A candidata ao Governo do Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil), participou, neste sábado (17), de um encontro com mais de mil mulheres no Jardim Aureny II, em Palmas, segundo a organização do evento. Durante a mobilização, denominada “Elas por Ela”, a candidata ouviu relatos de violência, dificuldades financeiras, maternidade e desafios enfrentados por mulheres que precisam conciliar trabalho e cuidados familiares.
Ao longo do encontro, Dorinha apresentou propostas para ampliar a rede de proteção às mulheres, facilitar o acesso ao crédito para empreendedoras, oferecer assistência às mães solo e fortalecer os serviços destinados às pessoas com deficiência e suas famílias.
Mãe de vítima de feminicídio pede justiça e proteção
Um dos momentos do encontro foi o relato de Edilene Cavalcante, que perdeu a filha Tatiana, de 25 anos, vítima de feminicídio, segundo seu depoimento. O crime teria ocorrido há 45 dias e deixou uma criança de três anos.
“É muito triste ele olhar todo santo dia para mim e falar: eu estou com saudade da minha mãe. O que falar para uma criança dessa?”, questionou.
Diante do relato, Dorinha afirmou que acompanhará o caso e cobrará providências. A candidata também prometeu ampliar as delegacias especializadas, fortalecer o monitoramento eletrônico de agressores e implantar novas unidades da Casa da Mulher Brasileira em municípios como Araguaína e Gurupi.
“Nós não queremos morrer. Ninguém tem o direito de tirar a nossa vida”, declarou.
Crédito e qualificação para mulheres empreendedoras
A autonomia financeira também esteve entre os temas debatidos. Dorinha defendeu a ampliação do acesso ao crédito e à qualificação profissional como alternativas para mulheres que enfrentam dificuldades econômicas, inclusive aquelas que permanecem em relacionamentos violentos por dependência financeira.
A empreendedora Ruth Almeida, que já trabalhou como quebradeira de coco, doméstica e merendeira, relatou sua trajetória de trabalho e questionou quais oportunidades seriam oferecidas às mulheres que desejam abrir ou ampliar pequenos negócios.
Em resposta, a candidata propôs linhas de financiamento com garantia do Estado, para facilitar o acesso ao crédito de empreendedoras que não possuem avalista. Também mencionou parcerias com o Sebrae, o Sistema S, institutos federais e universidades para a oferta de cursos profissionalizantes.
“Nós vamos investir em qualificação, mas vai ter dinheiro”, afirmou.
Produtoras rurais cobram regularização e apoio à comercialização
As dificuldades enfrentadas pelas mulheres do campo também foram apresentadas durante o encontro.
A produtora Inara Machado, viúva há dois anos, destacou a necessidade de regularização fundiária, segurança jurídica e licenciamento ambiental para garantir a continuidade das atividades rurais.
Dorinha afirmou que pretende buscar a transferência de terras da União para o Estado e avançar na regularização de propriedades, assentamentos e comunidades quilombolas.
Já Regina Pereira chamou a atenção para a falta de equipamentos e a dependência de atravessadores na comercialização da produção dos pequenos agricultores.
A candidata apresentou propostas para fortalecer associações e cooperativas, ampliar o acesso a máquinas agrícolas e financiamento e incentivar cadeias produtivas como as do mel, da mandioca e das hortaliças.
Mães solo pedem condições para trabalhar e estudar
Aline Martins, de 27 anos, mãe solo e estudante, relatou as dificuldades para conciliar maternidade, trabalho e formação profissional.
Dorinha assumiu o compromisso de construir creches em parceria com os municípios e criar um auxílio financeiro destinado às mães solo até que os filhos completem seis anos.
A jovem Maju Braga, que votará pela primeira vez, também participou do encontro e manifestou preocupação com a possibilidade de abandonar os estudos para contribuir com a renda familiar.
A candidata apresentou propostas para ampliar a formação profissional no ensino médio, incentivar estágios e criar oportunidades de primeiro emprego.
Idosos e famílias de pessoas com deficiência também apresentam demandas
Aos 76 anos, Iracema Acácio relembrou sua participação na mobilização pela criação do Tocantins e questionou quais políticas seriam oferecidas à população idosa.
Dorinha apontou como prioridades o fortalecimento da atenção à saúde, a criação de espaços de convivência e a ampliação de serviços de atendimento durante o dia, além de oportunidades para idosos que desejam continuar trabalhando.
Outro depoimento foi o de Rosa Helena, mãe de um jovem autista de 17 anos e integrante do Instituto Anjo Azul. Ela relatou a sobrecarga enfrentada por mulheres que precisam interromper a carreira profissional para acompanhar os filhos.
“Quem cuida de uma pessoa com deficiência também precisa ser cuidada”, afirmou.
Em resposta, Dorinha prometeu ampliar os serviços de atendimento às pessoas autistas e neurodivergentes nos municípios, além de oferecer acompanhamento psicológico, proteção social e apoio financeiro às famílias.
“Enquanto elas cuidam dos seus filhos, quem tem que cuidar delas é o Estado”, declarou.
O encontro terminou com compromissos apresentados pela candidata em áreas como segurança, assistência social, educação, empreendedorismo e inclusão, que dependerão de implementação caso seja eleita.