Carregando...

OPINIÃO

“Nunca ofereça conselhos a quem não te pede conselhos, nem fale para quem não quer ouvir” – Siqueira Campos

edicao-historica-do-jornal-o-girassol-com-entrevista-dada-por-siqueira-ao-jornalista-marcelinho-silva-com-pedido-de-perdao-antes-do-seu-ultimo-retorno-ao-palacio-araguaia-foto-divulgacaoreproducaopng.jpg

Desde sua criação até hoje, o Tocantins contou somente com um grande líder, o ex-governador Siqueira Campos. Foi ele o único político que enxergou com precisão o tamanho e grandiosidade do antigo “nortão goiano”, hoje Tocantins.  Foi somente ele que conseguiu entender a dimensão, não somente geográfica, do estado, mas também a força do seu povo. Foi ele que conseguiu materializar o anseio secular de libertação de um povo esquecido em meio ao sofrimento e falta de amparo das políticas públicas. Foi ele que, em um sonho feliz, fez Palmas brotar no meio do Cerrado, mostrando para o Brasil e o mundo todo o seu esplendor. Foi ele que pensou de forma genial tudo que era preciso um estado ter para se apresentar grande perante a nação. Isso vai desde a arquitetura moderna e imponente dos palácios que abrigam os três poderes até os elementos artísticos que embelezam a Praça dos Girassóis e outros pontos da capital. 

Único estadista nesse rincão nortense com trajetória gloriosa na vida pública, qual foi o seu principal ensinamento? O que seus sucessores aprenderam? Quais ensinamentos seus seguidores tiveram a oportunidade de compreender? Qual legado deixou a extinta União do Tocantins (UT), maior conglomerado de partidos, em termos de aprendizado para as futuras gerações de políticos?  Qual legado outro político tocantinense, fora Siqueira, deixou para servir de exemplo? Em meio a tantas perguntas, é certo dizer que o velho líder, em idade avançada, viu quase todos aqueles que poderiam ter aprendido algo sucumbirem em vaidades, corrupção e interesses pessoais. Se ainda estivesse vivo, o que diria Siqueira hoje, tendo novamente acesa a esperança de passar o bastão para o filho Eduardo Siqueira, em quem sempre apostou suas fichas e que na última eleição, comprovando a força do seu DNA, retornou ao comando da capital com a mesma habilidade do passado?  

Em meio a tantas afirmações e perguntas, o que ficou de lição do legado de Siqueira Campos, que em quatro décadas de vida pública conduziu o estado do Tocantins de forma direta ou indiretamente, muitas vezes com mão de ferro? O que fez de Siqueira Campos a liderança mais respeitada do norte brasileiro? Na opinião deste jornalista, muitos podem pensar que teria sido a grande maioria dos políticos e agremiações políticas que ele conseguiu arregimentar em defesa do seu ideal de desenvolvimento para o recém-criado Tocantins. Mas, ao meu ver, o que fez Siqueira Campos ser medido e ter o tamanho do Tocantins pode ser resumido em uma única palavra: o POVO. A força de Siqueira Campos não vinha dos seguidores que o cercavam, sempre com frases feitas, no intuito de agradar ou tirar algum proveito. O velho líder sempre buscava e encontrava no povo a compreensão e resposta de tudo aquilo que o Tocantins precisava para ser grande. Foi com os olhos voltados para o povo que Siqueira se fez medir e entender até mesmo por aqueles que eram contrários aos seus ideais.

O que aprenderam seus sucessores?

O que os posteriores ocupantes da principal cadeira do Palácio, que carrega seu nome, aprenderam de seus ensinamentos? Categoricamente, posso afirmar que muito pouco ou quase nada.  Quase todos sucumbiram seus governos em investigações, condenações por corrupção ou em vaidades. De Siqueira Campos aos dias atuais, o Tocantins virou palco de escândalos sucessivos. Ex-governadores cassados, condenados, presos e investigados. Dos óculos a perder de vistas às cestas básicas de papel, o tocantinense assiste perplexo a uma novela que teve início há mais de uma década e não tem previsão para acabar. Com dois ex-governadores presos no passado, e outro atualmente encarcerado, a população escuta estarrecida, à luz do dia, comentários do tipo “basta gastar uma boa grana em Brasília que tudo fica travado e não em nada”. A sensação de impunidade vivida pelo tocantinense já chegou no limite da tolerância. Enquanto isso, as riquezas e belezas naturais que poderiam ser exploradas em benefício de todos os tocantinenses acabam servindo de barganha nas mãos de uma minoria que ocupa posições estratégicas na política. Esses sanguessugas estão espalhados pelos parlamentos, prefeituras e Palácio. 

Dois pupilos, um em Brasília, outro em Palmas

Em termos de ensinamentos, o que os pupilos Eduardo Siqueira e Eduardo Gomes aprenderam do velho líder? O resultado da eleição de Palmas em novembro de 2024 pode servir de parâmetro do que cada um absorveu ao longo do tempo convivendo com Siqueira Campos.  O último pleito da capital foi palco da disputa não de Eduardo Siqueira (Podemos) com Janad Valcari (PL) e sim dos dois alunos do velho professor Siqueira Campos, Eduardo Siqueira x Eduardo Gomes. De um lado, Eduardo Gomes ergueu em praça pública toda aquela gigantesca estrutura que remontava ao poder glorioso da extinta União do Tocantins (UT), com todas lideranças imagináveis e inimagináveis. Do outro lado, o palmense viu de volta o “jovem garoto” de outrora Eduardo Siqueira Campos, de cabelos grisalhos e marcas do tempo, com girassóis nas mãos demonstrando amor pelo chão que ele ainda jovem ajudou a transformar em cidade. Ao meu ver, nessa “prova”, o aluno reprovado, no caso Eduardo Gomes, enxergou somente a grandiosidade da outrora estrutura da UT mencionada no início desse texto, enquanto Eduardo Siqueira apostou no que o professor sempre mais valorizou, o povo. Do colégio chamado União do Tocantins (UT) e seu mentor Siqueira Campos, os dois aprenderam todas as expertises e nuances que existem na arte da política. No antagonismo que os separou, no episódio da sucessão em Palmas, Eduardo Siqueira mostrou para o ex-colega que na política, mais importante do que o poder econômico, o jogo das alianças e o grandioso palco é tocar o coração do povo.

Eduardo Siqueira: a volta do “trator”

Como é possível perceber que as lições do pai estão sendo seguidas nessa nova fase da vida pública de Eduardo Siqueira? É simples, basta ver que o velho “trator”, definição dada no passado a Siqueira Campos, está de volta. Eduardo Siqueira tem se debruçado de domingo a domingo para resolver o caos deixado pela gestão desastrosa da sua antecessora Cinthia Ribeiro. Sistema de transporte público colapsado, buracos espalhados por toda a cidade, lixo e mato acumulados foram os presentes deixados pela ex-prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), para a população de Palmas nos últimos meses de gestão. Além de toda bagunça estrutural, o prefeito herdou dividas que até então chegam a mais de 300 milhões. O “trator” Eduardo Siqueira Campos terá pela frente o desafio de colocar Palmas de volta nos trilhos, lhe devolvendo saúde econômica, a autoestima dos moradores, além de fomentar a economia com foco em projetos que fortaleçam o turismo e comércio.

Eduardo Gomes na Mesa do Senado

Os ensinamentos do velho Siqueira também contribuíram para o sucesso de Eduardo Gomes? Claro que sim. Agora sentado na Mesa Diretora do Senado como primeiro vice-presidente, o senador Eduardo Gomes (PL) assume posição de orgulho e prestígio para o Tocantins. A ascensão do liberal ao cargo de primeiro vice-presidente do Senado Federal o coloca em posição estratégica na definição do cenário político que se desenha para as eleições de 2026. É inegável o poder de articulação do senador durante toda sua carreira política. Mas diante dos últimos resultados eleitorais no Tocantins, em que o liberal amargou a derrota do aliado Ronaldo Dimas para o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), e no último pleito o desfecho fracassado da candidata do seu partido Janad Valcari (PL) para o prefeito Eduardo Siqueira, talvez seja a hora de o senador repensar sua postura e estratégia de atuação em temas que realmente o aproximem do povo.

Tendo que se defender das acusações apresentadas pela Polícia Federal, que recomenda à PGR investigar um possível envolvimento no esquema de desvios de emendas parlamentares no âmbito da Operação Emendário, Gomes terá pela frente o desafio de provar sua inocência, além de se adaptar no cenário atual de polarização política que vive o Brasil e o mundo. O senador Eduardo Gomes precisa repensar pautas conservadoras defendidas por seu partido e aliados de direita. Talvez seja o momento também de o senador entender que a grande maioria do eleitorado tocantinense nunca viu nem ouviu falar da sigla IA (Inteligência Artificial), tão debatida e defendida como prioridade em seu mandato. Os últimos resultados contabilizados por Eduardo mostraram que as “lideranças”, aquelas que receberam emendas, hoje motivo de investigações, muitas vezes não transferem nem os votos de seus familiares. Nesses dois últimos anos do seu mandato de senador, ainda dá tempo de deixar de lado o “bolsonarismo” desgastado com suas motociatas fracassadas e abraçar pautas de defesa e inclusão social defendidas pelo governo Lula. É tempo de repensar posturas e excessos de ostentação, já que o poder é dado por aqueles despidos de tais vaidades.

O que diria Siqueira Campos do atual cenário político?

Do outro lado, numa coletiva de imprensa, o que diria o velho Siqueira Campos sobre o momento atual para os seus sucessores e seus pupilos?  Sala lotada, na entrada já pode ser avistada Kibe Barreto abraçando a todos com boas risadas. Mais adiante com suas máquinas fotográficas no ponto para disparar seus flashs, Elcio Caldas, Edson Lopes e Bala. Sentados mais à frente Otavio Barros, Iberê Barroso, Salomão Wenceslau e Gilson Cavalcante discutem os detalhes para o bloco Filhos da Pauta em um descontraído dedo de prosa. De repente o velho Siqueira entra na sala e o silêncio paira, quebrado apenas pelos barulhos dos disparos das câmeras fotográficas. Novamente o silencio é quebrado pelo jornalista Gilson Cavalcante, que dispara a primeira e única pergunta: governador, qual recado mandaria para os que te sucederam no Palácio Araguaia e para seus pupilos que estão do outro lado, um em Brasília, sentado na mesa do Senado, e o outro no comando da capital? ‘Diria que sentem na cadeira do Palácio despidos de suas vaidades e interesses pessoais. O poder que emana do povo deve ser devolvido ao povo em forma de cuidados e benefícios coletivos e não para grupos particulares. Em relação a meus pupilos, digo que o senador Eduardo Gomes, que muito orgulha os tocantinenses pela posição privilegiada na Mesa do Senado, graças a sua disposição e articulação, use da sua inteligência natural para levar benefícios que cheguem aos menos favorecidos. Que meu filho Eduardo Siqueira não desligue o trator e faça com que Palmas volte a girar com a mesma força do sol. Que ele faça nossa capital ser medida com a mesma grandiosidade que tem o Tocantins. Por fim, digo a todos eles que, despidos de seus interesses pessoais, mostrem para o Brasil e o mundo que o Tocantins é gigante.

“Nunca ofereça conselhos a quem não te pede conselhos, nem fale para quem não quer ouvir” – Siqueira Campos (frase pronunciada em sua última coletiva de imprensa no Palácio Araguaia).

Wibergson Estrela Gomes – Editor de O GIRASSOL. 

Relacionados

Edição histórica do Jornal O Girassol com entrevista dada por Siqueira ao jornalista Marcelinho Silva, com pedido de perdão, antes do seu último retorno ao Palácio Araguaia.

Créditos:Divulgação/Reprodução.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Para pesquisadores, planos deixam de ser amplamente debatidos

Vice-presidente afirmou que plano de socorro está em elaboração

Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Jornada de trabalho dos ocupantes dos cargos de Jornalista e Repórter Fotográfico do Estado do Tocantins passa a ser de 25 horas semanais

Corpo foi descartado em terreno baldio, sendo totalmente carbonizado após moradores atearem fogo em entulhos sem perceber a presença do mesmo

Solicitações de emissão ou reimpressão podem ser feitas na sede da ATCP e nas unidades do Resolve Palmas JK e Taquaralto; recarga também pode ser feita também pelo aplicativo Sou Recargas

Lia Mara/Secom Palmas.

Parceria com a Energisa resultou em doações de brinquedos que deixarão o espaço mais acolhedor para as crianças