Paralisação expôs impasse entre trabalhadores e concessionária, provocou transtornos a passageiros e levantou questionamentos sobre a fiscalização do serviço pela gestão municipal
A greve dos motoristas do transporte coletivo de Palmas, iniciada na madrugada de terça-feira (03), evidenciou problemas nas relações de trabalho e nas condições de funcionamento do sistema de transporte público da capital. A mobilização dos trabalhadores da concessionária Sancetur, responsável pela operação dos ônibus, provocou a redução da frota em circulação. Diante da situação, o Coletivo SOMOS cobrou, durante a sessão ordinária nesta quarta-feira (04), explicações da prefeitura, além de questionar a atuação da gestão na fiscalização do serviço oferecido à população.
Para o SOMOS, a situação também exige responsabilidade do poder público municipal. Embora os vínculos trabalhistas sejam estabelecidos entre a concessionária e seus funcionários, a Prefeitura tem a atribuição de acompanhar e fiscalizar a prestação do transporte coletivo, serviço essencial para a população. Para a porta-voz do Coletivo SOMOS, Thamires Lima, a gestão municipal não pode se isentar da responsabilidade diante dos problemas enfrentados pelos trabalhadores e usuários. “A Prefeitura precisa assumir seu papel de fiscalização e cobrar soluções da concessionária. Não é aceitável que os trabalhadores tenham seus direitos desrespeitados e que a população continue pagando o preço pela falta de uma gestão eficiente do transporte público”, afirma.
Como a greve foi construída
A categoria reivindica o cumprimento do piso salarial previsto na Convenção Coletiva de Trabalho de 2026, além de melhorias nas condições de trabalho. Entre as cobranças estão a instalação de banheiros e bebedouros nas estações e nos pontos finais das linhas, o fim de descontos considerados indevidos nos contracheques e no vale-alimentação e o respeito à jornada de trabalho e aos intervalos de descanso.
A insatisfação dos trabalhadores com o transporte coletivo da capital vem se manifestando há meses. Em 1º de setembro, motoristas já haviam interrompido a circulação de parte dos ônibus por aproximadamente uma hora, em protesto contra o atraso no pagamento do adiantamento salarial. Na ocasião, o sindicato também levantou questionamentos sobre possíveis atrasos nos repasses da Prefeitura à Sancetur, informação que não foi confirmada pela administração municipal. Posteriormente, em 23 de outubro, os trabalhadores aprovaram, em assembleia, a realização de uma greve.
O anúncio oficial da paralisação foi divulgado pelo sindicato em 29 de outubro, com previsão de início para as 4h do dia 3 de novembro. Antes da deflagração do movimento, em 31 de outubro, a Prefeitura conseguiu uma decisão liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), estabelecendo percentuais mínimos de circulação dos ônibus.
Greve é suspensa temporariamente após negociação
Nesta quarta-feira, 4 de novembro, após aproximadamente seis horas de negociação mediada pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), do TRT-10, os trabalhadores e a Sancetur concordaram com a suspensão temporária da greve até o dia 11 de novembro.
Durante esse período, as partes deverão avaliar propostas para tentar construir um Acordo Coletivo de Trabalho. Uma nova audiência está prevista para a data, quando deverá ser discutida a possibilidade de formalização do acordo.
A suspensão, entretanto, não representa o encerramento definitivo do movimento. Segundo o sindicato, caso as negociações não avancem, a categoria poderá avaliar os próximos encaminhamentos.