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Sepot

Representantes de onze etnias foram ouvidos nesta quinta-feira, 17, no Palácio Araguaia, com a presença do vice-governador do Tocantins, Laurez Moreira.

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Rísia Lima e Rafaela Mazzola/Governo do Tocantins

Mais de 60 lideranças indígenas dos povos Apinajè, Awá-Canoeiro, Javaé, Kanela, Karajá, Karajá-Xambioá, Krahô, Krahô Kanela, Krahô Takaywrá, Tuxá e Xerente estiveram presentes, nesta quinta-feira, 17, no encerramento do primeiro Encontro dos Povos Originários do Tocantins, com a presença do vice-governador Laurez Moreira.

O evento, promovido pela Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais do Tocantins (Sepot), no Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos, em Palmas, serviu para levantamento de informações que darão base para a construção do Mapeamento Situacional dos Povos Indígenas do Tocantins.

Mapeamento Situacional

Ao longo de dois dias, a Sepot esteve ouvindo, apresentando e discutindo propostas com nove vereadores indígenas, dois prefeitos, representantes municipais, servidores públicos indígenas, órgãos do Governo Federal como Fundação Nacional dos Indígenas (Funai), Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis) Tocantins e Araguaia, representantes de associações e movimentos sociais indígenas, representantes das mulheres indígenas, além de caciques e outras lideranças dos povos originários.

Foi “uma demonstração de união e apoio mútuo, e do quanto precisamos trabalhar em alinhamento para levar as políticas públicas aos nossos povos”, declarou a secretária dos Povos Originários e Tradicionais, Narubia Werreria, referindo-se ao resultado dos trabalhos.

O encontro foi uma oportunidade para levantamento de informações sobre a realidade de cada povo, com suas demandas gerais e específicas. Um momento para identificar as principais necessidades em cada povo e elencar as prioridades a serem observadas pelos gestores, de forma conjunta e articulada.

Além deste momento, de ouvir os povos, a Sepot tem ido até as comunidades indígenas para verificar e vivenciar a realidade, observando, principalmente, as potencialidades locais de cada território e etnia a fim de desenvolver projetos que respondam às necessidades de melhoria das populações. “Diante do que já foi visto, estamos desenvolvendo uma agenda de visitas até o final do ano, para que nosso planejamento seja feito da melhor forma possível, observando a realidade e as necessidades dos nossos povos”, ressaltou a secretária Narubia Werreria.

Demandas dos povos

Durante a tarde, as lideranças apresentaram ao governador em exercício as principais demandas levantadas ao longo dos dois dias, 16 e 17. Foram citadas questões relativas a concurso público específico para indígenas, melhorias em infraestrutura, saneamento, estradas, habitação, segurança para as mulheres, educação ambiental e combate a incêndios, acesso à saúde, investimento em turismo, apoio ao empreendedorismo e ao artesanato.

Ações em andamento

Pontuando as ações da Sepot, a secretária Narubia Werreria destacou que o Governo do Tocantins, através da Sepot, tem articulado interinstitucionalmente para resolver os problemas. “Realizamos, recentemente, um Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços; está em discussão um projeto de piscicultura nas aldeias; iniciamos discussões sobre o acesso à saúde, segurança, moradia e educação; há recurso do Governo Federal, do programa Minha Casa Minha Vida”, lembrou a secretária.

Em relação à segurança das mulheres, a Secretaria está articulando junto à Polícia Federal e à Secretaria de Segurança Pública, a estruturação de uma rede de segurança integrada para atuação em casos de violência contra a mulheres, crianças e idosos indígenas.

A secretária Narubia Werreria Narubia destacou, ainda, o diálogo com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para desenvolver o empreendedorismo junto a indígenas que trabalham com artesanato. “Este diálogo é uma sequência de muitos outros que vêm sendo realizados para melhoria da qualidade de vida e ampliação de oportunidades para nossos povos”, disse. Em andamento, também, está a negociação de um espaço para construção da Casa de Cultura Indígena, com projeto arquitetônico desenvolvido pela UFT e UniCatólica.

Em sua fala, o vice-governador, Laurez Moreira, ressaltou a importância de se ouvir e acolher as demandas da população, “as coisas começam assim, ouvindo, e vocês falando o que necessitam. Ao final, iremos sentar, separar as demandas e distribuir para cada secretaria”. Em resposta ao apontamento da necessidade do desenvolvimento de etnoturismo, o governador ressaltou estar alinhado com o deputado Ricardo Ayres, que irá destinar uma emenda parlamentar para a construção de um centro de eventos na Ilha do Bananal e que, este, por sua vez, além de promover o desenvolvimento cultural e econômico, também atrairá melhorias em infraestrutura nas vias de acesso. Ao final de sua fala, o vice-governador reafirmou o compromisso do Governo para com os desafios enfrentados pelos povos, “estamos começando a abrir as portas para os povos indígenas. Vocês podem passar as reivindicações à Narubia para encaminhar para cada secretaria competente.”

O deputado federal, Ricardo Ayres, reforçou seu apoio aos povos originários e destacou haver emenda destinada para viabilizar o projeto do centro de eventos. O deputado destacou, ainda, a necessidade de união entre os gestores indígenas para se fortalecerem, mutuamente, neste momento em que se tem abertura ao diálogo e apoio nos governos Federal e Estadual.

Representatividade

“Nunca vi uma reunião tão bonita, as dificuldades são iguais, então precisamos caminhar todos juntos”, expressou o cacique Natanael Karajá.

“Foi um passo muito positivo a criação da Sepot, porque mostra a disposição em ouvir as comunidades e trazer uma resolução para os problemas apresentados. A política da inclusão fortalece muito o movimento indígena”, avaliou a presidente da Associação do Povo Awá, Kamutaja Silva Awa.

Participaram do encontro, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) Araguaia e Tocantins, vereadores indígenas, Conselho das Organizações Indígenas Javaé da Ilha do Bananal (Conjaba), Instituto Indígena do Tocantins (Indtins), Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (Arpit), Instituto dos Caciques e Povos Indígenas da Ilha do Bananal (Icapib), caciques e lideranças dos povos originários, o vice-governador Laurez Moreira e o deputado federal Ricardo Ayres e diversas associações indígenas.

Edição: Rísia Lima/Governo do Tocantins

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