Tuesday, 19 de November de 2019

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Governo do Estado leva mensagem de apoio a criação do Centro de Fortalecimento da Cultura Xerente

12 Oct 2019    12:57    alterado em 12/10 às 12:57

“Nossos antepassados lutavam para defender o que era deles, agora vocês estão aqui porque são nossos amigos”. As palavras do Cacique Dakburôikwa Xerente ecoaram na área já desmatada de 80x50 metros localizada na Aldeia Ktpo, distante cerca de 60 km de Tocantinía, que até o próximo ano estará abrigando o Centro de Fortalecimento da Cultura Xerente. O lançamento oficial do projeto controu com a presença da Agência de Desenvolvimento do Turismo e Economia Criativa (Adetuc), representantes dos clãs da etnia, da Prefeitura de Tocantínia, do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), e deverá ser um marco na preservação e difusão cultural da etnia, bem como um receptivo para o etnoturismo.

Conforme Srewe Xerente, presidente da União Indígena Xerente (UNIX), o projeto é financiado com recursos do Banco Mundial, por meio do Projeto BGM Brasil - Mecanismo de Doação Dedicado a Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais no âmbito do Programa de Investimento Florestal. A obra, que lembra o formato da copa de uma árvore, incluirá um centro de convivência central e seis krys (casas) nas laterais, cada uma simbolizando um dos clãs Xerente.

Srewe lembra ainda que o projeto envolve inicialmente 12 aldeias das 85 aldeias Xerente, sendo que a Ktpo foi escolhida para receber a obra por sua localização no centro do território indígena e como uma deferência ao ancião Dakburôikwa, de 76 anos e detentor da sabedoria do seu povo. “Um ancião é uma biblioteca para a gente”, explica o presidente da UNIX, lembrando que o projeto também inclui permacultura, desenvolvimento de oficinas de saberes tradicionais e desenvolvimento de roteiros turísticos. “Queremos garantir a autonomia Akwen, com geração de emprego e renda”, completa, lembrando que os Xerente se autodenominam Akwen.

O projeto arquitetônico é assinado por Tomaz Lotufo, da SemMuros Arquitetura Integrada, escolhido por meio de edital. O arquiteto esteve na Aldeia Ktpo em julho, para realizar oficinas com a comunidade, que opinou ativamente no desenvolvimento do projeto, e apresentou sua proposta durante o lançamento oficial. “A ideia é praticar a cultura Xerente e receber turistas neste espaço de convivência”, revelou.

Representando a Adetuc, a gerente de Fomento e Promoção da Cultura, Lívia Iwasse, enfatizou o apoio do Governo do Estado que, por meio da Agência tem desenvolvido vários projetos voltados para a preservação cultural e cidadania dos povos tocantinenses.

Segundo o superintendente de Cultura, Álvaro Júnior, entre os projetos que irão contemplar as etnias tocantinenses está o Aldeia Cidadã, o resgate das danças tradicionais e aulas de música, que deverão ser implatados em breve.  “Estamos trabalhando para oferecer aos indígenas melhor qualidade de vida, o fortalecimento da cultura, o incentivo a projetos voltados para a geração de emprego e renda”, resume.

O presidente da Adetuc, Tom Lyra, enfatiza a importância do etnoturismo no contexto do resgate cultural e da geração de renda. “O Brasil tem uma oferta muito baixa de postos de trabalho para os indígenas que vivem nas cidades, por isso é fundamental o fomento a ações que visem mantê-los em suas comunidades, mas com qualidade de vida”, pontua, lembrando que os projetos contam com o apoio do governador Mauro Carlesse, que inclusive já abriu as portas do Palácio Araguaia para ouvir demandas de algumas etnias.

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