Em meio ao retorno às aulas, após as férias escolares, os sentimentos se entrecruzam nas trilhas de pensamento que unem a realidade familiar e escolar. Algumas famílias aliviadas pelo término dos possíveis momentos ociosos das crianças, que sem dúvida, foram valiosos; outras apreensivas com uma nova adaptação; outras ainda preocupadas com aqueles apontamentos recebidos como feedback de um primeiro semestre letivo.
A permanência da criança, do estudante, na escola, é fundamental, pois mesmo antes da idade obrigatória, que pela Lei 12.796/13, corresponde aos quatro anos, o ambiente de interação coletiva revela aspectos do desenvolvimento global que são importantes pistas para uma tomada de decisão que determina os próximos passos da formação psicossocial durante a primeira e segunda Infância.
A realidade de cada sujeto ser um indivíduo único, não afasta da família, e da escola, a responsabilidade quanto a atenção para com os marcos do desenvolvimento. De forma que sinais de atraso, seja na linguagem comunicacional, verbalizada, seja no estabelecimento das interações sociais e correspondências, como por exemplo, direcionar o olhar para o interlocutor que fala, são alertas emitidos principalmente pelos educadores das Infâncias.
Muitas etapas são superadas até que a decisão por ações interventivas para além da escola sejam implementadas, então, a sensibilidade sempre é o caminho mais acertado.
Por parte da escola, a profissionalização das falas que revelam a preocupação quanto aos aspectos observados, de maneira clara, concisa e respeitosa, resguardada a devida cautela quanto à não emissão de juízos, e sim, encaminhamentos, pois quanto mais cedo a intervenção frente a um atraso, maior a chance de que a criança tenha acesso à aquisição de novas habilidades.
Por parte da família, a sensibilidade quanto ao acolhimento dos aspectos trazidos pela escola, que podem significar um atraso de ordem patológica, de ordem comportamental, e/ou emocional, sendo possível que em casa a criança apresente um determinado padrão social, e na escola, outro.
O diálogo sobre o que é observado no ambiente familiar, e o que é observado no ambiente escolar, não se manifesta como um caminho em busca de culpados pelo comportamento apresentado, e sim, de compreensão acerca da linguagem que a criança manifesta, ao evidenciar que algo não está a contento.
Os comportamentos serão sempre vinculados ao desenvolvimento interno do sujeito e ao ambiente externo, o que justifica a importância da parceria e do diálogo franco, respeitoso, que leve à compreensão dos aspectos que precisam ser trabalhados para que o convívio social da criança tenha elementos positivos para si e para os demais.
Assim, um retorno ao ambiente escolar é sempre uma nova chance de compreensão adulta quanto às melhoras escolhas que respeitem os ritmos das Infâncias, sem a negligência de confiar que apenas o elemento tempo é suficiente para o desenvolvimento biopsicossocial.
Os estímulos certos sempre apontam para caminhos de maior felicidade e respeito às crianças, sujeitos de direito, que no momento geracional específico em que se encontram, necessitam da atenção e responsabilidade para com a potência do desenvolvimento humano. Exigindo assim, que as ações sejam permeadas de menos culpas, e muito mais diálogo.