Thursday, 18 de July de 2019

SAÚDE


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Diabetes não tira férias! Veja quais são os desafios para controlar a doença neste período

13 Jan 2019    17:27
Foto: TudoReceitas Diabetes não tira férias! Veja quais são os desafios para controlar a doença neste período

Se seguir a dieta durante o ano inteiro já é difícil, durante as férias essa
tarefa fica ainda mais complicada. Seja em casa ou viajando, as tentações
são mais frequentes – assim como as pequenas escapadas. Porém, para os 13
milhões de brasileiros que têm diabetes, a atenção precisa ser redobrada, a
fim de manter os índices glicêmicos adequados e controlar a doença: por
isso, boa alimentação e prática de exercícios devem continuar, assim como o
uso de medicamentos e a insulinização.

Insulinoterapia é considerada a alternativa mais difícil de ser aderida pelo
paciente, pois demanda aprendizado quanto ao seu preparo, técnica para
aplicação e monitorização do açúcar no sangue. Toda a rotina que envolve sua
administração pode ser deixada de lado nos dias de relaxamento; mas,
Fernando Valente, médico endocrinologista e Coordenador de Comunicação da
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), orienta: “O diabetes não tira
férias! É importante carregar a insulina em um estojo que a mantenha em
temperatura adequada, além das agulhas, seringas ou canetas de insulina,
aparelho para medir a glicose (glicosímetro), lancetas para furar o dedo e
fitas para a medição”.

Adolescentes estão no grupo de pessoas que mais apresentam dificuldade, já
que o jovem passa por sentimentos de rebeldia, necessidade de autoafirmação
e períodos de desleixo. Para que o diabetes não saia do controle, o apoio da
família e dos amigos, assim como boa relação entre médico e pacientes, são
fundamentais para superar os desafios e fornecer o suporte para resistir às
tentações – não só nas férias.

Ainda há muita resistência à insulinização, especialmente pelas ideias
errôneas que a associam com a proximidade da morte, aparecimento de
complicações do diabetes e dor. O especialista da SBD conta que “a aplicação
é bem tolerada e quase indolor se for feita corretamente. No entanto, pode
transformar-se em algo muito complicado se a mente cria uma expectativa de
dor. Alguns erros de aplicação podem torná-la dolorosa, como injetar
insulina ainda gelada, aplicar no músculo ao invés de na gordura subcutânea,
usar agulhas grandes sem fazer prega na pele, reutilizar agulhas, e aplicar
quando se está tenso. Contudo, atualmente, existem agulhas muito finas e
curtas que minimizam o desconforto. A sensibilidade para dor de cada pessoa
é diferente, mas a prática diária e o entendimento de que o tratamento é
necessário certamente tornam as coisas mais simples”.

Indicações

O médico endocrinologista explica que insulinoterapia é indicada quando o
pâncreas não produz insulina, ou a produz em quantidade insuficiente para
manter os níveis de açúcar no sangue normais apenas com comprimidos. Sua
prescrição é imediata quando o diagnóstico é de diabetes tipo 1, inclusive
para evitar complicações agudas da doença. Já no tipo 2, essa terapêutica
pode demorar para ser proposta ou aceita, o que faz com que o início do
processo sofra atraso médio de sete anos.

“Essa inércia terapêutica deixa o indivíduo exposto a níveis elevados de
açúcar no sangue por anos, aumentando muito o risco de desenvolver
complicações crônicas da doença, como insuficiência renal, infarto, derrame,
problemas na visão e nos nervos, que podem resultar em amputação. Estudos
mostram que, no Brasil, cerca de 90% das pessoas com diabetes tipo 1 e quase
75% dos com tipo 2 estão com os níveis de glicose acima dos valores ideais”,
ressalta Valente.

Para diabetes tipo 1, a insulinoterapia é para a vida inteira; fato que não
se repete, necessariamente, no tipo 2 da doença. “A insulina é o tratamento
mais potente para controlar o açúcar no sangue. No tipo 2, quando a glicose
está muito elevada, o pâncreas não consegue secretar insulina mesmo que
ainda tenha uma boa reserva desse hormônio, fenômeno conhecido como
glicotoxicidade. Muitas vezes, as aplicações de insulina são necessárias
para tirar a toxicidade provocada pelos altos níveis de açúcar no sangue
para que o pâncreas volte a funcionar suficientemente a ponto de se obter um
bom controle apenas com medicamentos orais”, conclui Fernando Valente.

(RS press)

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