Nos últimos dias, a população de Palmas e por que não dizer de todo o Tocantins foi pego de surpresa pela Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga vazamento de informações sigilosas do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação resultou na prisão do prefeito da Capital, Eduardo Siqueira Campos, do policial civil Marco Augusto Velasco Nascimento Albernaz e do advogado Antônio Ianowich Filho, supostamente envolvidos em vazamento de informações de operações da Polícia Federal e inquéritos do STF que miram várias autoridades.
Até agora, pouco se sabe o que consta no inquérito da Operação Sisamnes, que corre em segredo de justiça, pois na decisão divulgada pelo ministro do STF Cristiano Zanin, as prisões foram embasadas em conversas do prefeito pelo celular com os outros envolvidos, entre eles Thiago Barbosa, sobrinho do governador Wanderlei Barbosa. De acordo com a decisão, o fundamento para a prisão e afastamento do prefeito Eduardo Siqueira deu-se com base em prints de algumas conversas onde o mesmo recebe informações de possíveis desdobramentos de investigações, que posteriormente seriam repassadas para alertar autoridades sobre as datas das operações. Na decisão, não consta nada relacionado à sua gestão enquanto prefeito de Palmas.
Além dessas informações, tudo o que é relatado são meras especulações divulgadas de forma aleatória por blogues e veículos da imprensa nacional e local. Em meio a esse emaranhado de notícias desconexas, surge uma modalidade nova na imprensa tocantinense, que é a “imprensa judiciária, que antecipa o julgamento, absolve ou condena” de acordo com suas convicções pessoais. Nesse ínterim, o leitor/espectador é bombardeado com suposições que só serão confirmadas ou não depois de apuradas e julgadas por quem tem competência de fazê-las, no caso, o Judiciário.
Esse bombardeio de informações, com “defesas” e “acusações” por parte daqueles que têm o dever de informar a população, acabam caindo no mesmo bojo do descrédito. Do ponto de vista jornalístico, é assustador ver a grande quantidade de matérias com conteúdo duvidoso, misturando informações de investigações do passado com o presente, na clara tentativa de confundir a opinião pública, e com isso incitando a desaprovação popular do prefeito afastado em decorrência de investigações que sequer foram concluídas e julgadas.
Em meio a toda essa confusão de informações destorcidas e perplexidade dos palmenses que ainda procura se inteirar do que realmente está acontecendo, a “grata” surpresa ficou por conta do vice-prefeito Carlos Velozo (Agir), que não esperando a poeira baixar assumiu o Paço interinamente com a mesma altivez que costuma subir no púlpito da sua igreja. Respondendo por um mandato que ainda tem titular, o pastor prefeito degolou em um só golpe certeiro duas cabeças de sustentação da gestão Siqueira Campos. Depois da exoneração, sem aparente motivo, do secretário-chefe do Gabinete do prefeito, Carlos Júnior e do procurador-geral do munícipio, Renato Oliveira, veio a reação do ex-senador Vicentinho Alves que entregou ao prefeito interino Carlos Velozo, o cargo de secretário extraordinário de Representação da Prefeitura de Palmas em Brasília. No comunicado Vicentinho Alves afirma que irá aguardar “o retorno do prefeito eleito pelo povo de Palmas, Eduardo Siqueira Campos”. Todo esse cenário criado pelo prefeito interino tem gerado desconforto nas solenidades de entrega de obras, no último encontro com populares, na entrega de uma praça na Capital, Carlos Velozo teria escutado gritos de “traidor”.
O prefeito Eduardo Siqueira Campos terá pela frente o desafio de provar sua inocência. Para isso, ele tem um jurista competente que ficará responsável por fundamentar sua defesa. A cargo dessa missão está o renomado advogado Juvenal Cleiber, conhecido no meio jurídico tocantinense pela atuação em processos de grande importância e complexidade. Além do que já está sendo feito por Juvenal Cleiber, o prefeito de Palmas necessita neste momento somente de resiliência. Tudo o que for feito fora da defesa processual pode atrapalhar o andamento do processo ou seu desfecho. Em relação ao “julgamento popular”, o prefeito já tem e nada vai mudar a consciência dos moradores da capital Palmas, que hoje conta com cuidados antes esquecidos pelas gestões passadas. Fora disso, o prefeito precisa somente de uma boa defesa jurídica que mostre desnecessária sua prisão e afastamento de suas funções. O que passar desse contexto será apenas pirotecnia daqueles que bajulam ou dos que acoitam.
A população de Palmas e por que não dizer de todo Tocantins, está assistindo perplexa à reprise da mesma novela vivenciada pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), que teve seu governo quase dilacerado e congelado por um bombardeio de notícias e especulações com o único objetivo de engessar a administração, criando um clima de insegurança jurídica e econômica. Os boatos sobre um possível afastamento do governador eram propalados por todos aqueles que não queriam a continuidade do seu mandato. Tais boatos tomaram tamanha dimensão que até hoje provoca reações como a vivenciada nesses últimos dias, no caso de possível vazamento de informações. Em meio ao caos criado a sua volta em um passado recente, o governador Wanderlei Barbosa, conseguiu superar a fase turbulenta com trabalho e determinação, conquistando atualmente mais de 80% de aprovação popular com capital político de eleger seu sucessor.
Em relação ao vivenciado hoje pelo prefeito Eduardo Siqueira Campos, ele tem na sua bagagem a participação na criação do Tocantins e de sua capital. Graças a esse reconhecimento, foi escolhido no último pleito para governar a cidade que ele ajudou a implantar. Passou pelo Senado, Câmara Federal e, depois em um recomeço, pelo parlamento estadual. Vivenciou a ascensão, declínio e volta triunfante do seu pai Siqueira Campos ao poder. Munido de toda essa experiencia, o prefeito Eduardo Siqueira vai saber se defender e dar a volta por cima. No mais, na minha opinião, quem quiser orar que ore em suas casas ou nas igrejas e não na porta ou dentro do quartel. Em relação a alguns “jornalistas”, eximindo aqui os profissionais de respeito da imprensa tocantinense, que queiram se aventurar no âmbito do Direito com o intuito de atuar como advogado de defesa ou acusação, que procurem uma faculdade de direito e se habilitem para tal.
Palmas e o Tocantins merecem respeito. Vamos respeitar as instituições sem ultrapassar a linha de nenhuma delas. Vamos respeitar o nosso direito de liberdade sem querer nos transformar em algozes ou salvadores. Vamos respeitar os nossos leitores. Faço aqui esse contraponto em relação ao trabalho de alguns “profissionais de imprensa” que usando muitas vezes de má fé acabam jogando no mesmo bojo o trabalho de profissionais sérios que presam pela lisura e veracidade dos fatos. Na faculdade de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba, onde concluí o curso de Comunicação, com habilitação em jornalismo, aprendi que é dado ao jornalista o papel de informar, opinar e investigar. O julgamento, absolvição ou condenação são atributos da Justiça, e isso já é ensinado também nas faculdades de Direito.
Que o vice-prefeito Carlos Velozo continue orando em sua igreja e administrando Palmas, nessa fase interina, como gestor público isento de sua fé e orações. Que o prefeito Eduardo Siqueira Campos tenha da Justiça o julgamento justo e a capacidade que sempre teve de se reerguer. Que a imprensa séria do Tocantins siga na sua missão de informar, investigar e opinar de forma clara, justa e isenta.
Que Palmas continue sendo guiada pela força do sol…
Wibergson Estrela Gomes – O Girassol – 25 anos.