Durante vinte dias, Palmas viveu o período mais emblemático de sua história. Em nome de “Deus”, o punhal do pastor Carlos Velozo, que apunhalou o peito do prefeito Eduardo Siqueira Campos, foi sentido por toda a população de Palmas que o elegeu. O desmonte da gestão Siqueira Campos em nome da fé evangélica e de um poderoso grupo empresarial, Monte Sião, era orquestrada pelo conhecido pastor Amarildo Martins, da Assembleia de Deus de Madureira, aquele que tempos atrás foi expurgado da política tocantinense por envolvimento no esquema de desvios de recursos na compra de ambulâncias, batizado de Escândalo das Sanguessugas, ou Máfia da Ambulâncias. Calçado pelo tio pastor e o grupo Monte Sião, o ex-prefeito interino promoveu em Palmas um verdadeiro festival de paraquedistas, que sem nenhum conhecimento da Capital vieram de Brasília com um só objetivo: a tomada do poder de forma sorrateira. Esse grupo fundamentalista religioso agiu através do partido Agir para desmontar o governo de maior aprovação popular que a Capital já teve desde a sua fundação.
Enquanto estava cumprindo prisão por determinação do STF nas investigações da Operação Sisamnes, sem qualquer fundamentação de improbidade administrativa em relação à gestão de Palmas, o prefeito Eduardo Siqueira Campos e sua equipe viu sendo erguida em Palmas e nos bastidores em Brasília um verdadeiro arsenal de guerra com o intuito de tomar o poder pela força. A investida contou com a participação de vários veículos de comunicação, que passaram a publicar matérias injuriosas com o intuito de desmoralizar o prefeito Eduardo Siqueira Campos e toda sua história ao lado do seu pai, o ex-governador Siqueira Campos. Com o punho erguido para o alto, o “pastor prefeito” Carlos Velozo (Agir) agiu rápido em nome da fé e de Deus para transformar Palmas em campo fértil para o fundamentalismo religioso e econômico do grupo que lhe dava sustentação. Nem mesmo “Jesus”, aliado e homem de confiança de Eduardo Siqueira escapou do crivo das demissões do pastor prefeito.
O capítulo negro da história política de Palmas teve fim na noite da última quinta-feira, 17, quando o ministro Cristiano Zanin, do STF, acatou o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela soltura e retorno de Eduardo Siqueira ao cargo de prefeito Minutos depois da publicação da decisão, podia-se escutar nos quatro cantos da cidade bombas e fogos de artifícios em comemoração ao retorno do prefeito. Mesmo em recuperação de um infarto e seguindo orientação de repouso, Eduardo Siqueira Campos se dirigiu ao Orquidário de Palmas para falar com a imprensa, autoridades e populares. Em seu discurso, carregado de emoção, Eduardo falou que durante todo o tempo sentiu a presença do seu pai Siqueira Campos e da sua mãe, dona Aureny Siqueira Campos. Falou que antes da publicação das exonerações, no Diário Oficial, ligaria para todos aqueles que foram colocados na gestão durante sua ausência, como forma de respeito.
Diante de tudo que aconteceu nos últimos dias, o que ficará de lição para Eduardo Siqueira Campos? Creio que apesar de toda a experiencia adquirida ao lado de Siqueira Campos, que foi imortalizado como fundador de um Estado e de sua capital planejada Palmas, Eduardo aprendeu que não se pode confiar em um homem que usa o nome de Deus para justificar todas as suas atitudes. Aprendeu que a mistura de política com fé e fundamentalismo religioso pode arruinar a construção de uma cidade que foi planejada para ser moderna e independente. Essa foi a lição recebida por Eduardo Siqueira nessa intentona fundamentalista que quase lhe custou o mandato e jogou toda uma população nas mãos de alguém que, no passado recente, “sugou o sangue” daqueles que necessitavam de uma ambulância para salvar suas vidas.
No último editorial que escrevi sobre este assunto, falei do poder que Eduardo Siqueira tem de superar desafios e de se reinventar diante das circunstâncias. Detentor da alcunha de herdeiro número 1 do espólio político do seu pai, Siqueira Campos, Eduardo terá pela frente o desafio de ressignificar sua gestão, agora livre de compromissos de campanha em relação a todos aqueles que lhe traíram nos últimos vintes dias. O prefeito tem, a partir de agora, a liberdade absoluta de fazer todas as mudanças necessárias, a começar pela Secretaria da Educação, que clama por um nome que respeite todas as demandas que aquela pasta necessita. Que a Zeladoria, menina dos olhos do prefeito Eduardo Siqueira, seja conduzida por alguém de sua extrema confiança, já que o ex-prefeito e vereador afastado, Carlos Amastha (PSB), também está entre os nomes que seguiram o projeto de governo desastroso do pastor Carlos Velozo.
Na ida para o Orquidário de Palmas na noite dessa quinta-feira, falei para minha amiga Joana Castro, viúva do nosso saudoso Salomão Wenceslau, editor perpétuo d’ O Jornal, que ontem, com um pé no chão, o prefeito Eduardo Siqueira Campos fez Palmas inteira tremer, e se bater o outro pé faz tremer o Tocantins inteiro, virando assim o candidato a governador com maior potencial de vitória nas próximas eleições. O ex-governador Siqueira Campos tombou em um mini trio elétrico nas ruas de Palmas durante uma campanha para voltar ao comando do Palácio Araguaia. Perdida a eleição após o fatídico acidente, ficou sete anos em autoexílio, voltando a falar ao povo do Tocantins pelas páginas do Jornal O Girassol com a matéria intitulada: “Aos que magoei, peço perdão”. Nos dias seguintes à publicação, o Tocantins viu nascer o velho “Siquerido”, que logo em seguida ocupou novamente a cadeira principal do Palácio Araguaia, levado pelos braços do povo.
Quando falei no editorial anterior no poder de superação de Eduardo Siqueira, foi com base no conhecimento da sua herança política. A matéria do perdão do velho Siqueira Campos foi publicada nas páginas do O Girassol, atendendo a um pedido do agora prefeito de Palmas Eduardo Siqueira que, naquela época, em um encontro na sua casa, me falou “Gomes, meu pai quer falar ao povo do Tocantins e ele escolheu o Jornal O Girassol para dar a entrevista”. A matéria foi publicada e o marqueteiro Duda Mendonça devolveu ao Tocantins o Siquerido.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez justiça e devolveu ao povo de Palmas o seu prefeito eleito de forma democrática. A campanha vitoriosa de Eduardo Siqueira que brotou nos Jardins que carregam o nome da sua mãe, dona Aureny Siqueira Campos, deve ser respeitada porque tem a chancela da vontade popular. Que os usurpadores do poder sejam julgados e condenados pela história. Que Palmas continue sendo guiada pelo sol e jamais seja vilipendiada por aqueles que outrora sugaram o sangue dos inocentes. Que o prefeito de Palmas Eduardo Siqueira Campos, através do Diário Oficial, corte toda erva daninha que ameaçou cobrir Palmas nos últimos dias. Que o prefeito e sua esposa Polyanna Siqueira Campos orem em agradecimento a Deus na Catedral Metropolita de Palmas, situada na Praça dos Girassóis. Que os estampidos dos rojões disparados nos Jardins Aureny na noite dessa quinta-feira, 17, ecoem de Palmas ao Bico do Papagaio para que o Tocantins inteiro saiba que Siqueira Campos continua vivo.
Para os que seguiram o “pastor prefeito”, deixo aqui um ditado popular lá do Gongomé, do eterno jornalista Salomão Wenceslau: “Galinha que acompanha pato morre afogada”
Wibergson Estrela Gomes – Editor – O Girassol – 25 anos.