O Tocantins está seguindo à risca a mesma dinâmica da conjuntura política nacional. A corrida pela sucessão antecipada que permeia os holofotes em Brasília e assombra o presidente Lula (PT) também tem revelado, na política tocantinense, os fantasmas que rondam o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Os áudios vazados de uma conversa privada da senadora Dorinha Seabra (UB) expuseram conchavos nos bastidores da política local, que nem mesmo o governador imaginava existir. Aliados com cargos importantes dentro do Palácio Araguaia, no caso específico do senador Eduardo Gomes (PL), que possivelmente transitava do outro lado da ponte em relação aos interesses palacianos, deixaram o governador Wanderlei certo de que a pulga atrás da orelha não era mera intuição, e sim um possível fato orquestrado.
A ruptura política com um dos nomes mais fortes do PL no Tocantins, no caso a deputada Janad Valcari, hoje oposição declarada ao Palácio, colocou o vice-presidente da mesa diretora do Senado, Eduardo Gomes (PL), em uma “sinuca de bico”. Se não bastasse a fala em off da senadora Dorinha Seabra afirmando ser Gomes o seu preferido a compor sua chapa majoritária, em seguida vem a dinamite disparada contra o governo Wanderlei Barbosa por parte da sua principal aliada no PL Tocantins. O que chama a atenção nos dois casos é o silêncio sepulcral do senador Eduardo Gomes, que em momento nenhum desmentiu conversas com a senadora Dorinha e tampouco entrou em campo, no sentido de pacificador, junto à deputada Janad Valcari em defesa do governador.
Em meio aos dois episódios turbulentos que ainda provocam faíscas sobre o Palácio Araguaia, veio a decisão do vice-governador Laurez Moreira (PSD), agora deitado no leito do principal opositor do governador, o senador Irajá Abreu (PSD). Essa movimentação do vice-governador Laurez Moreira somente corroborou as suspeitas do governador de que realmente seu vice conversava com seus principais adversários no intuito de desestabilizar a gestão com uma possível cassação do seu mandato. Se o vice-governador Laurez Moreira confabulava ou não a queda do governador, o fato é que o ninho onde ele se alojou foi justamente o apontado por Wanderlei quando rompeu a parceria, alegando traição.
Depois de todo esse fogo cruzado, restou ao governador Wanderlei Barbosa um único aliado, no caso Amélio Cayres, que desde o início e até hoje tem demonstrado fidelidade ao seu projeto político. Nessa atual conjuntura, seria uma decisão inteligente o governador concluir seu mandato com mais de 80% de aprovação e eleger seu sucessor de total confiança. Se tomar essa decisão, certamente sairá do Palácio Araguaia com estatura política maior do que quando entrou, pois demonstrará ao povo que seu projeto não é meramente pessoal, e sim de preocupação com os rumos do Estado que governa.
Caso o presidente Amélio Cayres consolide sua candidatura e saia vencedor, o Tocantins terá no Palácio Araguaia seu primeiro governador oriundo do Bico do Papagaio, região em polo extremo com o administrativo do Estado. Talvez seja essa a intenção do governador Wanderlei Barbosa, de perceber a necessidade de descentralizar o poder para uma região que foi esquecida por muitos governos que o antecederam.
Enquanto não chega o período das convenções. resta ao governador Wanderlei Barbosa separar o joio do trigo, tomando decisão parecida com a do presidente Lula em Brasília, que elegantemente convidou a se retirarem do seu governo todos aqueles que não conseguem defendê-lo.
Aconselho aos “aliados” do governador Wanderlei Barbosa que seria bom terem cuidado com o poder devastador das mídias eletrônicas. Até mesmo nos tempos remotos da extinta União do Tocantins (UT), agremiação da qual o governador Wanderlei e quase todos aqui citados foram alunos, na época rezava a “lenda” de que seu líder maior, Siqueira Campos, só confiava no sopro que vinha da Serra do Carmo em direção ao leito do Rio Tocantins, hoje lago de Palmas, porém com um detalhe, mergulhado nas águas quentes do caudaloso rio até o pescoço.
“A política ama a traição e odeia o traidor” – Leonel Brizola.
Wibergson Estrela Gomes – Editor do O Girassol – 25 anos.