O PSD protagonizou, nesta terça-feira (7), um dos movimentos políticos mais significativos da pré-campanha eleitoral de 2026 no Tocantins. Em uma única coletiva de imprensa, o senador Irajá Abreu anunciou a técnica de enfermagem, assistente social e pastora Ivanete Lima como pré-candidata ao Senado e confirmou o ex-governador Mauro Carlesse como suplente em sua chapa à reeleição.
O que parecia ser apenas a apresentação de uma estratégia eleitoral acabou evidenciando uma divergência pública entre as principais lideranças do partido.
Poucas horas após a coletiva, o presidente estadual do PSD, vice-governador e pré-candidato ao Governo, Laurez Moreira, afirmou que o lançamento da candidatura de Ivanete contraria o entendimento político firmado entre PSD e PT para a eleição de 2026. Segundo ele, o acordo previa a candidatura de Irajá à reeleição e o apoio do PSD ao ex-deputado federal Paulo Mourão para a segunda vaga ao Senado.
Além de discordar da decisão, Laurez revelou que sequer foi comunicado sobre a realização da coletiva.
A declaração tem peso político porque parte justamente do presidente estadual da legenda, responsável pela condução das articulações eleitorais no Tocantins. Ao afirmar que “o partido tem compromisso” com Paulo Mourão e classificar como “absurda” a decisão de lançar Ivanete, Laurez tornou pública uma divergência que, até então, permanecia restrita aos bastidores.
Discursos opostos
Enquanto Laurez sustenta que existe um compromisso político já firmado com o PT, Irajá apresentou outra versão da construção partidária. Segundo o senador, a candidatura de Ivanete foi debatida internamente e recebeu o aval do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
A diferença entre os discursos revela que a discussão ultrapassa a escolha de um nome para o Senado. O episódio coloca em evidência quem efetivamente conduz as decisões estratégicas do PSD no Tocantins: a direção estadual, presidida por Laurez, ou a articulação nacional e a liderança exercida por Irajá.
Carlesse muda discurso
Outro fato que chamou atenção foi a confirmação de Mauro Carlesse como suplente de Irajá. Dias antes, ao retirar sua pré-candidatura ao Senado, o ex-governador havia atribuído a decisão à entrada do PT na aliança liderada por Laurez. Na coletiva, contudo, apresentou uma justificativa diferente. Disse que desistiu após concluir, em conversas com Irajá, Kassab e Laurez, que duas candidaturas do PSD poderiam dividir votos e enfraquecer o partido.
Ao aceitar integrar a chapa como suplente, Carlesse deixa de ser concorrente interno e passa a reforçar o projeto eleitoral liderado por Irajá.
Repercussão
Embora o PSD tenha buscado transmitir uma imagem de fortalecimento ao anunciar novos nomes para a disputa, o resultado imediato foi a exposição de divergências internas sobre a composição da chapa majoritária.
A manifestação pública de Laurez indica que o debate sobre as candidaturas ao Senado ainda está longe de ser encerrado e que as negociações envolvendo PSD, PT e demais partidos aliados deverão continuar nas próximas semanas.
Mais do que definir nomes, o episódio revelou uma disputa pela condução política da legenda no Estado. A forma como esse impasse será resolvido poderá influenciar não apenas a composição da chapa de 2026, mas também o grau de unidade do PSD durante a campanha eleitoral.