O Sindicato dos Jornalistas do Tocantins se manifestou, por meio de nota oficial, contra a divulgação de um vídeo de conteúdo sensível por páginas nas redes sociais e pediu a atuação do Ministério Público para apuração do caso.
Na nota, a entidade destacou preocupação com a exposição indevida de imagens consideradas delicadas, ressaltando que a prática fere princípios éticos do jornalismo e pode causar danos às pessoas envolvidas. O sindicato também reforçou a importância da responsabilidade na divulgação de conteúdos, especialmente em ambientes digitais, onde a disseminação ocorre de forma rápida e ampla.
O posicionamento ressalta que a liberdade de expressão deve estar alinhada ao respeito à dignidade humana, à privacidade e aos direitos individuais. Para o sindicato, a publicação de conteúdos sensíveis sem critérios éticos compromete não apenas a imagem dos profissionais da comunicação, mas também a confiança da sociedade nas informações veiculadas.
NOTA
Diante da circulação de imagens extremamente sensíveis e de violência sexual que circula nas redes sociais, divulgadas por perfis que se autodenominam “de notícias”, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins manifesta profunda indignação e repúdio.
A exposição de cenas relacionadas a um crime de estupro, além de desrespeitosa com a vítima, seus familiares e toda a sociedade, representa uma grave violação dos direitos humanos e afronta diretamente à legislação brasileira. Trata-se de uma prática irresponsável, que ignora princípios básicos da dignidade humana e da proteção às vítimas de violência.
O jornalismo profissional, exercido por profissionais formados e comprometidos com a ética, não se confunde com a mera divulgação de conteúdos sensacionalistas em busca de engajamento. Há critérios, responsabilidade social e, sobretudo, compromisso com a verdade, com o cuidado e com o interesse público.
Casos de violência, especialmente os que envolvem vítimas em situação de extrema vulnerabilidade, exigem tratamento criterioso, linguagem adequada e, acima de tudo, respeito. A espetacularização da dor não informa — ela agride, revitimiza e contribui para a banalização da violência.
É com essa preocupação e indignação que apelamos ao Ministério Público Estadual, defensor da ordem jurídica e os dos interesses sociais e individuais indisponíveis, que atue no sentido de proteger a vítima e responsabilizar quem patrocina a exposição indevida das agressões.
Reforçamos que o papel do jornalista vai além de noticiar: é contextualizar, apurar com rigor, preservar identidades quando necessário e contribuir para o debate público com responsabilidade.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais reafirma seu compromisso com a defesa do jornalismo ético, responsável e humanizado, e alerta a sociedade sobre os riscos de consumir e compartilhar conteúdos que violam direitos e ferem a dignidade das pessoas.
Mais do que nunca, é fundamental valorizar o jornalismo profissional — aquele que informa sem ferir, que denuncia sem explorar, e que cumpre sua missão social com seriedade e respeito.