontecia com a compra de materiais de qualidade inferior ou com obras menores que as apresentadas nos projetos, ou ainda sem a realização delas. As investigações estão se concentrando na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte - MG, onde será realizada a análise dos documentos apreendidos. A PF calcula que aproximadamente 2 bilhões de reais seriam desviados. Até agora o desfalque estimado é de cerca de 700 milhões de reais.  

Os recursos liberados por emendas parlamentares eram financiados pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O ministro das Cidades, Márcio Fortes, declarou que os principais alvos da operação João de Barro são os contratos e a fiscalização das obras de saneamento e habitação, que estão sob a responsabilidade da Caixa. Ele ainda alegou que é preciso apurar a participação de servidores da financiadora na fraude.

No Tocantins, a única cidade que está sendo investigada pela Polícia Federal é Palmas, onde os policiais recolheram cópias de processos do PAC no valor de 40 milhões de reais. Além da busca à residência do prefeito, onde os policiais apreenderam documentos referentes a imóveis e propriedades, foram expedidos mandados de busca e apreensão também à Secretaria Municipal de Finanças e à residência do ex-chefe de gabinete do prefeito, Gustavo Coelho, de onde também foi recolhida a escritura de sua casa.

O prefeito Raul Filho alega que o motivo da busca na capital se deve ao fato de Palmas ter sido a sexta cidade brasileira a levantar o maior valor em recursos junto ao governo federal. Ele também se declarou surpreso com a acusação, porém afirma estar bastante tranqüilo com a operação.

A qualquer momento os prefeitos dos municípios envolvidos na suposta fraude poderão ser intimados a depor. E a Polícia Federal não descarta a possibilidade de pedir na Justiça a prisão dos chefes de executivo dos municípios envolvidos, caso as documentações apreendidas na operação confirmem a fraude. (com Agência Brasil)

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