Hoje comemora-se o Dia dos Povos Indígenas. A preocupação da Assembleia
Legislativa com inclusão social dos povos originários e tradicionais do
Tocantins vem de muito tempo. Há 15 anos (2007) o deputado Amélio Cayres
justificava o pedido de criação de uma secretaria exclusiva para os
povos indígenas do Estado. “O Tocantins precisa se preocupar com essa
população e a criação desta secretaria visa a incluir e ampliar a
participação dos nossos índios na sociedade”.
Esse pleito do atual presidente desta Casa de Leis está contemplado, com
a recente criação da Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais do
Tocantins pelo governador Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Entre as atribuições do novo órgão, o deputado sugeria: garantir a posse
permanente das terras e o usufruto exclusivo dos recursos naturais; a
preservação do equilíbrio biológico e cultual do índio, no seu contato
com a sociedade, além de despertar, pelos instrumentos de divulgação, o
interesse coletivo para a causa indígena.
À época, segundo informações de Amélio Cayres, no Tocantins viviam cerca
de 10 mil índios, distribuídos em sete etnias: Apinajé, Javaé, Karajá,
Karajá-Xambioá, Krahô, Xerente e Krahô-Kanela que vivem em aldeias
distribuídas em onze municípios: Santa Fé do Araguaia, Tocantínia,
Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão, Tocantinópolis, Maurilândia,
Sandolândia, Itacajá, Goiatins, São Bento e Cachoeirinha.
Cidadania
No mês passado, o deputado Fabion Gomes (PL) apresentou Projeto de Lei
visando a criação e implantação do projeto “Justiça para Todos –
Cidadania Indígena”, que consiste na emissão da 1ª e 2ª via da certidão
de nascimento, casamento e óbito, 1ª e 2ª via da carteira de identidade
(RG), nas aldeias indígenas da etnia Apinajé, nos municípios de
Tocantinópolis, Cachoeirinha, São Bento e Maurilândia do Tocantins.
Em justificativa ao pedido, o parlamentar afirmou que o projeto tem, por
meio de parceira com o Poder Judiciário o Poder Executivo, a proposta de
descentralizar e ao mesmo tempo garantir os direitos fundamentais às
pessoas em situação de vulnerabilidade social, dentre eles o acesso aos
serviços de documentação civil dos povos indígenas.
“É uma manifestação de justiça social com a população indígena, que
precisa ser incluída em mais ações de acesso à cidadania. Precisamos
agir por meio de políticas públicas, incentivar e garantir o pleno
exercício da cidadania, onde os indígenas poderão ter acesso, inclusive
aos programas de assistência social, visto que a falta de registro não
os deixa aptos a participarem”, explicou.
Infraestrutura
No início deste mês, o deputado Marcus Marcelo (PL) chamou a atenção
para a necessidade de uma ponte e a pavimentação da TO-430, em Arapoema,
no norte do Estado, onde segundo ele crianças estavam sem aula devido à
falta de infraestrutura da rodovia.
O deputado solicitou também a pavimentação da TO-126, no trecho em que
liga os municípios de Tocantinópolis e Maurilândia do Tocantins. Na
região, 24 comunidades indígenas do povo Apinajé estavam com os
atendimentos de saúde prejudicados.
“É minha preocupação. Não temos que olhar a infraestrutura só como obra,
mas como pessoas que precisam sair de suas casas com segurança e terem
acesso a atendimentos como de saúde e educação assegurados”, citou o
deputado.
Energia elétrica
De acordo com Energisa Tocantins, atualmente 879 indígenas no Estado já
são cadastrados na Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) e recebem
desconto na conta de energia. Além disso, segundo a empresa, ainda
existem 2.747 indígenas em potencial que podem ter acesso ao benefício.
No caso dos quilombolas, a Energisa informou que atualmente 752 clientes
cadastrados recebem a tarifa social e que outros 584 ainda podem
garantir esse direito.
Para ter acesso aos descontos é preciso manter o Cadastro Único do
Governo Federal (CadÚnico) atualizado junto ao Centro de Referência de
Assistência Social (Crass) do município.
Luis Pires
Foto: AGE